Gabriela Brino: Sampaoli vai muito além de “três zagueiros”, mas talvez você não saiba disso

Técnico do Santos voltou a utilizar Luan Peres, zagueiro de origem, pela lateral, mas novamente parte da imprensa e dos torcedores não entenderam a intenção do argentino. E esse é o grande problema

Gabriela Brino
Colaborador do Torcedores

Crédito: Crédito: Ivan Storti

28 de novembro, 62 jogos de Jorge Sampaoli no Santos, mas 60 deles com escalações diferentes no ano. O argentino chegou à Baixada Santista para testar, desarrumar e arriscar um elenco antes visto como frágil, mas que ocupa a segunda colocação na tabela do Campeonato Brasileiro, com 68 pontos.

Mesmo com tantos dados, o grande assunto da última quinta-feira foi: “Lá vai ele insistir com três zagueiros”. Na prática, porém, o técnico escalou um zagueiro como lateral defensivo. Dessa vez, Luan Peres, mas outras tantas foi Lucas Veríssimo. Sampaoli usa da variação tática para conter as transições defensivas de um time que ataca muito. Muito. E não como uma opção para ser mais defensivo, até porque em muitos jogos foi possível ver o Peixe buscando o gol tendo a vitória na mão.

Boa parte da torcida santista ainda não entendeu Sampaoli. E isso não é somente culpa dela, mas também da análise rasa da imprensa sem o acompanhamento suficiente do Peixe. O bom exemplo está na coletiva do argentino depois da derrota no Castelão. Sempre sereno e educado, o treinador perdeu a paciência e respondeu de forma ríspida ao jornalistas.

“Expliquei mil milhões de vezes. Penso em ganhar cada jogo. Hoje se escapou resultado em cenário difícil, perdemos sem merecer. Parecia jogo do século passado, murcharam bolas. Uma vergonha. É como atrasar o jogo em 50 ou 100 anos”, disse em coletiva após o jogo contra o Fortaleza.

Palmeiras, 2020, boa fase do Flamengo e Jorge Jesus foram os principais assuntos, sendo que Sampaoli não teve um dos seus principais atacantes, Marinho, suspenso, e Derlis González, que atuou por um minuto contra o Avaí, e antes disso somente na 27ª rodada, retornou ao time (…) a imprensa, além de conhecer pouco o Santos, não se atentou a detalhes básicos.

Mas voltando aos detalhes táticos, Sampaoli não tem receio algum com suas decisões. O menor. Inclusive já testou Pituca, Luan Peres e Lucas Veríssimo na lateral, Jorge adiantado e pela esquerda, Victor Ferraz por dentro, Alison pelo meio de zagueiro, Sánchez por dentro e por fora, Sasha na ponta e como falso 9… A ousadia do argentino trouxe ao Santos um modelo único que fluiu como não víamos há muito tempo.

Um Santos dinâmico, ofensivo, sólido, que colocou um elenco inteiro à disposição por conta do imprevisível. O jogador tem a obrigação de estar preparado para ser opção. E justamente por essas 60 escalações diferentes na temporada.

Além da parte tática, Sampaoli também observa o adversário e usa de alguns artifícios para desconcertá-lo. Carlos Sánchez, obviamente conhecido por sua técnica pelo meio, algumas vezes usa da movimentação para trocar de lugar com Marinho e confundir a marcação. Evandro é utilizado para formar linha de cinco quando o time está com a bola, por exemplo (veja o vídeo abaixo)

O fato é que o argentino ainda é muito incompreendido, talvez por querer surpreender e fazer diferente ou por ousar a cada jogo. Independentemente disso, uma coisa não dá para negar: Sampaoli vai MUITO além de “de novo três zagueiros?”

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