Papo Tático: Atuação segura de Renan Lodi mostra o caminho certo para Tite na Seleção Brasileira

Camisa 16 foi um dos melhores em campo na vitória por 3 a 0 sobre a Coreia do Sul em Abu Dhabi; escrete canarinho também encerrou série negativa de cinco partidas

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Figueiredo / CBF

É bem verdade que o adversário desta terça-feira (19) faz com que qualquer análise sobre a Seleção Brasileira seja relativizada. Mesmo assim, os comandados de Tite voltaram a apresentar um futebol razoável depois de um longo e tenebroso inverno e venceram a Coreia do Sul por 3 a 0 sem muitos sustos. De positivo, além da quebra da sequência negativa de cinco partidas, tivemos a atuação segura do lateral-esquerdo Renan Lodi, um dos melhores em campo na opinião deste que escreve. O camisa 16 foi muito bem no ataque (alargando o campo e aparecendo com frequência na linha de fundo) e também não comprometeu na defesa. A boa atuação de Lodi também mostra a Tite o caminho a seguir, sem qualquer desperdício de talentos em prol de uma ideia de jogo. Uma Seleção Brasileira mais objetiva e muito menos burocrática.

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Após a derrota para a Argentina, Tite fez uma série de modificações na Seleção Brasileira que sugeriam a volta do 4-1-4-1 utilizado nas Eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia ou, pelo menos, algo próximo dele. E assim aconteceu. Fabinho entrou no lugar de Casemiro e deu a dinâmica na saída de bola que faltava à equipe. Marquinhos substituiu Thiago Silva e não comprometeu apesar de algumas falhas de posicionamento na primeira etapa. Philippe Coutinho jogou no lugar de Willian e lembrou o “ponta-armador” de três temporadas atrás. E Richarlison (substituto de Roberto Firmino) devolveu força e consistência ao escrete canarinho. Na prática, Tite finalmente achou os jogadores certos para aquilo que ele pensa para a Seleção Brasileira dentro de campo, seja em termos táticos como também na renovação dos nomes. Mas a grande sacada de Tite seria a entrada de Renan Lodi no lugar de Alex Sandro (lesionado). O camisa 16 se transformaria num dos melhores em campo.

Renan Lodi, Marquinhos, Philippe Coutinho, Fabinho e Richarlison começaram jogando contra a Coreia do Sul e ajudaram a organizar mais a Seleção Brasileira no 4-1-4-1 preferido de Tite. Foto: Reprodução / TV Globo

Não era raro ver Philippe Coutinho caindo por dentro e abrindo o corredor para as subidas de Renan Lodi para o ataque. Foi assim que nasceu o primeiro gol da Seleção Brasileira (marcado por Lucas Paquetá logo no começo da partida) e as principais jogadas ofensivas da equipe comandada por Tite. Ao mesmo tempo, Gabriel Jesus também abria o corredor para as subidas (menos frequentes) de Danilo. Mais atrás, Arthur e Lucas Paquetá apareciam para dar opção de passe e aproveita as possíveis sobras. Tudo isso com Richarlison usando bem a força física e prendendo pelo menos dois dos zagueiros coreanos. Mas quem se destacava de verdade era Renan Lodi com subidas ao ataque que lembraram os melhores anos de Marcelo com a camisa da Seleção Brasileira. O esquema tático ajudou, a estratégia também. E a fragilidade do adversário na marcação foi outro fator determinante para a vitória da Seleção Brasileira.

Philippe Coutinho caía por dentro e abria o corredor para as subidas de Renan Lodi pelo lado esquerdo do time comandado por Tite. As melhores jogadas da Seleção Brasileira aconteceram por aquele setor. Foto: Reprodução / TV Globo

Por mais que a Coreia do Sul não tenha sido um adversário de respeito para a Seleção Brasileira, é preciso dizer que a atuação coletiva da equipe foi satisfatória. Muito em função da iniciativa de Tite em retornar à estratégia que deu muito certo nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018. O lado esquerdo do escrete canarinho era o mais insinuante no ataque enquanto que o lado direito permanecia armando mais o jogo. Tal como Daniel Alves e Marcelo fizeram há duas temporadas. O primeiro ficava mais por dentro (atuando como “lateral-armador”) enquanto o segundo fazia a ultrapassagem quando Neymar centralizava. Exatamente aquilo que Renan Lodi e Philippe Coutinho fizeram durante o tempo em que estiveram em campo. O camisa 16 mostrou que tem vigor físico para ser quase um “ponta-esquerda” e para fechar seu setor quando a Seleção Brasileira for atacada.

Philippe Coutinho centraliza para se juntar a Fabinho, Arthur e Lucas Paquetá na armação das jogadas e Renan Lodi aparece no setor para dar amplitude ao time. Tal como Neymar e Marcelo fizeram nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018. Foto: Reprodução / TV Globo

Tite também teve mais condições de dar mais movimentação ao seu ataque posicional com as subidas de Renan Lodi ao ataque. Não era raro ver o 4-1-4-1 da Seleção Brasileira se transformar numa espécie de 2-3-5 (no melhor estilo “pirâmide invertida”) quando o time estava com a posse de bola. Danilo se alinhava a Fabinho e Danilo no meio, Marquinhos e Éder Militão ficavam mais atrás, Philippe Coutinho e Liucas Paquetá armavam o jogo, Gabriel Jesus avançava pelo lado direito, Richarlison por dentro e Renan Lodi dava o contraponto pela esquerda, avançando e chegando à linha de fundo sempre com bastante consistência e eficiência. Diante do que se viu na Seleção Brasileira nas últimas cinco partidas, é muito difícil não sentir uma ponta de esperança com a boa atuação do camisa 16 e o retorno ao esquema tático das Eliminatórias.

Renan Lodi, Philippe Coutinho e Danilo (nos destaques) davam o tom da “inversão da pirâmide” no 4-1-4-1 de Tite. O camisa 16 foi presença constante no ataque e terminou a partida com duas assistências. Foto: Reprodução / TV Globo

É claro que a Seleção Brasileira ainda inspira certa desconfiança por uma série de motivos. Mas a ótima atuação de Renan Lodi dá um certa esperança de que Tite pode fazer com que sua equipe jogue bem novamente. Resta saber como o escrete canarinho vai se comportar com o (possível) retorno de Neymar ao time e em partidas em que o nível de intensidade exigido for bem maior do que o do amistoso contra a Coreia do Sul. As Eliminatórias para a Copa do Mundo do Qatar começam em março de 2020 e seleções como Argentina, Peru, Chile e Uruguai prometem dar trabalho. É exatamente por isso que é importante recuperar o bom futebol de 2016 e 2017. E esse caminho passa pela boa atuação de Renan Lodi é tão importante nesse processo. Assim como Fabinho fez boa partida no lugar de Casemiro, um dos setores mais delicados da equipe comandada por Tite.

Tite terá alguns meses para se preparar para o início das Eliminatórias da Copa do Mundo e repensar alguns dos seus conceitos nas últimas convocações. Certo é que Renan Lodi não pode mais ficar de fora do time titular. Pelo que evoluiu e pelo que ainda vai evoluir como jogador.

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