Renata Saporito: Final do Paulista deve ser um divisor de águas para o futebol feminino no Brasil

Corinthians e São Paulo decidiram a final do Campeonato Paulista Feminino, no último sábado (16), para um público de quase 30 mil pessoas

Renata Saporito
Colaborador do Torcedores

Crédito: Divulgação / Bruno Teixeira / Ag. Corinthians

No debate comparativo entre o futebol masculino e o feminino, o principal fator contrário ao crescimento das meninas sempre foi o alegado desinteresse do público. Afinal, sempre alguém dizia: ninguém assiste ao futebol feminino! E uma das razões que sustentavam essa afirmação era o baixo público nos jogos femininos e a ausência de interesse na transmissão pela TV.

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Entretanto, neste último sábado, o Brasil presenciou um recorde de público das meninas que pode ser um divisor de águas para a história do futebol feminino no Brasil e seu futuro promissor.

Em pleno sábado de manhã, com feriado na sexta, a torcida do Corinthians levou mais de 28 mil pessoas à Arena para assistir à final do Campeonato Paulista (os homens chamam de “Paulistinha” e dizem não ser tão importante!) entre Corinthians e São Paulo, vencida pelo time alvinegro por 3 a 0.

Para elas não tinha nada de “Paulistinha”, sem importância. Era Paulistão. Talvez, o jogo mais importante da vida de cada uma delas. Não pela rivalidade ou pelo título em si, mas certamente porque jamais um clube de futebol feminino jogou para um público tão expressivo em campo, a ponto de dar inveja em muito marmanjo. Acho que apenas a seleção brasileira tinha jogado para um público tão expressivo, até então.

Prova disso era a emoção das meninas ao entrar em campo, ver aquela torcida enorme e certamente sentir, com um friozinho na barriga e aperto no peito, que elas também podem. Elas também são capazes! E não me refiro apenas às jogadoras do Corinthians, o time da casa apoiado pela sua fiel torcida, mas também às próprias jogadoras do São Paulo, pois o sentimento ali era de fazer parte de um momento único que pode ditar novos rumos da modalidade feminina no país do futebol.

Que tal, então, colocar 2019 numa caixinha e cuidar com carinho? Que tal os grandes clubes do futebol brasileiro, como Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Santos, Flamengo, Grêmio, entre outros, se tornarem base para uma seleção brasileira?

Vamos voltar no tempo. Copa do Mundo de 2007 na China. O Brasil venceu os Estados Unidos na semifinal por 4 a 0 com uma atuação de gala de Marta. Sim, goleamos as poderosas norte-americanas numa semifinal de Mundial. Na final, derrota pra Alemanha por 2 a 0 e o vice-campeonato. Eu iniciava minha carreira de apresentadora na TV, fiz os intervalos durante toda a competição, tive o privilégio de conviver ao longo do torneio com Luciano do Valle, o maior incentivador do futebol feminino, sem dúvida nenhuma – era um carinho com nossas meninas que me emociona só de contar, era de paizão mesmo. A Band sempre apoiou, sempre por meio do Luciano, ele fazia questão, era de coração… Quem viveu sabe, elas sabem.

De lá pra cá, muitos altos e baixos. No entanto, a seleção sempre foi parâmetro para tudo, mas o que aconteceu nesse último fim de semana mostra que isso pode mudar, fortalecendo os clubes e dando continuidade num projeto que de uma vez por todas não pode ter fim.

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