Allan Simon: Times que fecharam com a Turner fizeram bom negócio – menos o Fortaleza

Tricolor teve contrato diferente e ganhou menos do que companheiros de Turner, que foram bem na arrecadação

Allan Simon
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalha com esportes desde 2011 e já passou por veículos como R7 (Rede Record), Abril.com, UOL Esporte e Torcedores nas funções de redator, repórter, editor e apresentador de vídeos. Experiências de coberturas em duas Copas, duas Olimpíadas, dois Pans. Atualmente, produz o Blog do Allan Simon, é colunista de Mídia Esportiva do Torcedores e colaborador do UOL.

Crédito: Foto: Reprodução

Terminada a primeira temporada do Brasileirão 2019 na era “Globo x Turner”, uma pergunta ficou no ar: afinal de contas, os times que fecharam com a concorrente norte-americana dos globais fizeram um bom negócio? Em linhas gerais, a resposta é sim, mas não se o seu time se chamar Fortaleza. É que o time tricolor não participou da divisão do bolo de R$ 165 milhões da dona do Esporte Interativo, tendo um contrato à parte que rendeu menos de R$ 10 mi ao todo na TV por assinatura.

Na semana passada, publiquei em meu blog uma projeção completa de quanto dinheiro cada clube recebeu no Brasileirão na soma dos ganhos de TV aberta (todos fecharam com a Globo), TV por assinatura (13 times assinaram com o SporTV, e sete com a Turner) e PPV (todos, menos o Athletico Paranaense, estavam no pacote do Premiere). O Fortaleza aparece na penúltima colocação, com pouco menos de R$ 44,5 milhões, à frente apenas da Chapecoense. Melhor posicionado na tabela, o Leão do Pici arrecadou quase R$ 15 milhões a menos que o rival Ceará.

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Já os outros times que participaram de todo o pacote da Turner, no entanto, foram mais bem posicionados, com destaque para o Athletico Paranaense, que faturou quase R$ 72 milhões sem ter contrato de pay-per-view, um rendimento acima de clubes grandes que fecharam em todas as mídias com a Globo, como Fluminense e Botafogo.

É inegável que os times que assinaram com o Esporte Interativo em 2016 tiveram um espaço mais interessante do que no SporTV. O canal pago da Globo exibiu praticamente uma “Série B de luxo”, com mais transmissões de times que acabariam rebaixados, como Avaí, Chapecoense e CSA, enquanto a TNT mostrou jogos do vice-campeão (Santos), do terceiro colocado (Palmeiras), e de times que ficaram na zona da Libertadores (Athletico e Inter) e Copa Sul-Americana (Fortaleza e Bahia), além de ter conseguido ver o Ceará se manter na primeira divisão.

O Palmeiras, por exemplo, tinha tido apenas um jogo transmitido pelo SporTV em todo o Brasileirão de 2018, uma partida que inclusive teve o sinal bloqueado para o estado de São Paulo por ter sido realizada no Allianz Parque (derrota para o Sport Recife no primeiro turno). Na TNT, foram 12 partidas, das quais nove tiveram sinal aberto para os paulistas, e as três que tiveram bloqueio de praça estavam disponíveis de graça na Globo em TV aberta.

Fora isso, a própria estratégia que a Globo adotou ao “furar” as transmissões da Turner mostrando os mesmos jogos na TV aberta acabou ajudando os clubes envolvidos. É que uma partida exibida por TV Globo e Turner simultaneamente contou duas vezes na divisão do dinheiro, uma no bolo da TV aberta e outra no da TV paga.

O Athletico, pela brilhante estratégia de não aceitar os R$ 6 milhões oferecidos pelo pacote de PPV, acabou sendo o time mais transmitido em TV aberta (contando jogos na Globo e também os exclusivos no Globoesporte.com de maneira gratuita). Na soma apenas dos rendimentos com transmissões na Globo, SporTV e TNT, o Furacão liderou a arrecadação com mais de R$ 50 milhões. Só os R$ 17,8 milhões de TV aberta já deram quase três vezes o valor “perdido” com a ausência no Premiere.

Outro fator que explica o bom negócio feito pelos seis times do pacote coletivo da Turner é que, além da liderança do Furacão, outros três clubes da TNT aparecem na sequência no ranking de arrecadação por transmissões nas mídias aberta e fechada: Palmeiras (R$ 44,8 milhões), Santos (R$ 42,9 milhões) e Internacional (R$ 42 milhões).

Corinthians e Flamengo, que foram solenemente ignorados pelo SporTV para ficarem mais exclusivos do PPV, receberam apenas R$ 34 milhões cada, a imensa maior parte disso via TV Globo, sendo somente R$ 892,5 mil por time no canal pago. Claro que os R$ 120 milhões mínimos do pay-per-view para o time rubro-negro, e os R$ 110 mi para o alvinegro, ajudaram a fazer valer a pena essa ausência na TV por assinatura.

Mas a distância entre eles e o Palmeiras, por exemplo, ficou bem menor. Passou dos R$ 70 milhões no contrato antigo para os R$ 40 milhões entre Rubro-Negro e Verdão (considerando que o time carioca recebeu mais premiação por ter sido campeão) e cerca de R$ 18 mi entre os arquirrivais paulistas.

O Santos aproveitou o bom desempenho em campo também para faturar, ao todo, mais de R$ 93 milhões. Recebia R$ 86 mi até o ano anterior. Mas tudo isso que falamos até agora se resumiria facilmente em um ponto:

Os times fizeram um bom negócio ao fechar com a Turner porque trouxeram concorrência ao Brasileirão. Foi por causa da disputa acirrada com uma empresa à época cheia de grana que a Globo topou mudar a forma de distribuição do dinheiro, adotando um formato europeu de divisão em bolos (40% igualitários, 30% por jogos transmitidos e 30% por posição na tabela).

A dona do Esporte Interativo fez percentuais diferentes (50%, 25% e 25%, respectivamente), mas isso importa pouco na análise. O fato é que tudo mudou, e a antiga divisão por tamanho de torcida só aconteceu no PPV, que representa um terço do valor total do campeonato. Sem contar que a Globo esperava até reduzir valores no contrato seguinte, aproveitando a total ausência de concorrentes após a retirada da Record da disputa por direitos esportivos.

Allan Simon é jornalista esportivo desde 2011, tendo passado por redações como o R7, Abril.com, UOL Esporte e Torcedores. Participou das coberturas de duas Copas do Mundo, duas Olimpíadas, dois Pans, e diversos outros momentos históricos do esporte brasileiro nesta década. Criador do Prêmio Torcedores de Mídia Esportiva. Atualmente comanda o Blog do Allan Simon, é colaborador do UOL e colunista do Torcedores. 

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