Torcedores | Notícias sobre Futebol, Games e outros esportes

Rafael Oliveira: De Bruyne como arma para um Manchester City flexível

Em uma função diferente, o belga foi o grande nome da boa vitória por 3 a 0 sobre o Arsenal

Rafael Oliveira
Jornalista, com passagens por Esporte interativo e ESPN, e colunista do Torcedores.

Crédito: Getty Images

A temporada do Manchester City tem sido bem mais irregular do que o esperado. Até certo ponto, o time que somou 198 pontos nas últimas duas edições da Premier League perderia fôlego de alguma forma. Não é normal manter um aproveitamento tão alto em uma liga tão exigente.

Você conhece o canal do Torcedores no Youtube? Clique e se inscreva!
Siga o Torcedores também no Instagram

Só que o Liverpool não diminui o ritmo e abriu uma enorme vantagem, tornando o tri bastante improvável para a equipe de Guardiola. No último domingo, o duelo contra o Arsenal marcou um encontro de características diferentes das habituais.

Os últimos meses mostram um City mais vulnerável defensivamente. E o problema passa por diferentes aspectos. Desde uma posse de bola trabalhada com menos precisão, o que pode esbarrar em oscilações técnicas de alguns jogadores. Passa também pelos desfalques na zaga, setor mais carente do elenco após a lesão de Laporte e a saída de Kompany. Mas, acima de tudo, expõe uma queda nas transições defensivas.

Como reagir a cada perda da posse de bola? A questão é um dos principais pontos de partida para o controle que as equipes de Guardiola costumam exercer. E ela engloba todos os tópicos. O trabalho técnico, a intensidade física e a coordenação tática. A pressão imediata para recuperar a bola perdida, muitas vezes ainda no ataque.

Rodri foi a principal novidade do último mercado do Man City e tem agradado desde que chegou. É um jogador que reúne diferentes características que podem ser bem trabalhadas para que vire uma referência do clube nos próximos anos. Só que deslocar Fernandinho para a zaga mexeu em um dos principais pontos de equilíbrio da equipe. Nos últimos anos, o alto nível do brasileiro o transformou em peça insubstituível para o funcionamento coletivo.

Contra o Arsenal, a partida reuniu dois times com problemas parecidos, ainda que em níveis diferentes. Os Gunners passam por um processo de transição após o decepcionante início de temporada e a demissão de Unai Emery. Uma das marcas também tem sido a vulnerabilidade a cada bola perdida em qualquer setor do campo.

Sendo assim, Arsenal x Man City deixou de ser um duelo pela posse da bola, característica marcante dos dois clubes na era recente. Virou uma disputa por quem castigaria melhor as fragilidades do adversário. E aí entra o papel de Kevin De Bruyne. O belga é um dos melhores jogadores da Premier League e Guardiola modificou a área de atuação para explorar uma antiga característica.

Nos tempos de Wolfsburg, “KDB” era uma máquina de conduzir transições. Puxar contra-ataques, achando passes brilhantes e chutes de fora da área como poucos são capazes. No City, virou um meio-campista mais completo, capaz de controlar o ritmo do setor, nem sempre de forma direta. Só que, em alguns cenários, resgatar aquela característica é um trunfo. E foi exatamente o que decidiu a partida.

De Bruyne jogou mais adiantado e solto na frente dos volantes, em um 4-2-3-1, e não no habitual 4-3-3. Ali, castigou um Arsenal que não conseguiu deter seus movimentos e chegadas. No fim, 3 a 0 com participação direta nos gols e até a possibilidade de ampliar o placar.

O City parece distante da briga por título, mas o belga segue como um dos melhores da liga. É um jogador com rara capacidade técnica e uma versatilidade tática que faz dele uma arma relevante até para os dias de maior flexibilidade de estratégias de Guardiola.

LEIA MAIS:
Rafael Oliveira: Ingleses classificados, mas sem grande brilho na Champions