Papo Tático: Última lista de Pia Sundhage pode reservar boas surpresas para a Seleção Feminina; entenda

Apesar da insistência em nomes questionáveis, treinadora sueca escolheu nomes que podem resolver problemas da Seleção Feminina; equipe enfrenta o México nos dias 12 e 15 de dezembro

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Thais Magalhães / CBF

É bem verdade que todo mundo que acompanha o futebol feminino de perto e com frequência ficou meio na bronca com a última lista de convocadas para a Seleção Brasileira. Embora a técnica Pia Sundhage finalmente tenha chamado nomes que vinham sendo pedidos há bastante tempo (como a ótima Gabi Zanotti), ver jogadoras como Chú (que aina não conseguiu justificar suas últimas convocações) e Tayla (que jogou pouquíssimas vezes na temporada e agora está sem clube) na lista fez com que muita gente se questionasse se a treinadora sueca está mesmo sendo bem assessorada na Seleção. Por outro lado, mesmo com todos os questionamentos (justos), é possível esperar coisas muito boas desses dois jogos. Ainda mais com tantos nomes promissores presentes na lista e que possuem plenas condições de resolverem alguns problemas coletivos da equipe brasileira.

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Antes de mais nada, é preciso deixar bem claro que os números da Seleção Brasileira sob o comando de Pia Sundhage são muito bons. Mesmo com as derrotas nos pênaltis para Chile e China nas finais de dois torneios internacionais. São quatro vitórias e dois empates, com 11 gols marcados e apenas dois sofridos. O escrete canarinho ganhou mais conscistência defensiva e ganhou mais intensidade no ataque com Pia Sundhage. No entanto, mesmo com essa melhora, o time ainda apresenta alguns problemas sérios. O principal deles (na opinião deste que escreve) é a ausência de uma organizadora de jogadas no meio-campo. A técnica sueca ainda encontra algumas dificuldades para fazer o Brasil cadenciar as jogadas e abandonar o 4-2-4 utilizado por Vadão nos últimos anos. E para fazer suas jogadoras entenderem bem quais são os momentos de acelerar ou diminuir o ritmo, é altamente necessário que Pia encontre essa organizdora.

Um dos grandes méritos de Pia Sundhage é a melhora no desempenho da Seleção Feminina. Mesmo com apenas seis partidas, é possível ver uma ideia mais clara do que se quer da equipe brasileira, um conceito sendo executado dentro de campo. Por outro lado, enquanto jogadoras como Pardal e Thais Regina jogam uma bola redondinha nos seus clubes, Pia chama Tayla, zagueira que atuou pouquíssimas vezes em 2019 e que não será aproveitada pelo Benfica na próxima temporada. Como isso se justifica dentro do planejamento da CBF? É bem compreensível que cada treinadora tenha suas atletas de confiança por inúmeros motivos. O ponto aqui é saber qual é o critério utilizado nas últimas convocações. E dentro de uma lógica, a presença de Tayla na lista de jogadoras não se justifica. O mesmo acontece com Chú. Mesmo atuando (um pouco) mais pelo seu clube, a jogadora não conseguiu se encaixar dentro do esquema de jogo da Seleção Feminina. Será que outras não mereciam uma chance?

Ao mesmo tempo, essa última lista de 2019 pode nos reservas grandes surpresas. A primeira delas está no gol. Pia Sundhage finalmente vai testar novas goleiras. Carla Maria fez uma ótima temporada pelo São Paulo (tanto no Paulistão como na conquista do título do Brasileirão Série A2). Luciana vai ganhar nova chance, Letícia passou muita segurança no gol do Corinthians e Gabrielli também é boa aposta. A zaga titular deve se consolidar com Érika e Rafaelle. Gabi Zanotti e Vic Albuquerque FINALMENTE foram lembradas pela comissão técnica da Seleção Feminina. Além disso, a última lista de Pia traz bons nomes para as laterais. Isabella vem de ótima temporada pelo Palmeiras e pode ser a nova dona da posição. E Bruna Calderan mostrou a versatilidade que a treinadora do escrete canarinho tanto quer para a disputa dos Jogos Olímpicos de Tóquio: atua com a mesma desenvoltura nas duas laterais. Parece pouca coisa, mas o grupo pode dar um bom caldo.

Dentro dessa lista, é possível pensar num time titular montado em cima dos talentos chamados. Pia Sundhage poderia testar um 4-2-2-2 semelhante ao utilizado no Corinthians com Isabella e Tamires nas laterais, Carla Maria no gol e com Erika e Rafaelle completando a linha defensiva. Mais à frente, Luana e Gabi Zanotti organizariam o jogo e fariam a bola chegar no ataque para um quarteto ofensivo de respeito. Debinha e Milene acelerando o jogo pelos lados do campo com Vic Albuquerque se juntando a Cristiane no ataque e abrindo espaços para a chegada das volantes. Exatamente como fez no Corinthians nas campanhas vitoriosas da Copa Libertadores da América e do Campeonato Paulista. Bola no chão, toque de bola mais cadenciado com momentos mais acelerados para acionar as “pontas” pelos lados do campo. Na prática, uma equipe com mais aproximação, mais qualidade com a redondinha nos pés e menos afobação.

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Pia Sundhage pode montar uma equipe com mais toque de bola e qualidade nos passes com as jogadoras convocadas. A treinadora sueca ainda busca uma organizadora de jogadas para a Seleção Feminina.

É claro que Pia Sundhage teve pouquíssimo tempo para colocar seus conceitos em prática. Mesmo assim, já vemos a Seleção Feminina jogando com muito mais desenvoltura e com uma proposta de jogo muito mais eficiente do que nos tempos de Vadão. No entanto, como acontece em todo e qualquer time de futebol, existem problemas que precisam ser resolvidos. A insistência em determinados nomes que não dão retorno esperado dentro de campo e a ausência de jogadoras que poderiam somar muito dentro do grupo do escrete canarinho ainda levantam muitas dúvidas com relação à autonomia da técnica da Seleção Feminina. Claro que Pia Sundhage ainda precisa de mais tempo para se adaptar ao país e ao novo idioma. Por isso que o trabalho dos seus auxiliares deve ser questionado em muitos sentidos. Será mesmo que eles fazem o seu trabalho ou ainda estão presos a conceitos e práticas da antiga comissão técinica? É algo que deve ser investigado.

Por mais que existam dúvidas, os números mostram que Pia Sundhage está no caminho certo. E as jogadoras convocadas podem sim nos brindar com uma bela surpresa nesse final de 2019. Ainda mais quando eu, você e todos os que apoiam o futebol feminino estão cercados de dúvidas e expectativas para a próxima temporada.

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