Abebe Bikila. O herói nacional etíope de pés descalços

Sem tênis, o etíope quebrou recordes e se tornou herói nacional

Eduardo Statuti
Estudante de jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei. No Torcedores desde 2019.

Crédito: Arquivo/YouTube

Filho de Wudinesh Beneberu e seu segundo marido, Bikila Demissie, Abebe Bikila nasceu no dia 7 de agosto de 1932. Coincidentemente, no mesmo dia, acontecia em Los Angeles, a maratona das Olimpíadas de 1932. O etíope foi criado em uma pequena comunidade chamada Jato, localizada em Debre Berhan, distrito de Shewa. Entretanto, devido a Guerra Ítalo-Etíope, sua família foi forçada a se mudar para uma pequena cidade chamada Gorro.

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Ao completar 17 anos, Bikila entrou na Guarda Imperial Etíope, de Hailé Selessié. Durante a década de 1950, o militar etíope fazia o trajeto de ida e volta, entre Sululta e Addis Ababa, que se distanciam por aproximadamente 20 quilômetros . Sendo assim, o treinador sueco Onni Niskanen, contratado pelo Império Etíope para treinar o exército, notou sua capacidade atlética. Assim, o treinador começou a preparar Abebe Bikila para a disputa de maratonas, e o etíope começou a se destacar nos campeonatos militares.

Nem todo herói veste capa…ou sapato

Após toda a preparação, Abebe Bikila foi enviado para as Olimpíadas de Roma em 1960. Naquela oportunidade, a patrocinadora do evento disponibilizava os tênis para os corredores. Entretanto, o etíope não se sentiu confortável com nenhum dos pares disponíveis. Sendo assim, Bikila resolveu realizar a prova de pés descalços, maneira como treinava. O corredor etíope era um dos favoritos na prova, junto a Berry Magee, Konstantin Vorobyov, Sergey Popov, e principalmente, o marroquino Ben Abdesselam. O treinador da delegação etíope de atletismo já havia alertado a Abebe sobre a qualidade do representante do Marrocos.

Enfim, no dia 10 de setembro, Bikila e mais 68 corredores entraram na disputa pelas medalhas. A prova aconteceu durante a noite, para que os atletas não sofressem tanto com o sol. Sendo assim, os corredores saíram do Monte Capitólio e percorreram as ruas de Roma, passando pelas ruínas do Coliseu e pela Via Apia. Ao chegar ao terço final do trajeto, o etíope encontrava-se no pelotão de frente, junto aos favoritos na prova. Entretanto, próximos aos 30 quilômetros de prova, ao passar pelo fragmento do Obelisco de Axum, Abebe deu seu sprint final. Assim, se distanciou do marroquino que estava junto a ele. Assim, Abebe Bikila disparou, e em meio aos soldados italianos que iluminavam as ruas, ultrapassou a linha de chegada e se tornou o primeiro africano a vencer uma maratona olímpica.

Determinação e heroísmo do recordista olímpico

Com o tempo de 2:15:16.2, o etíope finalizou a prova 25 segundos antes do marroquino Ben Abdesselam. Ademais, Abebe Bikila, quebrou o recorde mundial do soviético Popov na prova,  por oito décimos de segundo.  Assim que passou pela linha de chegada, o recém medalhista de ouro, continuou a se movimentar, dizendo que aguentaria mais uma prova de 10 ou 15 quilômetros. Quando foi questionado sobre o por quê correu a prova sem sapatos, Bikila afirmou: “Queria que o mundo reconhecesse que meu país, a Etiópia, sempre vence com determinação e heroísmo”.

O sucesso de Abebe Bikila, foi um marco da grandiosa história dos etíopes nas provas de longa distância. Por seus feitos, ele é considerado um herói nacional na Etiópia. Em 2002, foi inaugurado um estádio em Addis Ababa, em sua homenagem. O Estádio Abebe Bikila acomoda de 25 a 30 mil torcedores, e atualmente Dedebit FC costuma mandar seu jogos no local. Entretanto, espaço não é reservado apenas para o futebol, por se tratar de uma arena multiuso, onde ocorrem também, provas de atletismo.

Além disso, foi criado o dia do maratonista, 7 de agosto, em homenagem ao etíope. A data foi escolhida por ser o dia do nascimento do bi medalhista de ouro, e herói olímpico. Pois Abebe Bikila venceu também, a maratona das olimpíadas de Tóquio em 1964.

 

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