Confira como Odair Hellmann pensa o jogo e o que ele pode fazer no comando do Fluminense

Novo técnico do Tricolor das Laranjeiras tem experiência na base e fez bom trabalho no Internacional; marcação forte e velocidade são algumas das características das equipes de Odair Hellmann

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Ricardo Duarte / SC Internacional

Depois de Fernando Diniz, Oswaldo de Oliveira e Marcão, a diretoria do Fluminense acertou com Odair Hellmann para ser o treinador da equipe principal na próxima temporada. Esteve no comando do Internacional por 20 meses e se tornou o segundo treinador mais longevo do clube gaúcho desde Rubens Minelli em meados dos anos 1970. E a missão do jovem profissional é bem clara: reconstruir a equipe das Laranjeiras e tornar o time competitivo nas competições que terá pela frente (Campeonato Carioca, Copa do Brasil, Copa Sul-Americana e Campeonato Brasileiro). E isso sem menionar os problemas financeiros bem conhecidos no Fluminense. Odair Hellmann pode não ter o perfil que a torcida desejava, mas tem plenas condições de realizar um bom trabalho no Tricolor das Laranjeiras.

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Odair Hellmann assumiu o comando do Internacional no final da Série B de 2017, quando substituiu Guto Ferreira e conseguiu bons resultados na reta final da competição. Na temporada seguinte, levou o Colorado à terceira posição do Brasileirão comandando um time baseado na forte marcação por encaixes e na saída em alta velocidade para o ataque. O Internacional montado por Odair Hellmann impressionava pela disciplina tática e pela disposição em campo. O esquema utilizado em toda a sua passagem era o 4-1-4-1 com Patrick e Edenilson participando demais dos contra-ataques e pisando na área adversária com bastante frequência. Todo o time atacava o espaço e recuava quando não tinha a bola para diminuir os espaços nas zonas de criação. Com jogadores de explosão e velocidade, esse Internacional chegou a liderar o Brasileirão em 2018 e emplacou cinco vitórias seguidas.

Paolo Guerrero e Rodrigo Lindoso chegaram e Odair Hellmann manteve o estilo de jogo mais reativo no Internacional na temporada de 2019. O grande problema dessa equipe estava na criação. Só havia um atleta no elenco colorado com capacidade de organização e cadenciar o jogo: o argentino D’Alessandro. O peso da idade, as lesões e os cartões amarelos não permitiram que o veterano jogasse a maioria das partidas e o Inter sentiu isso. Ao mesmo tempo, os maiores críticos do trabalho de Odair Hellmann afirmavam que sua equipe mudava de estilo quando jogava fora do Beira-Rio. A equipe costumava sofrer demais e chegava pouco ao gol adversário, mas não deixava de incomodar. A atuação do Internacional no primeiro tempo da partida contra o Flamengo no Maracanã pelas oitavas da Libertadores é um exemplo disso. Mesmo assim, a sequência ruim no Brasileirão e a derrota na final da Copa do Brasil foram determinantes para a saída de Odair Hellmann.

Internacional armado no 4-1-4-1 em bloco baixo e saindo em alta velocidade para o ataque. A falta de um jogador de criação e as dificuldades na hora de propôr o jogo foram alguns dos principais problemas do time comandado por Odair Hellmann. Foto: Reprodução / TV Globo

É preciso dizer que Odair Hellmann fez sim um bom trabalho no comando do Internacional apesar dos problemas citados no parágrafo acima e do abalo psicológico após a decisão da Copa do Brasil. Ao todo foram 116 jogos, com 61 vitórias, 27 empates e 28 derrotas com 60% de aproveitamento. Ótimos números para um jovem treinador que assumiu uma grande equipe que ainda está se reconstruindo após o baque do rebaixamento para a Série B em 2016. Não é exatamente o caso do Fluminense, mas a lógica da reconstrução é a mesma. Odair Hellmann vai precisar de tempo para implementar seus conceitos numa equipe que estava muito mais acostumada a propor o jogo com Fernando Diniz e sofria demais com os problemas defensivos. A tendência é que o Flu passe a se estruturar em 2020 com a ajuda da base de Xerém já que jogadores importantes como Yony González e Danielzinho já deram adeus ao clube e outros ainda podem sair.

Odair Hellmann tem identificação com o clube e tem sim condições de fazer um bom trabalho. A ideia de bloco baixo, forte marcação e saída rápida em velocidade, embora seja interessante para encarar equipes mais fortes na temporada, pode esbarrar nas características do elenco tricolor. Como dissemos anteriormente, a base pode ser uma saída até para que Odair Hellamnn encontre esses jogadores de força e disposição para fazer o que Edenílson, Patrick, William Pottker e Nico López faziam no Internacional. Por outro lado, caso a diretoria consiga manter Allan, Marcos Paulo e Caio Henrique no elenco, o treinador terá algo que não teve em Porto Alegre: jogadores criativos e que gostam de jogar com a bola no pé. Adaptações ainda serão necessárias, mas Odair Hellmann já terá meio caminho andado para corrigir alguns dos principais problemas das suas equipes. Mesmo assim, o Fluminense ainda precisa de reforços se quiser fazer um 2020 sem sustos.

Assim como o Internacional, o Fluminense também deve passar por um período de reconstrução dentro e fora de campo com o saneamento das dívidas do clube e a montagem de um time que consiga ir bem nas competições da próxima temporada. E Odair Hellmann pode ser o nome certo na hora certa para mesclar experiência e juventude no Tricolor das Laranjeiras e finalmente saciar a sede de títulos da sua fanática torcida. A conferir.

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