Papo Tático: Daniel Alves livre, leve e solto é a chave para Fernando Diniz fazer o São Paulo jogar bem

Camisa 10 do Tricolor Paulista marcou o gol de empate da sua equipe contra o Santos no último sábado; atuação mais sólida de Daniel Alves passa por mexidas de Fernando Diniz no intervalo do clássico

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Rubens Chiri / saopaulofc.net

Um dos postulados mais repetidos do futebol brasileiro em toda a sua história afirma que o craque do time precisa jogar com liberdade para poder resolver dentro de campo. É assim desde os tempos de Friedenreich. E não foi diferente com o São Paulo de Fernando Diniz e Daniel Alves. Após atuação muito ruim no primeiro tempo do clássico contra o Santos, o camisa 10 e principal jogador do Tricolor Paulista cresceu na etapa final após ganhar mais liberdade no meio-campo após as mexidas de Diniz no intervalo e ainda marcou o gol de empate na Vila Belmiro. É claro que ainda existe muita coisa para ser corrigida no São Paulo, mas o simples fato de Daniel Alves ter jogado com um pouco mais de liberdade pode ser a chave para fazer a equipe do Morumbi jogar aquilo que se espera dela. Ainda mais com tantas contratações badaladas.

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O primeiro tempo do São Paulo foi muito ruim em todos os aspectos. O time jogava espaçado e não fechava as linhas de passe do Santos de Jorge Samapoli, que apostou em Felipe Jonatan mais à frente no lugar de Soteldo, convocado para a Seleção Venezuelana. No papel, o Peixe jogava num 4-3-3, mas não foram poucas as vezes em que a equipe da Vila Belmiro avançou suas linhas e se posicionou num 2-3-5 com o avanço dos pontas para o ataque e com seus laterais atacando por dentro. O São Paulo sofria porque sua dupla de volantes não se entendia na marcação. Não foram poucas as vezes em que Jucilei abandonava seu setor e abria crateras enormes no meio-campo. Tchê Tchê, apesar de voluntarioso, também estava numa tarde ruim. Com isso, Daniel Alves (que jogava mais à direita) não tinha liberdade para armar o jogo e também não via a bola chegar a seus pés. Não seria exagero afirmar que o Santos poderia ter ido para o intervalo com uma vantagem muito maior.

Santos posicionado no 2-3-5 de Sampaoli com Victor Ferraz e Jorge atacando por dentro, Carlos Sánchez e jorge abrindo o campo e o trio ofensivo empurrando a defesa pra trás. Jucilei e Tchê Tchê (nos destaques em vermelho) não marcavam, não criavam e abriam espaços generosos no meio-campo tricolor. Foto: Reprodução / Premiere

Fernando Diniz percebeu o problema da sua equipe e fez a mexida que mudou a cara da partida antes da volta do intervalo para o segundo tempo na Vila Belmiro. Jucilei (um dos piores em campo) saiu para a entrada de Liziero. E o camisa 14 deu a dinâmica que faltava ao São Paulo. Tchê Tchê passou a jogar como primeiro volante e Daniel Alves teve ainda mais liberdade para criar as jogadas e aparecer na frente. O Tricolor Paulista passou a ser mais intenso nas suas transições e jogadores como Vitor Bueno e Igor Gomes também cresceram de produção. Tudo por conta da nova postura do São Paulo e do posicionamento mais solto de seu principal jogador. Daniel Alves iniciou e concluiu a jogada do gol de empate e ainda mostrou que é o líder que a equipe precisa apesar da bronca e das críticas do torcedor são paulino. O São Paulo ainda criou boas oportunidades de gol e passou a ser mais agressivo, um dos grandes defeitos do time de Fernando Diniz.

Liziero entrou no lugar de Jucilei e rearrumou o meio-campo do São Paulo. Tchê Tchê passou a jogar mais pela direita ajudando Juanfran na marcação e soltando Daniel Alves para criar e atacar. A mexida de Fernando Diniz mudou a cara da partida na Vila Belmiro. Foto: Reprodução / Premiere

É claro que o São Paulo pode entregar mais do que vem entregando. Ainda mais com o investimento feito pela diretoria nessa temporada. E uma das grandes críticas ao trabalho de Fernando Diniz nos últimos meses é o fato das suas equipes sempre liderarem as estatísticas de posse de bola nas partidas mesmo concluindo pouquíssimo a gol. É o que o torcedor chama de “arame liso”. Cerca, mas não machuca ninguém. Fora as outras falhas na saída de bola com passe no chão que o treinador tanto defende. E talvez o ponto mais positivo desse empate contra o Santos tenha sido o aumento da intensidade do Tricolor Paulista depois que Daniel Alves ganhou mais liberdade para criar e atacar. E talvez esse seja o caminho mais curto para fazer com que o São Paulo jogue aquilo que se espera dele. Gostem ou não, o camisa 10 é hoje o principal jogador do time do Morumbi. É a referência técnica dentro de campo e precisa jogar como tal. A partir do momento em que Fernando Diniz percebeu isso, as coisas fluíram como o torcedor mais fanático deseja.

Fernando Diniz encontrou um caminho que pode e deve ser explorado. Daniel Alves é o “cara” do São Paulo e precisa ter liberdade para jogar. E não é exagero afirmar que o time que atuou por boa parte do segundo tempo contra o Santos merece mais minutos em campo nessa reta final de Brasileirão.

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