Allan Simon: Como 2019 mudou para sempre o jeito que você vê futebol

Novos contratos e chegada do streaming impactaram diretamente a vida de quem é fã de futebol

Allan Simon
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalha com esportes desde 2011 e já passou por veículos como R7 (Rede Record), Abril.com, UOL Esporte e Torcedores nas funções de redator, repórter, editor e apresentador de vídeos. Experiências de coberturas em duas Copas, duas Olimpíadas, dois Pans. Atualmente, produz o Blog do Allan Simon, é colunista de Mídia Esportiva do Torcedores e colaborador do UOL.

Crédito: Ilustração: Allan Simon

Uma viagem no tempo me levou de volta a um dos últimos textos que escrevi no Torcedores em 2018. Nele, nós apontamos como a vida do fã de futebol seria afetada pelas mudanças nos contratos de transmissão de alguns dos principais campeonatos do Brasil e do mundo.

Um ano depois, quando já estamos batendo na porta para entrar em 2020, é o momento de fazer um balanço sobre o que vivemos nesses 12 meses históricos para a mídia esportiva. O Brasileirão – algo que parecia impossível – teve jogos sem transmissão em nenhuma mídia. O Athletico Paranaense liderou as transmissões em TV aberta na competição. O Globoesporte.com mostrou quatro jogos com total exclusividade. E de graça.

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O Fox Sports ficou com a exclusividade de duas fases do Palmeiras na Libertadores, obrigando a Globo a transmitir duelos do Flamengo para São Paulo, em um movimento que depois contou até com transmissões da Copa do Brasil sem times paulistas para o público de SP. E o resultado de tudo isso foi surpreendente.

A Turner teve ótimos números de audiência com o Campeonato Brasileiro. Em 2020, terá um time a mais na Série A, já que nenhum de seus contratados caiu, mas o Coritiba subiu. Com isso, passará de 42 para 56 jogos.

O Facebook nos obrigou a ver a maior competição de clubes da América do Sul pela internet, alcançou 1 milhão de pessoas simultaneamente em um jogo do time rubro-negro. A experiência teve falhas para muitos usuários e ainda precisa ser melhorada. Transmitir futebol requer mais que a compra de direitos de transmissão. É preciso entregar uma plataforma que seja bem utilizável pelo público.

O DAZN fez parceria com a RedeTV! para alavancar suas assinaturas, colocou um jogo de mata-mata do Corinthians na emissora ao mesmo tempo em que a Globo transmitia o maior rival, Palmeiras, pelo Campeonato Paulista, fazendo com que o canal paulista atingisse números históricos no Ibope na década. Depois, pegou a exclusividade sobre as partidas do Timão na Copa Sul-Americana até a semifinal.

E, para completar o ano, após aumentar seu portfólio com competições como Premier League, FA Cup, Libertadores Feminina, Paulistão Sub-20, e ainda anunciar o Campeonato Paranaense 2020, o DAZN ainda diminuiu a mensalidade de R$ 37,90 para R$ 19,90.

O SporTV, com apenas 156 jogos disponíveis para escolher 76 no Brasileirão, optou por mostrar 60 ao todo. Além da diminuição, o canal acabou ficando com uma parte mais fraca da competição. Três dos quatro rebaixados lideraram o ranking de transmissões durante as 38 rodadas.

Além disso, o novo contrato da Libertadores, no qual o canal da Globosat tem o pacote secundário de TV paga, deixou a emissora fora da final única que rendeu ao Flamengo o título de campeão continental em 2019. No Brasileirão, também vencido pelo Rubro-Negro, apenas um jogo da campanha vencedora apareceu na tela do SporTV – fechado para o Rio de Janeiro, na penúltima rodada, com o título já conquistado.

A propagada fusão entre ESPN e Fox Sports deu lugar, logo no começo de 2019, ao tema “venda do Fox Sports”. Os canais Disney passaram a controlar todos os outros do portfólio da Fox, menos o esportivo, que ficou reservado para ser vendido de “portas fechadas”, ou seja, em um pacote com estrutura física, funcionários e direitos de transmissão. Não deu certo. 2020 começa tão cheio de dúvidas sobre isso quanto tinha sido o ano que agora termina. Já até se comenta de novo a possibilidade da tal fusão que havia sido descartada.

Se até 2018 bastava ter uma televisão com Globo, SporTV, Esporte Interativo, ESPN e Fox Sports para ver o que de mais importante acontece no futebol, 2019 veio para mudar para sempre o jeito como você vê o seu esporte preferido. O mundo do streaming já é realidade. Os clubes – alguns deles – descobriram o poder que possuem ao sair do mesmo. Jogos da Libertadores 2020 já estão previamente programados para o Facebook – e isso pode incluir até um Grenal, além de uma rodada dupla com Corinthians e Flamengo. Um Palmeiras x Corinthians pode acontecer na mesma competição com exclusividade do Fox Sports.

O Paulistão já tem sua tabela toda desmembrada e ainda nem é 2020. Já sabemos que a Globo novamente vai demorar até fevereiro para exibir jogos no meio de semana. E que o Palmeiras será líder em transmissões na primeira fase do estadual. No ano que vem, mais do que nunca, você vai precisar pesquisar bastante para saber em qual canal/serviço de streaming estará o próximo jogo do seu time.

Aproveito para fazer um agradecimento a todos e todas que acompanharam esta coluna e todo o meu trabalho em 2019 aqui no Torcedores e no meu blog. Juntos, vamos seguir analisando, aprendendo e entendendo os novos funcionamentos dessa engrenagem maluca que virou o tema “direitos de transmissão” no futebol brasileiro. Feliz 2020!

Allan Simon é jornalista esportivo desde 2011, tendo passado por redações como o R7, Abril.com, UOL Esporte e Torcedores. Participou das coberturas de duas Copas do Mundo, duas Olimpíadas, dois Pans, e diversos outros momentos históricos do esporte brasileiro nesta década. Criador do Prêmio Torcedores de Mídia Esportiva. Atualmente comanda o Blog do Allan Simon, é colaborador do UOL e colunista do Torcedores. 

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