Ultramaratonista deficiente visual dá exemplo de superação na corrida

Esportista gaúcho, Vladmi Virgílio dos Santos, busca novo recorde no torneio Extremo Sul Ultramarathon, na próxima semana

Bárbara Ribeiro
Colaborador do Torcedores

Crédito: Nicolas Castro /Divulgação

Nem sempre é um pódio que determina um campeão. Aos 48 anos, Vladmi Virgílio dos Santos, sabe muito bem sobre isso. Desde pequeno, a corrida sempre fez parte da vida do ultramaratonista. Aos sete anos ele participava de corridas de 1500 metros até 14 km por lazer. Aos 16 anos ingressou na carreira militar na Marinha do Brasil e fez parte de grupos de atletismo. Aos 34 anos perdeu a visão e encontrou na corrida forças para seguir em frente.

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O processo da perda de sua visão ocorreu devido a uma doença macular incurável e as ultramaratonas entraram na sua vida como um complemento ainda mais desafiador.

“Na solidão da praia eu me encontro. Eu sinto uma espiritualidade tão forte, como se nada pudesse me atingir. E mesmo que eu esteja sozinho, nas minhas mãos estão três alianças que representam minha esposa e minhas filhas. No meu corpo está gravado um rosário e durante toda a prova o vento está comigo. Ele sussurra ao meu ouvido, ele me traz um cheiro diferente. O mar se torna tua referência, mas o vento te dá a direção para continuar”, contou.

Conhecido em todo o mundo, o atleta natural de Rio Grande (RS), quebrou o recorde mundial em 2016, no torneio Extremo Sul Ultramarathon, ao correr sem guia o percurso de 69 quilômetros. Além disso, já percorreu os desertos de Atacama (Chile), do Saara (África), de Gobi (Ásia) e da Antártida.

“A corrida me mantém vivo, mantém a minha identidade, mantém minha autoestima. Eu sou movido a desafios e acredito que o céu é o limite”, declarou.

Este ano, o paratleta e ultramaratonista gaúcho, retorna à competição em busca de um novo recorde. Ele pretende percorre sozinho e sem guia os 226 quilômetros da prova, na travessia da maior praia do mundo. A Extremo Sul Ultramarathon acontece na próxima semana, de 14 a 16 de novembro. A competição é prestigiada por competidores de todas as partes do Brasil e do mundo, e conta com cerca mais de 200 participantes durante todas as suas edições.

“Na Extremo Sul, além de buscar ultrapassar o meu recorde quero atingir um desafio pessoal:  a paz de estar em paz, de viver o momento como se fosse único”, completou o paratleta que tem treinado, diariamente, 43 quilômetros. “Não adianta ter o melhor condicionamento físico, pois a tua mente pode te retirar da prova. É importante tu aprender a lidar com ela, focar e meditar”, enfatizou.

Esta é a 4ª edição da Extremo Sul Ultramarathon. Vladmi Virgílio dos Santos e os outros competidores sairão de Barra do Chuí (RS), localizada no município gaúcho que faz fronteira com o Uruguai. Logo depois, vão cruzar a Praia do Hermenegildo, situada na cidade de Santa Vitória do Palmar (RS). Até o destino final, a Praia do Cassino, cidade natal do atleta, que está situada no município mais antigo do estado do Rio Grande do Sul, Rio Grande. Nas três edições anteriores, foi feito o trajeto inverso, saindo de Rio Grande e chegando ao Chuí.

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