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São Paulo executa plano de jogo com precisão e vence o “primeiro round” da final do Paulistão Feminino

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira explica como Lucas Piccinato travou o Corinthians de Arthur Elias e conquistou uma vitória justíssima no Morumbi

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Twitter / São Paulo FC

Ter um plano bem elaborado e executá-lo com a máxima perfeição possível. Estudar seu adversário, não se intimidar com as suas qualidades, encontrar seus pontos fracos e explorá-los sempre que possível. Podemos considerar que esse foi o resumo perfeito da vitória justíssima do São Paulo sobre o Corinthians no jogo deste sábado (4), válido de ida da decisão Paulistão Feminino. O placar mínimo não reflete o domínio do escrete comandado por Lucas Piccinato durante os noventa e poucos minutos diante do atual campeão da Libertadores Feminina. É possível que o cansaço do elenco corintiano e o fato de Arthur Elias não poder contar com Tamires desde o início tenha influenciado a atuação da sua equipe no Morumbi. Mas fato é que o São Paulo teve uma daquelas atuações dignas de almanaque. Estratégia, execução, coordenação de movimentos, concentração, tudo deu certo no “primeiro round” da Final Majestosa.

É preciso reconhecer que Lucas Piccinato começou a vencer o duelo tático contra Arthur Elias (e olha que isso não é tarefa fácil) na escalação e na maneira como distribuiu suas jogadoras em campo. Sem Carol (lesionada) e com Duda (que foi preservada após participação no Torneio Internacional de Manaus com a Seleção Feminina) iniciando a partida no banco de reservas. O 4-4-2 se transformava num 4-2-3-1 e até mesmo num 4-3-3 dependendo da movimentação de Gláucia, Yaya, Jaqueline e Micaelly. Do outro lado, o Corinthians entrava em campo armado no 4-4-2/4-2-4 costumeiro de Arthur Elias, mas com mudanças significativas. Tamires (igualmente preservada) estava no banco e Grazi começou a partida formando dupla de ataque com Vic Albuquerque. Adriana começou jogando pelo lado esquerdo e Gabi Portilho colocava velocidade pra cima de Dani no lado direito de ataque do Timão. Muita movimentação e muito estudo.

Corinthians vs Sao Paulo - Football tactics and formations

Formação inicial das duas equipes no Morumbi. Muito estudo e um duelo tático muito intenso travado pelos treinadores.

É verdade que o Corinthians é uma das melhores equipes do continente sul-americano. Mas Lucas Piccinatto tinha um plano muito bem elaborado e sua equipe sabia muito bem como executá-lo. A ideia principal do Tricolor Paulista era tirar o espaço de Diany e Gabi Zanotti na saída de bola do Timão. Maressa, Yaya, Jaqueline e Naná encurtavam o campo de ação das duas volantes corintianas mesmo que isso significasse expor a última linha de defesa tricolor. Só que esse bloqueio das interiores obrigava o escrete de Arthur Elias a acionar seu quarteto ofensivo com ligações diretas na direção de Grazi, Vic Albuquerque e Gabi Portilho. Com a defesa muito bem ajustada, levando ampla vantagem nos duelos individuais e contando com grandes atuações de Thais e Lauren, o São Paulo conseguiu tirar a velocidade do seu forte adversário e controlar as ações do jogo num primeiro tempo bastante equilibrado no Morumbi.

