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Mauro Beting celebra São Marcos e Fernando Prass

Colunista do Torcedores fala sobre os dois grandes goleiros do Palmeiras

Mauro Beting
Mauro Beting comenta futebol em rádio, TV, internet, jornal, blog e livro, faz filme de futebol para cinema, DVD e TV, e comenta no PES 2014

Crédito: Divulgação/Palmeiras

São Marcos, aos 12 do segundo tempo, foi jogar na ponta esquerda. Com todos os companheiros em 20 anos de Palmeiras vestindo a bela camisa especial feita pela Adidas. Muitos com a fitinha de São Marcos no pulso, outra bela sacada da Topper na festa bem organizada pela Geo.

O amigo eterno Sérgio foi para o gol e para a ovação dos 36 mil que lotaram o Pacaembu com a festa que os palmeirenses pouco viram em 2012. Torcedores que também aplaudiram Velloso na outra meta. A do Brasil campeão de 2002. Com Felipão e Murtosa no banco.

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Não eram só os verdes de credo presentes. Ao menos três me confidenciaram que foram ao Pacaembu na vigília da semifinal do Mundial. Corintianos que foram ao estádio para aplaudir o anjo-guardião palestrino. Os únicos que não vaiaram o capetinha Edilson em cada bola disputada. Os únicos que não urraram quando Tonhão não foi diplomático e arrepiou o craque das embaixadinhas na final do SP-99.

Edilson era um que receava a reação do público. Um dos que mais temiam, na concentração no hotel Transamérica, o clima que foi só de festa. Com ele brincavam que o Capetinha dividiria o quarto com Paulo Nunes (autor do segundo gol palmeirense). Mas com Edilson não se brinca. Ele participou dos dois gols do empate na festa – ambos contra Sérgio. Na homenagem onde craques como Alex, Edmundo, Evair e belíssima companhia fizeram mais lances belos que os jogadores de 2012. Onde só o Clebão limpou mais a área que qualquer zagueiro verde na temporada.

Onde Ademir da Guia, 70 anos, jogou alguns minutos. E mais nada seria preciso no dia do santo com a festa do Divino.

(Como nada descreve o encontro que presenciei no vestiário do time de 1999 com feras de 1993-94 e com Dudu, Ademir, Leivinha e César. Maluco não é o Lemos. É o que vemos e oremos em cada um daqueles rostos eternamente palmeirenses).

Mas o lance que ficou não estava programado. Diferente do pênalti inventado para Marcos vencer Dida e marcar o sonhado gol, o primeiro da noite. Diferente de algumas poucas boas defesas que pareciam ensaiadas se não fossem marcantes – inclusive a última antes de ele jogar na linha, numa falta rasteira de Rivaldo. Diferente da bela homenagem aos 12 finais. E da contagem regressiva com as luzes apagadas quando deu 12 horas. Ou o primeiro minuto de 12/12/12.

Pouco antes teve a bola na ponta esquerda. Uma espirrada não programada que obrigou Marcos a dar o maior pique em 20 anos. Bola que tinha toda a cara de que sairia pela linha de fundo. Mas o Marcão tinha de mostrar serviço. E lá foi ele em busca do inusitado. Com a fé que move montanhas e Palmeiras.

Em vez de a bola se perder pela linha de fundo, bateu no pau da bandeira de escanteio e continuou em jogo. Nem ele acreditou. Perguntou à árbitra se estava valendo. Ela, como todo o Pacaembu, aplaudiu o esforço e mandou o santo seguir o jogo.

E o Marcão virou o Marquinho da roça. Foi cruzar na área e mandou um bico lá em Oriente. Todo desajeitado. Jamais desalmado.

Não importa. O moço “que aprendeu a amar o futebol com o pai e o Palmeiras com a mãe” , como disse ao final da festa, estava lá para correr atrás e se divertir. Como emocionou milhões pela carreira. Como jamais será esquecido pelo Brasil e pela bola.

Marcos, a noite foi sua. A eternidade é nossa.

(P.S.: Pena que Marcão por vezes é sério… No almoço, sugeri a ele que tomasse um cafezinho no segundo tempo em homenagem à célebre história contra o The Strongest, na Libertadores-01. Pena que ele levou muito a sério a festa merecida).

Escrevi o texto acima há 7 anos.

Abaixo escrevi não deu 7 dias.

Você sabe, já te contei, que esse abraço que o Jailson te deu e milhões demos em vocês dois no enea já me tirou do ar algumas vezes em rádio e TV. Já me tirou o ar várias vezes.
A carreira não é eterna. Mas você ternamente virou dos nossos. O Palmeiras que por 18 anos não comprou goleiro foi te buscar no Vasco. Comprou o cara que segurou a bronca na B em 2013 e evitou outra B em 2014. O que defendeu os pênaltis e bateu o pênalti em 2015. O que se quebrou pelo Brasil olímpico para retornar só pra dar a volta olímpica do Brasileirão em 2016. A referência de campo e reverência de banco nos últimos tempos.
Prass não só nos defendeu como goleiro ainda melhor do que era. Fernando defende a categoria de atletas com classe. Fernando é um cara inatacável.

E se vierem pra cima, ele sai como agora. Por cima. Pelo alto.

Oberdan Cattani foi informado em 1954 para que passasse na sala da diretoria e pegasse o seu passe livre depois de dois anos como Palestra e mais 12 como Palmeiras.

Fernando Prass não foi assim. Mas também não precisava ser assim. Fará falta defendendo em campo. Fará falta orientando no banco. Fará falta como jamais se ausentou em nome do Palmeiras que, como todo clube ou empresa, nem sempre sabe como dizer até breve. Quase sempre fala adeus. Ou nem fala nada.

Pessoas mais do que goleiros como Fernando Prass merecem mais do que consideração e carinho. Os milhões que por ele torceram e ainda torcerão independente da camisa que honrar também merecem mais do que satisfação.

Quem sabe (ou não) o que faz é quem contrata e quem treina. Dever respeitar. Desde que haja o mesmo respeito por quem só soube respeitar.

A decisão tomada pelo Palmeiras não é fácil. Nunca será. Mas depois de fechar rua, aumentar ingresso, afastar sua gente, demitir quem é da gente, trazer quem a gente não quer, manter quem a gente não queria, não renovar em nome da renovação um clássico tão comprometido e compromissado, de boa, para não dizer de péssima, já não assusta.

Boa sorte, Prass. Nós vamos continuar te abraçando. Ótima sorte, Palmeiras. Estamos precisando.

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