Liverpool se impõe diante do Monterrey, mas equipe mexicana mostra caminhos possíveis para o Flamengo; entenda

Time de Jürgen Klopp vence a equipe mexicana por 2 a 1 com gols de Keita e Firmino; final acontece no próximo sábado (21), às 14h30, no Khalifa International Stadium

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Twitter / Liverpool FC

Este que escreve chamou a atenção para o problema se menosprezar o futebol de equipes que não fazem parte da América do Sul e da Europa. Não que o Liverpool tenha entrado em campo achando que não teria problemas diante do Monterrey nesta quarta-feira (18). Muito pelo contrário. Mesmo com a estratégia mais arriscada de Jürgen Klopp (que poupou varios titulares e ainda teve que lidar com o desfalque de última hora de Van Dijk), os Reds impuseram seu jogo quando no final da partida e se garantiram na decisão do Mundial Interclubes da FIFA contra o Flamengo. O Monterrey foi valente, usou bem a velocidade dos seus atacantes e fez Alisson trabalhar mais do que o esperado. E o melhor: mostrou alguns caminhos que podem ser explorados pelo time de Jorge Jesus no próximo sábado (21). É sim um compromisso muito difícil para o Fla. Mas o futebol já nos brindou com tantas surpresas que não é difícil pensar num triunfo rubro-negro.

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O primeiro gol do Liverpool (marcado pelo guineense Keita aos 11 minutos de partida) é um bom exemplo de como a equipe de Jürgen Klopp destrói as linhas de seu adversário. Mohamed Salah recebeu a bola na direita e chamou a atenção do zagueiro Nico Sánchez. Este deixa seu posicionamento na defesa do Monterrey e sai no encalço do egípcio e deixa espaços às suas costas. Ao mesmo tempo, o volante Pizarro também sai na marcação do camisa 11 e não percebe que Keita partia livre às suas costas, saindo da esquerda para dentro. O passe para o volante do Liverpool sair na cara do goleiro Barovero sai exatamente no lugar onde estava Nico Sánchez. Mesmo sem ter Mané e Firmino logo de início, os Reds mostraram sabem como desmontar defesas na base da movimentação inteligente e da intensidade nas suas transições. Se Origi, Oxlade-Chamberlein e Shaqiri nao acompanhavam o raciocínio de Salah em determinados momentos, Keita mostrou muita qualidade na marcação e nas chegadas ao ataque.

Salah recebe na direita, puxa a marcação do Monterrey e espera o momento certo de fazer o passe para Keita exatamente onde estaria Nico Sánchez. O time do Liverpool joga em alta intensidade e sabe exatamente como explorar espaços. Foto: Reprodução / SporTV

Mas o Monterrey deu muito trabalho ao Liverpool. Tanto que empatou o jogo com Funes Mori aproveitando rebote de Alisson (e um apagão da defesa dos Reds) praticamente no lance seguinte ao gol de Keita. E foi na base da dedicação e da vontade que o time comandado por Antonio Mohamed fez a defesa do Liverpool trabalhar. Principalmente o goleiro Alisson. Tudo por conta do 4-1-4-1 bem fechado que montou com saídas rápidas pelos lados do campo (com Pabón e Gallardo) e com o já citado Funes Mori dando trabalho à zaga formada por Joe Gomez e Henderson, volante improvisado na zaga após o desfalque de última hora de Virgil Van Dijk. Milner (outro que jogou improvisado) tinha muito trabalho para fechar o lado direito da defesa do Liverpool e Lallana demorou para se achar na função de primeiro volante no time de Jürgen Klopp. Ao mesmo tempo, o Monterrey foi se animando e partindo para o ataque. E assim como seu adversário, o time mexicano também explorou os espaços na última linha na base da velocidade.

O Monterrey também tentou impôr seu jogo e fez o brasileiro Alisson trabalhar bastante na partida. Funes Mori, Pabón e Gallardo exploraram bem os lados do campo e os espaços na linha defensiva dos Reds. Foto: Reprodução / SporTV

Era praticamente impossível que o Monterrey mantivesse a boa marcação e as saídas em alta velocidade por muito tempo. Tanto que o time comandado por Antonio Mohamed sentiu o cansaço a partir da segunda metade dos 45 minutos finais. Jürgen Klopp, por sua vez, mandou a campo Alexander-Arnold, Sadio Mané e Roberto Firmino, numa formação bem próxima do time titular do Liverpool. Bastou que a equipe inglesa forçasse um pouco para que o gol saísse. Oxlade-Chamberlein laçou Salah pela direita, passou por dois marcados e deixou a bola para Alexander-Arnold cruzar e encontrar “Bob” Firmino chegar e na pequena área apenas deslocar Barovero. Toda o início da jogada mostrou o Liverpool jogando numa intensidade bem próxima da que eu e você conhecemos e no 4-3-3 costumeiro de Jürgen Klopp. Vale destacar aqui a movimentação de Firmino que aparece na intermediária como se fosse um “camisa 10” e abre espaços para as entradas de Sadio e Salah em diagonal e das subidas dos laterais Robertson e Alexander-Arnold ao ataque.

Disposição do time do Liverpool momentos antes de Firmino marcar o gol da vitória dos Reds. Os jogadores se movimentam a partir do já conhecido 4-3-3 de Jürgen Klopp. Bastou forçar um pouco para que o gol saísse em cima de um Monterrey já desgastado. Foto: Reprodução / SporTV

Apesar da derrota, o Monterrey foi valente, fez Alisson trabalhar bastante (talvez até mais do que o goleiro Barovero) e indicou possibilidades interessantes que podem ser bem exploradas pelo Flamengo no sábado (21). O primeiro deles é um recurso não tão utilizado pelo time de Jorge Jesus: o chute de longa distância. Foi daí que surgiram as grandes chances do escrete mexicano. O outro é o passe em profundidade para aprovetar a marcação alta da equipe inglesa. E com jogadores rápidos como Bruno Henrique e Gabigol fechando em cima dos zagueiros, essa é uma possibilidade que deve ser muito bem pensada pelo Fla. Ainda mais quando Jürgen Klopp não terá Fabinho e Wijnaldum na decisão e Van Dijk ainda é dúvida para a partida. Certo é que o Flamengo vai precisar utilizar todo seu potencial e toda a sua qualidade num jogo em que deve entrar em campo como “zebra” pela primeira vez em muito tempo. E isso com toda a mística da final de 1981 surgindo novamente.

É sim um compromisso complicadíssimo para Jorge Jesus e companhia. Ainda mais com a distância técnica e tática entre as duas equipes. No entanto, como já dissemos lá em cima, o velho e rude esporte bretão costuma reservar surpresas impressionantes. Vai que acontece de novo…

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