Torcedores | Notícias sobre Futebol, Games e outros esportes

Papo Tático: Sonho da Libertadores chega ao fim, mas ano mágico do Fortaleza e trabalho de Rogério Ceni merecem ser celebrados

Empate sem gols com o Fluminense nesta quarta-feira (4) mostrou que Leão do Pici tem proposta de jogo bem definida; Fortaleza se garantiu na Copa Sul-Americana de 2020

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Mailson Santana / Fluminense FC

Campeonato Cearense, Copa do Nordeste, permanência na elite do Brasileirão e vaga na Copa Sul-Americana de 2020 garantida. O ano de 2019 foi, sem sombra de dúvidas, o mais vitorioso da história do Fortaleza. O Leão do Pici se consolidou como uma das grandes forças do futebol nordestino e ainda calou os críticos que o apontavam como candidato ao rebaixamento no início da temporada. Além disso, o trabalho de Rogério Ceni no clube (com uma pequena interrupção no segundo semestre quando este assumiu o comando do Cruzeiro) merece ser celebrado. O treinador reuniu jogadores sem muito marketing no cenário nacional e montou uma equipe competitiva e que ainda bateu de frente com alguns gigantes durante o Campeonato Brasileiro. O empate sem gols com o Fluminense acabou com o sonho da Libertadores, mas não apaga o ano simplesmente mágico do Fortaleza e de Rogério Ceni.

Você conhece o canal do Torcedores no Youtube? Clique e se inscreva!
Siga o Torcedores também no Instagram

Mesmo sem ter rendido aquilo que pode render dentro de campo, o Fortaleza conseguiu mostrar que é uma equipe organizada e com uma proposta de jogo bem clara. O primeiro tempo do jogo contra o Fluminense (num Maracanã tomado por quase 40 mil pessoas numa noite de quarta-feira) poderia até intimidar equipes com mais tradição no futebol brasileiro. Mas o Leão do Pici se manteve fiel aos conceitos de Rogério Ceni. Linhas compactadas, saída de bola no chão, equipe organizada no 4-2-3-1 com muita velocidade pelos lados do campo e intensidade nas transições. Se Wellington Paulista fazia bem o trabalho de pivô no comando de ataque do Fortaleza, Osvaldo, Romarinho e (principalmente) Edinho aceleravam e exploravam bem os espaços entre as linhas do 4-2-3-1 de Marcão no Fluminense. Nem mesmo a saída do camisa 11 no início de partida mexeu no estilo de jogo e no desempenho do Leão do Pici.

Fortaleza organizado no 4-2-3-1 compactado e com saída rápida pelos lados. Rogério Ceni conseguiu fazer sua equipe bater de frente com vários times de mais tradição nesse Campeonato Brasileiro. Foto: Reprodução / TV Globo.

Apesar de organizado e compactado, o time do Fortaleza não fez um bom primeiro tempo no Maracanã. Muito por conta da maior posse de bola por parte do Fluminense. Mesmo assim, as duas equipes não estiveram bem. Faltava efetividade e objetividade. Além disso, uma coisa ficou bastante clara: a equipe de Rogério Ceni gosta de ter a redondinha nos pés e de comandar as ações dentro de campo. Quando teve conseguiu criar, o Fortaleza levou perigo justamente pelas suas características tão trabalhadas pelo seu treinador: intensidade, velocidade e organização. Numa das poucas chances do Leão do Pici na primeira etapa, Edinho aproveitou o espaço que tinha no lado direito e avançou até a entrada da área. Ao mesmo tempo, Osvaldo e Romarinho se lançavam no espaço vazio e o lateral Tinga ainda aparecia como opção de passe. Edinho (um dos melhores do Fortaleza em campo) cruzou, mas os atacantes não alcançaram. Mesmo assim, o time mostrou do que é capaz.

Edinho recebe na direita e já vê Romarinho e Osvaldo se colocando como opção de passe. Tinga também chega aproveitando o espaço no corredor. O Fortaleza sabe o que fazer e como fazer. Méritos de Rogério Ceni. Foto: Reprodução / TV Globo.

O Leão do Pici voltou mais ligado para o segundo tempo, controlando mais o jogo e ocupando mais a intermediária ofensiva. Mesmo assim, o time de Rogério Ceni não conseguia transformar as (poucas) chances que criava em gols. E a expulsão do zagueiro Paulão no meio da segunda etapa praticamente acabou com o ímpeto ofensivo do Fortaleza. A solução de Rogério Ceni foi fechar a sua equipe em duas linhas de quatro à frente da meta de Felipe Alves. Edinho e André Luís (substituto de Osvaldo) ajudavam a fechar os lados do campo e Kieza (que havia entrado no lugar de Wellington Paulista) tentava segurar a bola no ataque à espera dos companheiros de equipe. O Fluminense cresceu no final da partida com o cansaço da equipe comandada por Rogério Ceni, mas o goleiro Felipe Alves se transformou no grande herói do Leão do Pici com grandes defesas em chutes de Daniel e Wellington Nem (sendo este no último lance da partida).

Com Paulão expulso, Rogério Ceni recuou o Fortaleza e fechou sua equipe com duas linhas à frente da sua área. Organização, fibra e disciplina tática. Foto: Reprodução / TV Globo.

O Fortaleza foi campeão cearense e da Copa do Nordeste, garantiu sua permanência na Série A e ainda conquistou a vaga na Copa Sul-Americana da próxima temporada. São tantas vitórias a serem comemoradas que o fim do sonho da Libertadores nem chegou a incomodar o torcedor do Leão do Pici. Méritos da diretoria que deu condições de trabalho e um novo voto de confiança para Rogério Ceni com a sua saída para o Cruzeiro no meio do Brasileirão. Méritos da equipe que comprou a ideia do seu treinador e se superou em partidas que muita gente considerava como perdidas. E méritos do próprio Ceni, que se reciclou, não se deixou abater pela sua saída conturbada da Raposa e retomou o bom trabalho que vinha fazendo no Fortaleza. Se o time consegue bater de frente com alguns gigantes do futebol brasileiro, muito se deve a todos estes personagens citados acima. E a torcida do Leão do Pici também fez (muito bem) a sua parte.

O ano de 2019 já é o mais vitorioso da história do Fortaleza Esporte Clube. Diretoria, jogadores e comissão técnica foram muito felizes nas suas escolhas e na metodologia de trabalho. E o próximo passo é consolidar a hegemonia regional e partir para vôos mais altos. Por que não?

LEIA MAIS:

Rogério Ceni diz que tem muito a agradecer ao Fortaleza e vai decidir se continua no time nesse final de semana

Ceni lamenta situação do Cruzeiro, mas admite: “Teria feito as coisas acontecerem”