Renata Saporito: Flamengo dá exemplo de planejamento e administração profissional aos clubes paulistas

Tudo na vida tem a ver com merecimento – no futebol não é diferente -, e o Flamengo provou isso

Renata Saporito
Colaborador do Torcedores

Crédito: Getty Images

O futebol em 2019 merece aspas. O Flamengo merece todos os méritos. O ano do futebol brasileiro merece atenção. Sobre o exemplo a ser seguido, sobre o caminho a não ser percorrido, sobre o planejamento que deu errado, sobre as escolhas mal sucedidas, sobre o descredito dos técnicos (24 saíram de seus clubes neste Brasileirão, sendo que apenas três começaram e vão terminar na mesma equipe), sobre “merecimento” em todos os aspectos. A tabela deste ano resume bem tudo isso.

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O Brasileirão está chegando ao fim. Faltando apenas duas rodadas, o campeão está definido, as vagas para a Libertadores estão praticamente preenchidas e a briga lá embaixo segue indefinida, pois já conhecemos três rebaixados, resta um. Nessa briga, ao fim da tabela, o Cruzeiro chama atenção por estar quase rebaixado, visto que já não depende mais apenas de si.

Assim, já podemos fazer um balanço sobre o desempenho dos quatro grandes times paulistas diante das expectativas criadas no início da temporada. Sem querer entrar novamente naquela classificação de primeira, segunda, terceira ou quarta força que causou tanta polêmica com o Corinthians ano passado, não há como negar que a primeira grande expectativa e promessa paulista na competição era o Palmeiras.

Campeão em 2018 e com as contas em dia, não era exagerado dizer que o Alviverde era o grande favorito na disputa pelo título. Correndo por fora e com expectativa melhor do que nos últimos anos, o São Paulo vinha com investimento alto no elenco e uma boa safra das promessas da base. Já em relação aos alvinegros paulistas, a expectativa não era tão grande. O Corinthians veio de um título paulista que podia empolgar a sua fiel torcida, mas, para um campeonato longo, a falta de investimento faria falta. O Santos, da mesma forma, não tinha muita expectativa também pelo baixo investimento.

E nesta reta final do campeonato, o balanço não confirmou as expectativas. O Palmeiras não conquistou o título e nem sequer conseguiu ameaçar o campeão Flamengo. O São Paulo mais uma vez deixou a desejar e não fez jus aos investimentos nas estrelas Daniel Alves e Alexandre Pato. O Corinthians não teve fôlego, passou por turbulências no elenco com o técnico Carille e certamente deve contentar-se com uma vaga na pré-Libertadores. E o Santos foi a grande surpresa. Sem altos investimentos no elenco, sem dúvida alguma, o seu grande destaque estava no banco de reservas comandando o time com fervor. Jorge Sampaoli pode levar o Santos ao surpreendente vice-campeonato, lembrando que o campeão foi absurdamente superior.

O comparativo entre os dois clubes que mais investiram por aqui diz muito sobre o Palmeiras ter ficado tão pra trás na briga pela taça.

O Flamengo gastou R$ 192 milhões em oito contratações cruciais: Arrascaeta (R$ 80,5 milhões), Gerson (R$ 49,7 milhões), Bruno Henrique (R$ 23,9 milhões), Rodrigo Caio (R$ 21 milhões), Pablo Marí (R$ 5,4 milhões). E trouxe jogadores sem custos, apenas salários: Rafinha, Filipe Luís e Gabigol.

O Palmeiras gastou R$ 140 milhões:

Contratações

Vitor Hugo – R$ 25 milhões (titular)

Matheus Fernandes – R$ 13 milhões (reserva)

Zé Rafael – R$ 14 milhões (reserva)

Ivan Angulo – R$ 11,6 milhões (reserva e sub-20)

Carlos Eduardo – R$ 24 milhões (reserva)

Jogadores que estavam no time e foram contratados definitivamente

Gustavo Gómez – R$ 25 milhões (Milan)

Marcos Rocha – R$ 8 milhões (Atlético/MG)

Mayke – R$ 14 milhões (Cruzeiro)

Jogadores que foram contratados neste ano e já foram emprestados

Arthur Cabral – R$ 5 milhões (emprestado ao Basel, Suiça)

Felipe Pires – R$ 900 mil (emprestado ao Fortaleza)

Jogadores que vieram sem custos (apenas salários)

Ricardo Goulart – veio Guangzhou Evergrande (contrato já rescindido)

Ramires – estava livre no mercado

Henrique Dourado – veio do Henan Jianye

Luiz Adriano – veio do Spartak Moscou

Diante disso, creio que ficam duas lições nesta temporada para os paulistas e consequentemente aos demais clubes. Sem uma administração profissional, que privilegie a saúde financeira dos clubes, os investimentos serão baixos ou ruins, e o desempenho em campo sofrerá as consequências. O campeão Flamengo e o quase rebaixado Cruzeiro são exemplos de como as ações fora de campo interferem dentro dele.

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