Papo Tático: Atlético-MG precisa decidir o que quer da vida nesse final de temporada

Empate contra o Fluminense neste sábado (16) mostrou uma equipe irregular e sem uma estratégia de jogo definida; entrada dos “cascudos” no segundo tempo melhorou o desempenho do Atlético-MG

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Site oficial do Clube Atlético Mineiro

O Atlético-MG é hoje uma das grandes incógnitas dessa reta final de Campeonato Brasileiro. O time, que começou a competição com pinta de quem ia (pelo menos) brigar por uma vaga na Libertadores de 2020, agora se vê na parte de baixo da tabela da competição. Rodrigo Santana saiu e Vagner Mancini chegou com a missão de “terminar bem o ano”. O grande problema, no entanto, é que o Atlético-MG ainda não tem um padrão de jogo definido pelo seu treinador. Contra o Fluminense, o Galo teve um primeiro tempo ruim com uma equipe repleta de garotos. A entrada dos mais “cascudos” deu mais consistência e mais intensidade à equipe de Vagner Mancini que chegou ao empate com Di Santo completando cruzamento de Marquinhos já nos minutos finais. Afinal, o que esse Atlético-MG quer da vida? Empurrar o Brasileirão com a barriga ou encerrar a competição com um pouco de dignidade?

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O primeiro tempo do Atlético-MG no Maracanã foi extretamente ruim. Em tese, o time comandado por Vagner Mancini se armava num 4-2-3-1 com Luan, Bruninho e Marquinhos atrás de Di Santo (além das chegadas constantes de Jair e José Welison na armação das jogadas). O que se via em campo, no entanto, era uma equipe sem intensidade, desconcentrada e até certo ponto perdida diante da velocidade do Fluminense que explorava bem os espaços às costas dos laterais Patric e Fábio Santos e a lentidão de Igor Rabello e Réver. Toda bola lançada em profundidade para Yony González, Danielzinho e Marcos Paulo pegava a defesa completamente desarrumada. Ponto esse reforçado pelos incontáveis espaços à frente da última linha defensiva do time do Atlético-MG. A atuação era muito ruim, o jogo coletivo era praticamente nulo e algo precisava ser feito por Vagner Mancini, já que o placar o Galo foi para o intervalo no lucro diante das chances perdidas pelo Fluminense.

Atlético-MG espaçado, desconcentrado e sem um mínimo jogo coletivo diante de um Fluminense veloz e intenso na primeira etapa. A lentidão da dupla de zaga foi um dos pontos mais explorados pelo ataque tricolor no Maracanã. Foto: Reprodução / Premiere

O desempenho do Galo Forte e Vingador melhorou a partir do momento em que Vagner Mancini sacou o garoto Bruninho para a entrada do equatoriano Cazares. Esse ponto nos leva para uma pergunta até certo ponto óbvia: por que os mais “cascudos” não ganham mais minutos em campo? Pelo menos numa mescla de juventude e experiência tão pedida e defendida pelo próprio Vagner Mancini em várias e várias oportunidades. Ou numa formação semelhante ao time que encerrou o jogo no Maracanã. Vinícuis e o já citado Cazares devolveram a intensidade que faltou no primeiro tempo (rearrumando o Atlético-MG num 4-3-3 mais nítido e mais vertical) e o argentino Di Santos finalmente teve com quem jogar. Tanto que o gol do empate saiu dos seus pés em cruzamento de Marquinhos no lado esquerdo. Quando finalmente decidiu o que queria, o Atlético-MG conseguiu ser efetivo. É essa determinação que o torcedor atleticano quer ver na equipe.

Cazares e Vinícius melhoraram a produção ofensiva do Atlético-MG e mostraram que merecem mais minutos no time titular. O lance do gol de Di Santo mostrou um Galo mais presente no ataque e melhor distribuído dentro de campo. Foto: Reprodução / Premiere

O Atlético-MG pode e deve jogar mais do que vem jogando nessas últimas rodadas do Brasileirão. Ainda mais com o elenco que Vagner Mancini tem à sua disposição. E ficou claro que Vinícuus e Cazares (principalmente este último) merece retornar ao time titular. Assim como Jair precisa de tempo para recuperar o ritmo de jogo depois do longo e tenebroso inverno no departamento médico. É o volante da saída de bola do Atlético-MG e quem faz a redondinha chegar com qualidade na frente. Bruninho e Marquinhos são promissores e pdoem ser muito úteis ainda nessa temporada colocando velocidade pelos lados do campo e ajudando os laterais na marcação. A grande dúvida permanece na defesa. Cleiton e Guga são titulares. Por outro lado, o calcanhar de Aquiles está na defesa. Léo Silva, Igor Rabello e Réver são lentos e presas fáceis para atacantes velozes. É um ponto que precisa ser corrigido para 2020.

Se o Atlético-MG vai terminar a temporada lutando contra o rebaixamento ou brigando por posições na parte de cima da tabela, depende apenas dos jogadores e de Vagner Mancini. Certo é que esse time mostrou que pode entregar muito mais do que vem entregando e mostrar muito mais vontade do que vem mostrando. Seja com os “cascudos” ou com os mais jovens em campo.

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