Diany e Gabi Zanotti não tiveram sossego na partida deste sábado (4). Maressa, Yaya, Naná e Jaqueline subiam, Gláucia e Micaelly fechavam o espaço e as duas volantes corintianas participavam pouco da criação das jogadas. O jeito era apelar para as ligações diretas. Foto: Reprodução / YouTube / Paulistão

Nas poucas vezes em que Poliana e Campiolo conseguiram acionar o quarteto ofensivo do Corinthians, a zaga do São Paulo esteve muito bem na pressão pós-perda, sempre realizada com muita rapidez. A equipe comandada por Arthur Elias até tentaram fazer o Tricolor Paulista provar do próprio remédio, mas Lucas Piccinato contava com uma Gláucia em estado de graça na tarde deste sábado (4). Era a camisa 9 quem descomplicava tudo, segurava a bola quando era necessário e ainda descolava lançamentos primorosos para as companheiras de equipe. O único gol da partida chega a ser emblemático. Thaís intercepta passe de Gabi Zanotti, a bola sobra para Gláucia que vê Micaelly atacando o espaço às costas de Poliana. O lançamento (de cinema) encontra a jogadora na entrada da área. O belo gol de “Mica” foi resultado de toda a estratégia trabalhada por Lucas Piccinato ao longo das últimas semanas. Havia um plano.

Gláucia recebia o passe longo, vencia o duelo contra a defesa do Corinthians e acionava Jaqueline, Naná ou Micaelly em velocidade. O gol marcado pela camisa 11 foi fruto de todo o trabalho realizado por Lucas Piccinato ao longo dos últimos dias. Estratégia e execução. Foto: Reprodução / YouTube / Paulistão

Mesmo com a vantagem no placar, o São Paulo não abdicou do ataque. O time de Lucas Piccinato manteve a estratégia do primeiro tempo e jogou de acordo com o contexto que lhe apresentado no Morumbi. Seu 4-4-2 era firme na marcação, quase perfeito na pressão pós-perda e altamente intenso nas transições. Nesse ponto, Gláucia era importantíssima como referência móvel para abrir espaços para suas companheiras de equipe atacarem as costas da zaga corintiana. Houve momentos em que Piccinato trouxe Jaqueline para jogar como interior, trocou Naná de lado e ainda adiantou Yaya para jogar mais próxima de Gláucia. Tudo para descansar jogadoras e dar fôlego a outras na pressão sobre Gabi Zanotti e Diany (depois Andressinha) sem a bola para recuperá-la o mais rápido possível e acelerar nos contra-ataques. Ótima atuação coletiva do São Paulo diante de um Corinthians que costuma exigir muito dos seus oponentes.

O São Paulo espelhou o 4-4-2 do Corinthians em alguns momentos. Mas o plano traçado por Lucas Piccinato anular a saída de bola do seu adversário e obrigá-lo a usar as ligações diretas foi mantido. Arthur Elias mexeu no Timão, mas o Tricolor Paulista controlou bem a partida. Foto: Reprodução / YouTube / Paulistão

É plenamente possível afirmar que o Corinthians sentiu muito o cansaço da maratona de jogos e que algumas de suas jogadoras estiveram bem abaixo na tarde deste sábado (4). Principalmente aquelas que estavam com a Seleção Feminina no Torneio Internacional de Manaus. No entanto, não podemos resumir o jogo no Morumbi a apenas isso. O que se viu em campo foi um time que marcou forte, jogou com muita concentração e anulou os pontos fortes do seu forte adversario com muita aplicação tática. Estava mais do que claro que Lucas Piccinato tinha um plano e que suas jogadoras compraram suas ideias. Maressa, Yaya, Naná, Jaqueline, Micaelly e (principalmente) Gláucia foram muito bem na partida. Mas também é preciso exaltar a atuação de Thais e Lauren na zaga do São Paulo. Anular Vic Albuquerque, Grazi, Gabi Portilho e Adriana não é nada fácil e as duas se mantiveram firmes e muito atentas em cada lance.

A verdade, no entanto, é que o confronto segue completamente aberto. Arthur Elias terá tempo para recuperar suas jogadoras e montar a estratégia para o jogo marcado para a próxima quarta-feira (8) na Neo Química Arena. O plano de Lucas Piccinato nos mostrou um São Paulo ligado e altamente aplicado. Só resta saber como o Corinthians vai reagir a isso.

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