Presidente do Athletico-PR vê Flamengo favorecido pela Globo e ataca: “Com tanto apoio, como teve tão poucas conquistas ao longo das décadas?”

Mário Celso Petraglia disse que o sistema só tem interesse em desenvolver ‘um ou dois clubes como se eles representassem todo o país’. O dirigente ainda alfinetou o Flamengo

Danielle Barbosa
Colaboradora do Torcedores.com.

Crédito: Arte/Torcedores.com

O presidente do Conselho Administrativo do Athletico Paranaense, Mário Celso Petraglia, atacou a Rede Globo e o Flamengo através de um artigo publicado no jornal “Folha de S.Paulo”, neste sábado (14). Com o título de “Favorecimento”, o homem forte do time do Paraná, atual campeão da Copa do Brasil, não poupou críticas a emissora e questionou a falta de mais títulos importantes para o rubro-negro carioca nos últimos anos, apesar do apoio que recebe da TV.

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“Uma vez favorecido, sempre favorecido. Todo monopólio parte do princípio de que não é aberta a outros a participação no grupo daqueles que controlam um sistema e determinam as regras que o operam. Toda iniciativa para mudar qualquer ordem nessa dinâmica tende a ser frustrada, pois o teto de cada um é preestabelecido pelos próprios organizadores desse sistema”, disse Petraglia.

Vale lembrar que nesta temporada o clube não fechou acordo com o Grupo Globo para a transmissão do Campeonato Brasileiro no pay-per-view e foi o clube da Série A com mais jogos exibidos na TV aberta em 2019. “Nós, do Athletico Paranaense, estamos há mais de 20 anos dizendo que não [ao modelo de divisão de cotas de TV]”, destacou o dirigente.

“Mas parece que ainda vivemos no Brasil que liga a TV para ver um só canal, com uma só linguagem e abordagem. É algo que permanece há mais de meio século – e os mais favorecidos dizem que ‘tem que manter isso aí’, agindo pesado contra qualquer mudança”, acrescentou.

“O sistema não tem interesse em desenvolver o futebol brasileiro, mas em desenvolver um ou dois clubes como se eles representassem todo o país”, criticou Petraglia. “Criou-se uma narrativa de que toda audiência nacional se interessa e quer ver o Flamengo. Uma euforia fomentada por matérias em clima de mobilização, de que há algo muito importante acontecendo quando o time da ponta da pirâmide joga.”

O cartola paranaense ainda aproveitou para alfinetar o Flamengo, que apesar dos título do Campeonato Brasileiro e da Copa Libertadores, ambos conquistados neste ano, o clube rubro-negro viveu um longo período de jejum de títulos importantes. “Como um time com tanto apoio teve tão poucas conquistas, ao longo das décadas, em proporção às suas possibilidades? Os títulos e o domínio técnico à altura do seu favorecimento só vieram quase 40 depois do primeiro campeonato de expressão…”

“Nada foi construído para que os mais organizados alcançassem os resultados, mas para que ‘os escolhidos’ possam ser beneficiados de várias formas até que confirmem finalmente sua força. É a típica meritocracia à brasileira”, disparou.

“Fica clara a necessidade de redistribuição dos valores, mais em linha com o cenário esportivo e tecnológico atuais. Fica gritante a urgência de mudança na legislação que permita o aporte de capital internacional nos clubes, como é há tempos nos maiores centros do futebol, e fazer com que os melhores atletas do mundo joguem em uma liga forte aqui no Brasil”, completou.

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