Conheça as armas do Al-Hilal, o adversário do Flamengo na semifinal do Mundial de Clubes da FIFA

Time dirigido por Razvan Lucescu é organizado, tem bons jogadores e pode complicar a vida do Fla; Al-Hilal derrotou o Esperánce de Tunis nas quartas de final da competição

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / FIFA Club World Cup

É bem verdade que uma boa parte da torcida do Flamengo está pensando numa possível decisão contra o Liverpool, relembrando o que aconteceu no dia 13 de dezembro de 1981. No entanto, antes de pensar na equipe inglesa, os comandados de Jorge Jesus precisam encarar o Al-Hilal nesta terça-feira (17), em jogo válido pela semifinal da Copa do Mundo de Clubes da FIFA. E o torcedor pode ter a certeza de que o Fla vai encontrar dificuldades sim. Não somente pelo que a equipe saudita mostrou na vitória magra contra o Esperánce de Tunis no último sábado (14), mas pelos exemplos recentes de times mais fortes que acabaram sucumbindo nessa fase da competição. Além disso, o Al-Hilal (comandado pelo romeno Razvan Lucescu) é organizado, tem jogadores de boa técnica e vai dificultar bastante a vida do Flamengo.

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Antes de mais nada, é preciso deixar bem claro que o Al-Hilal é uma equipe organizada e com uma proposta bem clara de jogo. E como era de se esperar, os principais jogadores do escrete treinado por Razvan Lucescu são os estrangeiros. Além do colombiano Cuellar (jogador bem conhecido do torcedor rubro-negro), o brasileiro Carlos Eduardo é o principal cérebro do Al-Hilal. Além de ser o responsável pela organização da equipe e da criação das jogadas, o meia (que veste a camisa 3) também pisa na área e finaliza a gol. No jogo contra o Esperánce, Carlos Eduardo teve duas bos chances de balançar as redes na primeira etapa, chegando a sofrer pênalti anulado por impedimento. E uma das grandes especialidades da equipe saudita é a bola enfiada no espaço entre os zagueiros. Os laterais Al-Burayk e Al-Shahrani abrem o campo, o peruano Carrillo incomoda bastante pela direita e Carlos Eduardo infiltra no espaço aberto pelos atacantes. É um time que sabe o que tem que fazer com a bola.

Carlos Eduardo, além de principal organizador de jogadas da equipe do Al-Hilal, também aparece na frente para finalizar. O time saudita sabe exatamente o que tem que fazer quando tem a bola. Foto: Reprodução / SporTV

O francês Bafétimbi Gomis é outro jogador do Al-Hilal que merece muita atenção do sistema defensivo do Flamengo. Não somente pelo porte físico, pela experiência (tem 34 anos de idade e passagens por Lyon, Olympique de Marseille e Galatasaray) e pela velocidade com a bola nos pés. Gomis é um atleta extremamente inteligente. Seu gol diante do Esperánce (o único da partida) é uma prova de que o Fla terá um adversário de respeito pela frente na próxima terça-feira (17). Momentos antes do passe sair da esquerda, o atacante francês indica o espaço vazio no meio-campo para o peruano Carillo. O camisa 19 apenas escorou a bola para Gomis, que deu um chapéu no adversário antes de chutar no canto direito do goleiro Ben Cherifa. Gol de quem sabe o que deve ser feito dentro de campo. Aliás, já que falamos no peruano, Carillo (assim como Gomis) já trabalhou com Jorge Jesus e explora bem o corredor pelo lado direito. Fica o alerta para Filipe Luís, Pablo Marí e de todo o sistema defensivo do Flamengo.

Gomis vê o buraco no meio-campo do Esperánce e alerta Carillo. O peruano se posiciona para receber o passe e apenas escora para o atacante francês marcar belo gol. Tanto um como o outro são jogadores de qualidade e que merecem atenção do Fla. Foto: Reprodução / SporTV

Por fim, além da bola enfiada entre os zagueiros, uma das jogadas mais perigosas do Al-Hilal é a bola longa. O time comandado por Razvan Lucescu não tem o menor pudor de usar o recurso quando enfrenta equipes que jogam com suas linhas defensivas mais adiantadas (exatamente como é o caso do Flamengo de Jorge Jesus). Carlos Eduardo, Gomis, Carillo e os meias Al-Dawsari e Khrbin são velozes e sabem se adaptar a esse tipo de jogo sem muitas dificuldades. E ainda vale lembrar que Razvan Lucescu não utilizou seu atleta mais habilidoso na partida contra o Esperánce, o italiano Sebastian Giovinco. De estatura baixa e muita habilidade, o jogador de 32 anos tem muita qualidade e deve ser titular ou pelo menos entrar no decorrer da partida da próxima terça-feira (17). Seja como for, é mais um nome que se junta aos já citados anteriormente. Assim como a grande maioria das equipes árabes, a qualidade do elenco está nos atletas estrangeiros. Mas isso não diminui nem um pouco o cuidado e a atenção que o Fla precisa ter diante do Al-Hilal.

Time do Al-Hilal fazendo a ligação direta buscando os atacantes às costas da linha defensiva. A bola longa é uma das principais armas da equipe saudita e um ponto que merece muita atenção do Flamengo e de Jorge Jesus. Foto: Reprodução / SporTV

Por outro lado, embora tenha vencido o Esperánce com 60% de posse de bola, a marcação alta do escrete tunisiano dificultou e muito a vida do Al-Hilal na primeira etapa. Vale lembrar que o goleiro Al-Muiaouf quase entregou a paçoca ao ser pressionado no primeiro tempo. A velocidade mais baixa do time de Razvan Lucescu e a linha defensiva composta por jogadores sem muita experiência também prejudica bastante as transições da equipe saudita. Outro ponto favorável ao Fla é a ausência do volante Mohamed Kanno, expulso no final da partida. Tem boa estatura, bom passe e boa visão de jogo. Além disso tudo, mesmo com mais posse de bola, o Al-Hilal trocou mais passes para o lado do que atacou o Esperánce, mantendo um nível de intensidade muito abaixo daquilo que o Flamengo fez no Brasileirão. A troca de passes para tentar cansar o adversário até funcionou no último sábado, mas o próprio Razvan Lucescu sabe que as coisas vão ficar muito mais complicadas na terça-feira (17).

O Al-Hilal está bem longe de ser uma “carne assada”, mas a semifinal da Copa do Mundo de Clubes da FIFA não será nada protocolar. Os exemplos de Internacional, Atlético-MG e River Plate (que caíram nessa fase da competição para equipe em tese muito mais fracas) está aí para mostrar que todo salto alto será castigado. O Flamengo é mais time? Sim. Mas precisa entrar em campo com a seriedade de sempre.

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