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Único treinador negro da Série B fala sobre “racismo velado” no futebol brasileiro

Hemerson Maria, do Botafogo-SP, fala em entrevista à site sobre o preconceito “indireto” no Brasil: “Diziam, por exemplo, que eu não era técnico para aquele time”

Adriano Oliveira
Colaborador do Torcedores.com.

Crédito: Reprodução/ Facebook Botafogo-SP Futebol SA

“Um racismo velado”. Dessa forma o técnico Hemerson Maria, do Botafogo-SP, descreve o preconceito no futebol brasileiro em todas as divisões de competição. O comandante do time de Ribeirão Preto, no interior paulista, é o único treinador negro na Série B e, uma divisão acima, na elite do cenário nacional, apenas dois treinadores também são negros: Roger Machado, do Bahia, e Marcão, do Fluminense.

Em reportagem publicada pelo site “Estadão Esportes”, o profissional de 47 anos diz que nunca sofreu ofensas de maneira direta, mas sempre percebeu uma grande resistência em relação ao seu trabalho.

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“Nunca sofri ofensas raciais diretas, sempre foi uma coisa velada, mas sempre percebi uma grande resistência. Eu ouvi coisas que meus colegas não ouviam. Diziam, por exemplo, que eu não era técnico para aquele time”, conta Hemerson. E completa:

“Não é vitimização. É algo que todos sentem. Enquanto os outros matam um leão por dia, nós temos de matar dois leões e um urso por dia”.

Hemerson Maria é natural de Florianópolis, em Santa Catarina, e sua maior conquista foi o título da Série B do Campeonato Brasileiro de 2014 como técnico do Joinville. O comandante reconhece que foi muito bem recebido no clube catarinense, mas revela que houve bastante “desconfiança”.

Hemerson Maria comanda treinamento no Botafogo-SP (Reprodução/ Facebook Botafogo-SP Futebol SA)

Hemerson Maria comanda treinamento no Botafogo-SP (Reprodução/ Facebook Botafogo-SP Futebol SA)

“Eu fui muito bem recebido, mas foi uma batalha. Havia muita desconfiança. A torcida tinha resistência e a cobrança era maior. Além disso, existe uma rivalidade regional com as pessoas de Florianópolis, um preconceito entre capital e interior. Soma-se a isso o fato de ter trabalhado em dois rivais, o Figueirense e o Avaí. Eu sou negro, de Florianópolis e ainda trabalhei em dois rivais. Foi uma soma de fatores. Mas conquistei o respeito por causa dos resultados de campo”, explica o técnico do Botafogo-SP ao site.

O maior desafio para um treinador negro na Série B, segundo Hemerson Maria, é conseguir seu espaço e manter a regularidade para obter resultados e, assim, poder contar com novas oportunidades. Ele ainda exemplifica o por quê do racismo ser um problema estrutural no Brasil.

“Demoro para ser atendido quando vou trocar de carro na concessionária. Não vejo negros no colégio particular da minha filha, Hérika (…) A gente precisa continuar essa luta para ocupar o nosso espaço na sociedade”, sentencia Hemerson ao “Estadão Esportes”.

A duas rodadas do fim da Série B deste ano, o Botafogo de Ribeirão Preto está exatamente no meio da tabela, em décimo lugar com 48 pontos, 12 acima da zona de rebaixamento e 12 abaixo da faixa de acesso para a primeira divisão. No próximo sábado (23), o Pantera joga em casa diante do Cuiabá, às 17h00.

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