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Ex-jogadora Ana Paula comenta inclusão de atletas trans no esporte: “A vida tem limites”

Medalhista olímpica em Atlanta 1996 analisa tema em participação no programa “Grande Círculo”, de Milton Leite, no SporTV

Patrick Monteiro
Repórter do Torcedores com passagens por: jornal O Fluminense (Niterói/RJ) e diário Lance. Comentarista e narrador na extinta Rádio Fluminense AM 540, onde apresentou os programas "Futebol Internacional" e "Jornada Esportiva". Ex-colunista do site Chelsea Brasil. Cobriu, in loco, a Copa do Mundo FIFA 2014, incluindo a grande final (Alemanha x Argentina), entre outros eventos, como Rio Open de tênis, Copa Brasil de Vela e Conmebol Libertadores.

Crédito: Reprodução/SporTV

A presença de atletas transexuais no esporte de alto rendimento é um tema que divide opiniões entre atletas e comentaristas. Entrevistada na edição do último sábado (28) do programa “Grande Círculo”, do SporTV, Ana Paula Henkel foi firme ao opinar sobre o assunto. A ex-jogadora de vôlei entende que a participação destes profissionais deve ocorrer em outras funções das modalidades.

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“O ponto perigoso é que essa inclusão, por mais floreada que coloque nessa palavra, no esporte essa inclusão significa exclusão de mulheres. Incluir atleta trans no esporte feminino, que para o esporte são homens biológicos? A vida tem limites. Eu acho que não existe campo mais inclusivo que o esporte. Não olha raça, posição política, religião, nem nada disso… Esporte é baseado em homens, em mulheres e países competindo entre si. Em momento algum, atletas trans estão sendo excluídas do ambiente esportivo. São muito bem vindas como técnicas, psicólogas, estatísticas…”, comentou a medalhista de bronze na Olimpíada de Atlanta 1996.

Ana fez questão de explicar que rejeita preconceitos e que seu pensamento é apenas no sentido desportivo. Ela também não deseja o fim dos debates relacionados à inclusão de transsexuais nas modalidades.

“A decisão das pessoas socialmente tem que ser respeitada, muito respeitada, é questão sine qua non (indispensável)… Tem que respeitar e pronto. Você impor direitos em cima das suas decisões é esticar a corda além da conta…. Não estamos pedindo para que a discussão seja abandonada, estamos pedindo para que o esporte seja respeitado como ele é… Essa inclusão de trans está excluindo mulheres”, detalhou a ex-jogadora, que espera a continuidade dos estudos relacionados ao tema.

“Não podemos entrar no espiral do silêncio. Esse que é o problema. Achando que o debate vai cair no preconceito, não vai. Tem que ter maturidade suficiente. Em momento algum a gente falou exclui para sempre. Vamos colocar a bola no chão e vamos continuar pesquisas paralelas a longo prazo para que alguma coisa seja feita de concreto e que não machuque tanto as mulheres”, frisou.

O assunto debatido cresceu no fim de 2017. Na época, a oposta Tiffany se destacou nos jogos da Superliga feminina de vôlei, pelo Bauru. Ele permanece na equipe para a jornada desta temporada.

Carreira

Foram quatro jogos olímpicos na trajetória de Ana Paula no voleibol: dois na quadra e outros dois na praia. Currículo que a colocou na prateleira das melhores jogadoras da história do Brasil. Ela também ganhou destaque nos últimos anos pelas redes sociais, ao tecer comentários políticos. Atualmente, mora nos Estados Unidos.

Grande Círculo

O programa apresentado pelo narrador Milton Leite teve as participações dos repórteres Alexandre Oliveira, Gabriela Moreira e Joanna de Assis, do ex-jogador de vôlei e atual comentarista Nalbert, da editora Cida Santos e de outro narrador: Cleber Machado, da Rede Globo.

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