Empresário de Pedrinho critica Carille e admite incômodo de jogadores com o treinador

Will Dantas também garantiu que “sem proposta irrecusável, Pedrinho renova com o Corinthians”

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Colaborador do Torcedores

Crédito: Divulgação / Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians

Arena Corinthians, dia 18 de setembro. Se a relação no vestiário alvinegro já sofria um pequeno desgaste até aquele ponto, esse momento pode ser apontado como o início da queda de Carille no Corinthians. Logo após a partida em que a equipe, jogando em seus domínios, foi amplamente dominada pelo Independiente Del Valle, do Equador, o treinador Fábio Carille, ao invés de uma esperada autocrítica, preferiu responsabilizar os mais jovens pela derrota por 2 a 0.

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Ao alegar que faltou experiência para alguns jogadores, viu a declaração ser rebatida prontamente, ainda nos vestiários, por Mateus Vital e Pedrinho. Além disso, ao expor os atletas publicamente, também se expôs. Isso porque, a desculpa não condizia com a realidade, já que curiosamente a média de idade da equipe equatoriana era menor do que os atletas alvinegros, 26 anos contra 30. Para piorar, a fala não foi assimilada pelo restante do elenco, que, em campo, acusou o golpe, passando a ter um aproveitamento posterior de 38% dos pontos, contra os 58% anteriores. A fala também causou revolta de alguns empresários, que, nas semanas seguintes deixaram claro ao presidente Andrés Sanchez que acelerariam a venda dos seus comandados, caso o técnico continuasse em 2020.

Em entrevista exclusiva ao Torcedores.com, Will Dantas, empresário do meia Pedrinho, não esconde o incômodo com a declaração do treinador. “Incomodou sim. Seria demagogo de chegar aqui falar que não. No momento em que treinador externa uma opinião falando exclusivamente dos jovens, os meninos sentiram. Uma coisa é falar o time todo não foi bem, outra coisa é afirmar que os meninos não foram bem, jogando a culpa neles. Isso não pegou bem e todo mundo sabe disso. Não vou passar pano para ninguém, porque não é do meu feitio. Os meninos não se sentiram confortáveis depois daquilo”, afirma ele.

Se isso não bastasse, a relação também ficou estremecida pela falta de abertura do técnico. Mesmo com o empresário e o próprio jogador alegando em diversos encontros que o meia estava atuando fora de posição e que preferia jogar centralizado, o treinador não abriu mão das suas convicções.

“O Pedrinho sempre jogou de meia. A base inteira ele era o camisa 10. Quando subiu para o profissional, ele conversou várias vezes com o Carille que queria jogar pelo meio, onde joga na seleção”, afirma Will, relatando uma reunião que teve com Carille. “Uma vez tive reunião com o treinador. Ele me disse que tinha dois motivos para não usar Pedrinho pelo meio. O primeiro é que alegava nunca ter visto ele de meia na base. O segundo, que até concordei no ponto de vista, apontou que o forte do time era o lado direito, com Pedrinho e Fagner, e se tirasse o meia de lá perderia essa jogada principal”. Outra justificativa do técnico, dada ao empresário, é que para trazer o jovem para o meio, ele teria que ter dois jogadores rápidos nas pontas, o que considerava não ser o caso.

Agora, a expectativa do staff do Pedrinho é que com a possível chegada de Tiago Nunes, que deve ser oficializado como técnico do Corinthians até quarta-feira, o jogador volta à sua posição de origem e que sempre gostou de atuar. “Eu sempre digo. Até hoje, o Pedrinho não mostrou o jogador que é. É pela posição que ele jogava? Também é. É difícil um atleta com a potência dele ficar toda hora descendo e marcando lateral, indo até a linha de fundo e depois ter força para atacar. Ninguém é robô. Se colocar o Messi, ele não vai conseguir. Se colocar o Cristiano Ronaldo vai estourar o cara. Desde que me entendo por gente, os melhores jogadores jogam soltos para criar. No caso dos diferentes, os caras é que tem de se preocupar com ele e não ele se preocupar em marcar. É o que sempre vi e que penso do futebol”, aponta.

Renovação com o Corinthians

Se a expectativa é positiva pela chegada de um novo treinador, a renovação do jogador com o Corinthians também está “alinhada”. Com vencimento do contrato em dezembro de 2020, o meia poderia assinar um pré-contrato com qualquer time já no meio do ano que vem, porém, isso não vai acontecer, pelo menos é o que garante o empresário do meia.

“Estou alinhando com o Andrés. Se não aparecer nenhuma proposta até janeiro, que seja irrecusável, nós vamos renovar o contrato dele com o Corinthians. Por vários motivos. O primeiro é que gosto muito do Andrés. Ele é um cara bacana. Quem não conhece acha que ele bravo, mas, o presidente é sensacional, amigo e ajuda as pessoas. Sou muito grato a ele. Não só por abrir a porta do clube e ter me ajudado bastante. Quem subiu o Pedrinho por profissional foi ele. Seria uma sacanagem muito grande da minha parte fazer isso com o Andrés ou o Corinthians. Isso não é do meu feitio. Sou grato a quem me ajuda. Jamais faria uma sacanagem dessa, multo menos com o Corinthians. Se não aparecer uma proposta condizente com o futebol do Pedrinho, que agrade o atleta e o clube, ele vai continuar no Corinthians”.

Emoção após o gol contra o CSA

Tratado como filho por Will, Pedrinho emocionou a todos após marcar o gol do Corinthians diante do CSA, em sua terra natal. Em entrevista no intervalo, o jogador não segurou a emoção. Ao ver o atleta emocionado, o empresário confessa que também não conteve as lágrimas.

“O Pedrinho é um jogador diferente não só na parte técnica, mas um ser humano diferente. Aquilo que ele deixou transparecer em Maceió não foi surpresa para mim. Surpresa foi vê-lo chorar. Antes, quando ele era criança, chorava bastante quando o time perdia, se emocionava demais, mas, fazia tempo que não o via chorar. Tanto é que quando vi a cena também chorei. Normalmente, me seguro, mas não me aguentei”, lembra.

Para o empresário, Pedrinho deve ter visto um filme de tudo que passou até hoje, desde a dispensa do Vitória, após um ano de clube, até a saída do São Paulo, mesmo marcando 18 gols em uma semana.

“Tinha um vagabundo lá no São Paulo, que inclusive já morreu, que, por esquema lá dentro, não aprovou o Pedrinho. No Corinthians ele sofreu também. Um garoto tinha de 13 para 14 anos, longe da família, não é fácil. Esse filme deve ter vindo na cabeça dele. De onde ele saiu, porque era um lugar pobre, até por passar por necessidades como todo mundo no Brasil. Como ser humano é um cara sensacional. O maior orgulho que sinto dele não é pelo lado técnico é pelo lado pessoal. A humildade. Nunca deslumbrou com nada. Nem quando ganhava mil e nem agora que tem um salário bom. Totalmente diferente dos atletas que já trabalhei. Não vou errar na carreira do Pedrinho. Farei de tudo para que ele siga se desenvolvendo no futebol e que mostre para todos o jogador que é”, conclui.

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