Papo Tático: Vitórias sobre Lituânia e Luxemburgo mostram um Cristiano Ronaldo ainda mais artilheiro e decisivo

CR7 marcou quatro vezes nas duas partidas da Seleção de Portugal pelas Eliminatórias da UEFA Euro 2020; camisa 7 passou a se posicionar quase como um centroavante com o passar dos anos

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / Seleções de Portugal

Poucos jogadores na história do futebol conseguem entender a necessidade de mudar de estilo conforme o tempo vai passando. Por mais que o cuidado com a preparação física seja grande, o peso dos anos acaba se fazendo presente cedo ou tarde, fato que coloca essa mudança no jeito de jogar como algo um dos pré-requisitos para se continuar no topo. Um dos atletas que compreendeu isso muito bem foi Cristiano Ronaldo. O camisa 7 português começou como “winger” no Sporting, mas começou a mudar seu posicionamento ainda no Manchester United quando Alex Ferguson percebeu seu potencial artilheiro. Hoje, aos 34 anos, CR7 se transformou no maior centroavante da atualidade e num dos maiores definidores da história do futebol. A atuação nos jogos da Seleção de Portugal contra Lituânia e Luxemburgo mostram que Cristiano Ronaldo segue letal jogando o mais perto possível do gol adversário.

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CR7 não é apenas o melhor atacante da atualidade apenas por ser goleador, mas por ler bem o jogo com a bola rolando. O português saiu do lado do campo e joga quase centralizado no comando de ataque. Digo quase por que é comum ver Cristiano Ronaldo saindo de um dos lados do setor ofensivo para aproveitar os espaços entre os zagueiros adversários. Na grande maioria das vezes, no entanto, o camisa 7 sai do lado esquerdo para o meio para aproveitar o chute potente (tal como aconteceu na goleada sobre a Lituânia na semana passada). A arrancada (embora seja feita num espaço mais curto) ainda mostra um CR7 veloz e intenso nas jogadas. O primeiro gol contra Luxemburgo, em jogo disputado neste domingo (17), teve Bernardo Silva lançando da intermediária, Cristiano Ronaldo chamando a marcação para o seu lado e Bruno Fernandes aparecendo sozinho na entrada da área para balançar as redes. É essa leitura no jogo que faz CR7 ser altamente diferenciado com 34 anos de idade.

Bernando Silva lança, Cristiano Ronaldo chama a marcação e Bruno Fernandes aparece livre na frente da área para balançar as redes. A percepção de CR7 para encontrar espaços segue imbatível. Foto: Reprodução / Esporte Interativo

A comparação com o time comandado por Luiz Felipe Scolari (na Copa do Mundo de 2006) e com o time de Fernando Santos é muito boa para percebermos essa mudança no posicionamento e na movimentação de Cristiano Ronaldo. Se CR7 jogava como “winger” pela esquerda (o meia aberto pelo lado no 4-4-2 ou no 4-2-3-1), o português foi, aos poucos se movendo para o comando de ataque na seleção portuguesa. Ainda mais com tantos gols marcados por Manchester United, Real Madrid e Juventus. A grande questão estava em saber como o técnico Fernando Santos montaria a sua equipe de modo a extrair o melhor de sua estrela sem perder o equilíbrio entre os setores. Se na Eurocopa, o esquema utilizado foi o 4-3-1-2 (com o meio em losango), Fernando Santos aposta num 4-4-2 (com algumas variações para o 4-3-3) de modo a liberar Cristiano Ronaldo para definir as jogadas como atacante mais avançado da Seleção de Portugal.

Cristiano Ronaldo é o atacante mais avançado do 4-4-2 de Fernando Santos na Seleção Portuguesa. É bastante comum ver o camisa 7 saindo da esquerda para o meio para definir as jogadas. Foto: Reprodução / Esporte Interativo

CR7 balançou as redes quatro vezes nas duas últimas partidas de Portugal pelas Eliminatórias da UEFA Euro 2020. No total, foram 11 gols marcados em oito partidas, um a menos que o inglês Harry Kane. De acordo com os dados do ótimo SofaSocre, CR7 faz um gol a cada 58 minutos e finaliza 5,6 vezes por partida. Apesar de gostar mais de sair do lado esquerdo em direção ao meio, Cristiano Ronaldo também aparece em todas as posições do setor ofensivo. Não é um preparador de jogadas, mas o atleta que define e que dá o último toque na bola. Esse é mais um motivo pelos quais CR7 dá poucos toques na bola. Geralmente o primeiro é para ajeitar o corpo e partir em direção ao gol adversário. O seu gol de número 99 pela Seleção de Portugal (o segundo da vitória contra Luxemburgo) mostrou o camisa 7 aparecendo na área como autêntico ponta de lança estilo Eusébio Pantera Negra, puxando os zagueiros e abrindo espaços para os companheiros de equipe.

Cristiano Ronaldo puxa a marcação de dois zagueiros e a bola chega em Pizzi. Na sobra, o camisa 7 marca o seu gol de número 99 pela Seleção de Portugal. Faro apuradíssimo de gol. Foto: Reprodução / Esporte Interativo

Cristiano Ronaldo já deixou claro que pretende jogar por muito mais tempo. A sua preparação física é excelente e a tendência é que o português consiga manter o nível do seu futebol lá em cima por mais algumas temporadas até mesmo pela ausência de rivais à sua altura (com a óbvia exceção do argentino Lionel Messi) no futebol mundial. Resta saber como CR7 vai se adpatar ao peso dos anos daqui pra frente. Ele jogava como “winger”, passou a jogar mais perto do ataque, foi liberado de qualquer obrigação defensiva nas suas equipes e vai se transformando em centroavante definidor de jogadas, daqueles famosos por darem dois ou três toques na bola antes de mandarem a redondinha para as redes. Tal como fez Romário após a Copa do Mundo de 1994. O Baixinho diminuiu a distância das arrancadas, mas se colocava como poucos dentro da área. Pelo que se vê, CR7 está seguindo o mesmo caminho.

Portugal terá a chance de defender o título da Eurocopa em 2020. O time comandado por Fernando Santos vem do título da Liga das Nações é vem sendo considerado como um dos favoritos ao título. E Cristiano Ronaldo deve seguir com sua sede de vitórias por mais tempo. Agora, muito mais atacante do que nunca.

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