Time de Ronaldo tenta levar zagueiro para Espanha. E isso tem muito a ver com “renascimento” de time de São Paulo

Gustavo Medina, 18, ainda está na base da Ferroviária e tem tratativas adiantadas com o Valladolid, time de Ronaldo na Espanha

Pedro Cipriano
Colaborador do Torcedores.com e amante dos esportes.

Crédito: Gustavo Medina, 18, negocia para trocar a Ferroviária pelo time de Ronaldo na Espanha

Quando era criança e ainda descobria a matemática, Gustavo Medina anunciou para a mãe e o padrasto que havia feito contas e chegado a uma projeção: ele pretendia jogar contra Lionel Messi na temporada em que o argentino do Barcelona tivesse 34 anos. O episódio pode parecer frugal – quantas crianças imaginam um futuro no esporte de alto nível, afinal? – mas diz muito sobre a personalidade do garoto brasileiro. O vaticínio estava errado, mas não por megalomania: hoje zagueiro da Ferroviária, Medina tem tratativas adiantadas com o Valladolid, time espanhol presidido pelo brasileiro Ronaldo Nazário. O confronto pode acontecer no próximo ano, quando Messi terá 33.

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Medina, 18, disputou duas edições da Copa São Paulo de juniores e integrou o time da Ferroviária no Campeonato Paulista sub-20 deste ano. A equipe de Araraquara foi eliminada na terceira fase. O defensor foi relacionado para apenas uma partida dos profissionais, em setembro, pela Copa Paulista.

A negociação entre Ferroviária e Valladolid abarca inicialmente um empréstimo até junho de 2020, com opção de compra após o término do período. A única pendência atualmente é um acerto financeiro entre os clubes – o estafe do jogador já chegou a um acordo com os espanhóis.

As referências de Medina como defensores são o francês Rafael Varane, do Real Madrid, e o brasileiro Thiago Silva, atualmente no Paris Saint-Germain. O novato se destaca, segundo pessoas que acompanharam seu desempenho, pela velocidade e pela capacidade de sair jogando.

Negociação ajuda a contar história de renascimento da Ferroviária

Independentemente do desfecho, a negociação entre Ferroviária e Valladolid é uma demonstração de mudança de status da equipe paulista. Medina seria o quarto jogador da base a deixar Araraquara nesta temporada e engrossaria uma lista que já tem Miqueias (Palmeiras), Richard (Corinthians) e Felipe Estrella (Roma). Jordan (Corinthians), Rafinha (Corinthians) e Murilo Coletti (Atlético-MG) também deixaram o time nos últimos meses.

A Ferroviária foi fundada em 1950 por funcionários da empresa Estrada de Ferro Araraquara (EFA), estreou na primeira divisão do Campeonato Paulista em 1956 e se consolidou como uma das mais tradicionais equipes do interior de São Paulo. Permaneceu na elite por 30 anos e foi rebaixada em 1996.

Em 2003, ano em que a equipe atravessava grave crise financeira, a diretoria constituiu a Ferroviária Futebol S/A, empresa fundada exclusivamente para gerenciar a equipe. A mudança de modelo atraiu mais investimento e propiciou uma retomada do clube, que voltou ao primeiro escalão estadual em 2015.

O modelo S/A atraiu investimentos, mostrou-se sustentável e alicerçou-se em duas vertentes: o futebol feminino e a formação de novos atletas. Esse formato atraiu em junho de 2018 o pentacampeão Roque Júnior, contratado para ser diretor de futebol da equipe.

Mais organizada e mais eficiente, a Ferroviária atraiu olhares externos. Segundo a rádio “CBN Araraquara”, um grupo liderado pelo empresário Giuliano Bertolucci negocia uma compra considerável de ações da equipe e vislumbra um plano para colocar o clube na segunda divisão do Campeonato Brasileiro em até cinco anos. A diretoria admite a existência das conversas, que ainda não estão fechadas.

Negociação com brasileiro também diz muito sobre o Valladolid

Em outro âmbito, o Valladolid também tem planos ousados. Desde que Ronaldo assumiu a presidência, o time espanhol trabalha com um projeto de estar na Liga dos Campeões da Uefa em até cinco anos. Para isso, a principal aposta do brasileiro é o garimpo de talentos. Com ele, a equipe já contratou dez olheiros e fala abertamente sobre a ideia de ser um revendedor de atletas.

O Valladolid trabalha atualmente com um orçamento de cerca de 30 milhões de euros (R$ 132 milhões), algo muito distante da realidade de equipes como Barcelona e Real Madrid.

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