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Papo Tático: D’Alessandro como volante é a sacada de Zé Ricardo para recuperar o Internacional; entenda

Camisa 10 atuou quase como um segundo volante na vitória sobre o Fluminense no último domingo (10); triunfo recolocou o Internacional na zona de classificação para a Libertadores de 2020

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Ricardo Duarte / SC Internacional

Este colunista escreveu há alguns dias que não via com bons olhos o acerto de Zé Ricardo com o Internacional e que a missão de dar um rumo à equipe colorada em pouco mais de 40 dias era complicadíssima. Os números do treinador não são bons. Em 15 pontos disputados, o Inter conquistou apenas sete (duas vitórias, um empate e duas derrotas). No entanto, Zé Ricardo teve uma boa sacada no triunfo sobre o Fluminense neste domingo (10). O treinador recuperou um pouco do espírito mais combativo que o time tinha com Odair Hellmann e ainda ganhou muito em criatividade ao escalar o veterano D’Alessandro mais recuado, quase como um volante. Correndo menos e com espaço para lançar e armar o jogo, o argentino foi um dos destaques da partida. Ponto para o treinador.

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A estratégia já havia sido rascunhada na derrota para o Ceará no dia 7 de novembro, mas foi contra o Fluminense que ela passou a ser executada com mais precisão. D’Alessandro partia de trás com a bola dominada enquanto os laterais Heitor e Uendel abriam o campo, Rodrigo Lindoso se colocava entre os zagueiros para ajudar na saída de bola e Edenílson e Patrick se lançavam ao ataque para se juntar a Guerrero e William Pottker (autor dos dois gols do Internacional na partida). É bem verdade que o time ainda apresenta alguns problemas na recomposição e nas transições que precisam de tempo para serem resolvidos (coisa que Zé Ricardo não terá até o final do ano). Por outro lado, o Internacional aproveitou bem os espaços às costas de Gilberto na primeira etapa para marcar os dois gols que abriram caminho para uma vitória importantíssima na briga pela vaga na Libertadores de 2020.

D’Alessandro praticamente virou um segundo volante com Zé Ricardo. A ideia é deixar o argentino com espaço para pensar o jogo enquanto o restante do time se posiciona para esperar o passe em profundidade ou a bola longa. Foto: Reprodução / Premiere

Vale destacar o comportamento dos volantes no Internacional de Zé Ricardo. Enquanto D’Alessandro se comporta como um “regista” na equipe colorada, Patrick e Edenílson partem para o ataque e fazem o contraponto defensivo quando o adversário recupera a bola. Foi bastante comum ver os dois se lançando nos espaços vazios para receber a bola em profundidade e participar das tramas ofensivas. Em determinados momentos da partida, o Internacional se armou num 4-2-3-1 um pouco mais “torto” para o lado esquerdo com Guerrero no comando de ataque, Pottker à esquerda, Patrick centralizado e Edenílson saindo pela direita com D’Alessandro se juntando ao quarteto ofensivo como um quarto meia. Mas o que possibilitou que o argentino tivesse espaço foi o ataque mais posicional proposto por Zé Ricardo na equipe colorada. Ainda não é o ideal, mas já é possível ver alguma melhora no Inter.

Edenílson e Patrick se lançam ao ataque e puxam a marcação para que D’Alessandro tenha espaço e tempo para pensar o jogo no meio-campo. A estratégia funcionou contra o Fluminense. Foto: Reprodução / Premiere

Mas nem tudo são flores. É bom lembrar que o posicionamento de D’Alessandro mais recuado só funcionou porque o Fluminense afrouxou a marcação no meio-campo e jogou com espaços generosos entre as suas linhas. Além disso, Zé Ricardo também precisa melhorar os números do ataque e da defesa de sua equipe. Em cinco jogos, o Inter marcou seis gols e levou oito. O baixo rendimento do ataque pode ser um dos motivos pelos quais o treinador colorado optou pela volta de William Pottker ao time titular, já que Guerrero funciona bem na preparação das jogadas e não tem conseguido manter a fama de goleador. Além disso, a recomposição defensiva também deixa espaços à frente da defesa e acaba sobrecarregando Victor Cuesta e Rodrigo Moledo. Em partidas contra equipes mais organizadas e mais eficientes, a tendência é que o Internacional encontre mais dificuldades para criar e se defender.

Como dissemos anteriormente, a missão de Zé Ricardo é ingrata. Mas o treinador já busca soluções dentro de um elenco que joga de uma maneira há muito tempo. E mudar esse estilo de jogo é algo que não dá pra ser feito da noite para o dia. D’Alessandro mais recuado foi uma boa sacada. Mas será que é suficiente para fazer o Internacional jogar bem?

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