Renata Saporito: Tênis feminino mostra que mulheres podem ganhar mais do que os homens

Para a colunista do Torcedores, nem tudo tem a ver com o livre mercado

Renata Saporito
Colaborador do Torcedores

Crédito: Getty Images

Em tempos de igualdade, fala-se muito e discute-se bastante no mundo do esporte sobre a remuneração dos homens, comparada com a das mulheres.

Os defensores dessa desigualdade afirmam com todas as letras que isso é reflexo do livre mercado, ou seja, paga-se mais para quem gera mais interesse do público e patrocinadores. Isso é uma verdade, porém, não podemos mais dizer que ela é absoluta.

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Recentemente, o tênis feminino está mostrando ao mundo que nem tudo é livre mercado e as mulheres podem, sim, ganhar mais do que os homens.

O conhecido e tradicional torneio “finals”, realizado todo ano entre os oito melhores tenistas do mundo – pela ATP para os homens e pela WTA para as mulheres -, comprova que, independentemente de qualquer interesse maior do público para homens ou mulheres, é possível, sim, remunerar as mulheres igual ou até melhor que os homens.

No último domingo, a WTA pagou para uma mulher a maior premiação da história do tênis profissional.

A australiana de 23 anos, Ashleigh Barty, atual número um do mundo, venceu na final do WTA Finals, disputado em Shenzen, na China, a ucraniana Elina Svitolina por dois sets a zero (6/4, 6/3) e recebeu $4,420,000, equivalente a quase 18 milhões de reais, quase o dobro da premiação que será dada ao campeão do ATP Finals, que começa no próximo sábado.

“Para mim, o fato de ser jogado na China pode ter ajudado nesse prêmio tão grande. Sabemos que lá existem grandes investimentos, mas o valor de mais de 4 milhões de dólares é realmente o maior já pago no tênis feminino. Não gosto de comparar com o masculino. Querendo ou não, os grand slams já têm a mesma premiação desde 2007. Essa discussão é eterna”, disse Dadá Vieira, ex-tenista profissional e atualmente comentarista do canal Bandsports. “Dou os parabéns para a WTA. Desde o começo do ano, a cada semana que passa temos alguém brigando para se tornar número um, ou seja, a cada torneio tudo pode mudar. Isso torna o circuito muito mais atrativo e competitivo”, completou.

Apesar da premiação, não significa que repentinamente o público ou os patrocinadores ficaram mais interessados em Simona Halep e Naomi Osaka do que em Roger Federer, Rafael Nadal ou Novak Djokovic. Não é esse o ponto e nem vou entrar nesse mérito. O ponto principal é que remunerar melhor as mulheres é reconhecer que elas também desempenham um papel fundamental no esporte que elas praticam. Quantas meninas jogam futebol por causa da Marta? Quantas jogam tênis por causa da Serena Williams, ou basquete por causa de Hortência e de Paula, e por aí vai…

Falando nela, Serena é a primeira de uma lista das dez atletas mais bem pagas do mundo. Dessas dez, oito são tenistas.

Esse número não é à toa. Essa persistência pela igualdade de visibilidade e premiação vem desde a década de 70, liderada pela ex-tenista Billie-Jean King, que foi a grande responsável pelas reivindicações. O pontapé inicial aconteceu em 1973. Na época, o US OPEN foi o primeiro grand slam a remunerar igual. Os outros três principais torneios do circuito demoraram pra seguir o mesmo caminho, até que, em 2001, o Australian Open se rendeu; em 2006 foi a vez de Roland Garros e, por ultimo, em 2007, Wimbledon.

“Que belo trabalho fez a Billie-Jean King lá trás, e agora o tênis feminino vem colhendo os frutos de uma batalha gigante que começou há muito tempo. Fico feliz por saber que, além de ter ganhado essa batalha, o tênis é o esporte mais bem pago entre as mulheres”, afirmou Dadá.

Ponto para o tênis. Ponto para as mulheres.

E viva a bolinha amarela.

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