Allan Simon: Por que a TNT agora é Ceará “desde criancinha” no Brasileirão

Canal da Turner pode aumentar total de jogos transmitidos no Brasileirão 2020 em relação a 2019

Allan Simon
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalha com esportes desde 2011 e já passou por veículos como R7 (Rede Record), Abril.com, UOL Esporte e Torcedores nas funções de redator, repórter, editor e apresentador de vídeos. Experiências de coberturas em duas Copas, duas Olimpíadas, dois Pans. Atualmente, produz o Blog do Allan Simon, é colunista de Mídia Esportiva do Torcedores e colaborador do UOL.

Crédito: Brasileirão: SporTV x TNT - Arte sobre foto de Lucas Figueiredo/CBF

A TNT tem a chance de aumentar de 42 para 56 jogos o seu pacote de transmissões no Brasileirão em 2020. Isso foi confirmado no último fim de semana, quando o Coritiba conquistou oficialmente o acesso à Série A no ano que vem. O Coxa é um dos clubes que assinaram contrato com a Turner quando ainda existiam os canais Esporte Interativo e, por isso, se soma ao portfólio da concorrente da Globo na TV por assinatura na próxima temporada.

Mas essa chance ainda está pendente: falta a confirmação também da permanência do Ceará na elite do futebol brasileiro. Após o empate sofrido no final do jogo em casa contra o Athletico Paranaense, mesmo jogando com um a mais em campo, o Vozão ficou em situação complicada e precisa secar o Cruzeiro no duelo diante do Vasco, hoje (2), para não entrar na zona do rebaixamento a duas rodadas do final.

Se o Ceará ficar na Série A, o número de clubes com contrato com a Turner subirá de sete para oito. Avaí e Chapecoense, já matematicamente “despromovidos” (como dizem em Portugal), são times do pacote do SporTV na TV por assinatura. O mesmo se aplica ao CSA, que respira por aparelhos e também deve cair, e ao Cruzeiro, principal adversário do time cearense na luta pela permanência.

Como a lei brasileira manda, os canais só podem exibir jogos que coloquem frente a frente dois times com os quais eles possuam contrato. Ou seja, a TNT só conseguiu transmitir este ano os 42 duelos diretos envolvendo Santos, Palmeiras, Athletico, Internacional, Fortaleza, Bahia e Ceará. Sem cair ninguém, a chegada do Coritiba acrescenta a esse bolo os jogos do time paranaense contra cada um dos sete clubes que teriam ficado. Como se enfrentam em dois turnos, seriam, portanto, mais 14 partidas.

Há a possibilidade de o Ceará garantir a vaga na Série A até com antecedência, mas, para isso, o Cruzeiro precisaria perder para o Vasco em São Januário na noite de hoje. Depois disso, com a diferença entre os dois times na casa dos dois pontos, o rebaixamento da Raposa poderia acontecer no meio de semana, quando o time mineiro encara o Grêmio em Porto Alegre. Em caso de derrota cruzeirense, um empate do Vozão contra o Corinthians em casa, na noite anterior, terá sido o bastante para selar a queda inédita do time celeste, que não mais alcançaria os cearenses no número de vitórias.

Caso não seja possível a permanência do Ceará no Brasileirão 2020, a TNT poderia entrar mais firme nas negociações com o (Red Bull) Bragantino, campeão da Série B deste ano, clube que ainda não assinou contrato com nenhuma emissora para os jogos da elite. Mas, atualmente, é uma opção improvável. Além de a Turner ter reduzido investimentos e não ter fechado com mais nenhum clube desde o fechamento dos canais Esporte Interativo na TV, o SporTV aparece nos bastidores como caminho mais provável para o time de Bragança.

Em um cenário difícil de imaginar, mas que contemplasse ao mesmo tempo o time cearense ficando na Série A e um acordo simultâneo da TNT com o Bragantino, o total de jogos da Turner com nove clubes na Série A chegaria aos 72, quase garantindo uma média de dois por rodada, além de “confinar” o universo de escolhas do SporTV a 110 partidas, deixando outras 198 possíveis apenas para exibição em TV aberta e PPV.

Allan Simon é jornalista esportivo desde 2011, tendo passado por redações como o R7, Abril.com, UOL Esporte e Torcedores. Participou das coberturas de duas Copas do Mundo, duas Olimpíadas, dois Pans, e diversos outros momentos históricos do esporte brasileiro nesta década. Criador do Prêmio Torcedores de Mídia Esportiva. Atualmente comanda o Blog do Allan Simon, é colaborador do UOL e colunista do Torcedores. 

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