Por que 2019 foi um dos melhores anos para o futebol feminino?

O futebol feminino sofreu algumas mudanças ao longo da temporada e contou com o grande marco da Copa do Mundo

Papo de Mina
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Crédito: Divulgação CBF

Por Tayna Fiori

Recentemente, o Google liberou os assuntos mais pesquisados pelos brasileiros na plataforma de pesquisas em 2019.  A Copa do Mundo Feminina é o segundo assunto dessa lista, ficando atrás somente da Copa América, que aconteceu simultaneamente. O evento ficou marcado pela forte cobertura midiática e pelos recordes batidos. 

Dentre estes recordes, está o de Formiga. A meia da seleção brasileira teve participação em sua sétima Copa do Mundo, tornando-se líder isolada. Pela primeira vez na história, a seleção brasileira teve um uniforme oficial completo para as mulheres. As jogadoras tinham desde o top até a chuteira. E não para por aí, a camiseta tinha o slogan das Guerreiras do Brasil com algumas estrelas, as quais demonstram os grandes nomes do futebol feminino.

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As brasileiras conquistaram o direito a participar da copa do mundo em 1988 no torneio experimental da FIFA. Elas conquistaram o 3º lugar usando sobras de uniformes masculinos, sem tempo para treinamento e conhecendo suas companheiras no vôo pra China. As jogadoras da época contam que tinham que dobrar os shorts para que coubessem em seus corpos. Em 2015, a Nike chegou a desenhar um uniforme para elas, a camisa 2, azul, mas não chegou a ser comercializada. Agora, na 8º edição oficial da Copa feminina, temos um sinal de avanço! As jogadoras vão ter pela primeira vez um uniforme feito exclusivamente para elas, ao invés de usar uma cópia do masculino. Um bônus: Na parte interna vem o detalhe mais importante, a frase "Mulheres guerreiras do Brasil". E por se dedicaram ao esporte mesmo quando toda a sociedade se coloca contra, de fato elas são! Toda nossa reverência às guerreiras que ousaram e ousam nos representar nos jogos! #CopaFemiNINJA #CopaDoMundoFeminina #CopaDoMundo #France #JogueComoUmaGarota #feminism #gogirls #futebol #FutebolFeminino

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Ao todo, 1.12 bilhão de telespectadores acompanharam à cobertura em casa. Outro número batido foi o de presença nos jogos, foram 17.27 milhões em média. Este valor é mais que o dobro da média no Canadá em 2015. A quantidade de jornalistas presentes no evento foi quase o dobro da Copa anterior também, a mídia deu muito espaço para comentar sobre os jogos.

No jogo das oitavas, o qual a seleção brasileira perdeu para francesa, foram 35.245 milhões de telespectadores acompanhando a partida, isso somente nas transmissões de Globo, SporTV e Band. O país abraçou as Guerreiras do Brasil e fez festa em sua recepção. 

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No entanto, essas não foram as únicas conquistas das meninas. Pela primeira vez, a CBF trouxe uma técnica estrangeira para comandar a seleção brasileira. Pia Sundhage chegou no pós-Copa do Mundo e assumiu o lugar do ex-técnico Vadão. A treinadora vem trazendo uma visão diferente para as jogadoras e tem colocado novos nomes para testes, pensando já nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020. Nesta Copa do Mundo, por exemplo, Cristiane se tornou a jogadora mais velha a fazer um hat-trick pela seleção e Marta com seu 17º gol, tornou-se a maior artilheira da história.

“Pia está dando oportunidade para todas mostrarem trabalho, acho que isso é importante. Tira o peso das mais experientes e faz com que as mais jovens também se sintam responsáveis”, disse Cristiane em entrevista.

O extra-campo

As conquistas não ficaram somente no campo neste ano! A CBF começou a tratar o futebol feminino de maneira diferente. No início de 2019, surgiu o Instagram da seleção feminina, nele são divulgadas todas as informações sobre o esporte, desde a base até a principal. Além disso, a Confederação ainda começou a planejar jogos femininos para os estádios grandes. Porém, não foram somente eles que se mexeram.

A Federação Paulista tem um papel muito importante em todo este crescimento. Com a entrada de Aline Pellegrino no cargo de diretora do futebol feminino, tivemos o início de muitos pontos bons. Em 2019, ocorreu a primeira peneira sub-17 dentro do futebol feminino. Em um balanço da FPF, das 336 atletas presentes, 221 foram selecionadas pelos 66 observadores que fizeram parte desse evento. Foi uma grande mudança! A Federação começou a pensar na base, no início das meninas que sonham em conquistar uma vaga no profissional.

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Além desses dois fatores que contribuíram muito, temos as transmissões dos jogos. O futebol feminino deu um show de audiência dentro das plataformas Facebook, Twitter, My Cujoo e na transmissão da própria federação, foram 2 milhões de visualizações em 44 partidas. Na Libertadores Feminina, o DAZN deteve todos os direitos de transmissão. Os resultados foram positivos. A plataforma,  que exibiu jogos de outros campeonatos também, pensa em investir mais no esporte.

O futebol feminino trouxe um resultado de audiência válido para todos que abraçaram a ideia. A final do campeonato paulista, Corinthians x São Paulo, se tornou o jogo mais visto da história da FPF TV, com mais de 71 mil visualizações e ainda trouxe um novo público para o SporTV. Neste mesmo jogo, famosa “Majestosa”, a Fiel (torcida corinthiana) registrou um novo recorde de público, foram 28.609 torcedores na Arena Corinthians.

A conscientização

Por falar em final “Majestosa”, a arbitragem da partida foi formada por uma equipe feminina. Edina Alves, que estava nesse time, foi a primeira mulher a apitar um jogo da Série A masculina, após 14 anos na área. A árbitra faz parte do quadro FIFA e já apitou jogo na Copa do Mundo. 

Além da arbitragem feminina, o placar da Federação era modificado. O gol de cada jogadora valia apenas 0.8. Isso foi feito para demonstrar a diferença do futebol feminino, mesmo com todo o crescimento, ainda falta muito para chegar no desejado.

Qual o significado para quem está dentro de campo?

“O crescimento era esperado, nós esperávamos que algum dia ia acontecer, mas não agora. Eu não imaginava que ia estar participando disso como jogadora. Fico feliz com o trabalho de muitas pessoas querendo ajudar a modalidade”, destacou Erika, zagueira do Corinthians.

Para as atletas, esse apoio ao esporte demonstra a valorização delas. A torcida colabora muito para melhoria do desempenho. E o que as jogadoras esperam, em sua grande maioria, é que a modalidade somente cresça, que dessa vez seja uma onda que tenha vindo para ficar.

As atletas brasileiras vem agradecendo muito pela mudança e por tudo que, juntos, estão conquistando. No meio dessas conquistas, ainda nos resta mencionar as premiações. O prêmio dado pela Federação Paulista para divulgar a seleção do campeonato paulista cresceu e foi realizado no auditório do Museu do Futebol. No último ano, o local foi dentro da própria FPF. Já a premiação da CBF, este ano foi igualitária. Todos os prêmios masculinos foram entregues ao feminino também. Um avanço inesperado que faz muita diferença.

A onda vai passar?

No que está parecendo, essa onda do futebol feminino veio para ficar. O retrocesso seria gigantesco, caso acontecesse, pelo fato de tirar novamente coisas básicas ao esporte feminino. Pode tudo ser realizado em passo de formiguinha, mas, o que começou, precisa terminar.

 

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