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Técnico do Botafogo admite surpresa com “tritura” dos treinadores no Brasil

Treinador português vive bom momento no Glorioso, mas passou por turbulência semanas atrás

Por Rafael Alaby em 14/10/2022 18:03 - Atualizado há 3 anos

Foto: Vitor Silva/Botafogo

Luis Castro chegou ao Botafogo às vésperas do início do Brasileirão e demorou um pouco para embalar uma série de bons resultados. Em alguns momentos, o português foi pressionado quando a equipe teve sequência de derrotas. Os torcedores mais radicais pediram a sua demissão.

Tudo mudou nas últimas rodadas. A equipe deixou as últimas posições da tabela de classificação e hoje briga por vaga na Libertadores.

Em entrevista ao SporTV nesta sexta-feira, Luis Castro admitiu surpresa com a cultura do futebol brasileiro em “tritutar” aqueles técnicos que não conseguem resultados imediatos. Para ele, isso afeta o desenvolvimento dos clubes.

“A forma alucinada como o futebol brasileiro tritura treinadores é surpreendente. Eu acho que a troca constante dos treinadores retira o poder de liderança. Porque todos a sua volta sabem, que se algo falhar, só vai haver um responsável. Então pode haver um conjunto de desresponsabilização à minha volta que fere de morte o desenvolvimento de qualquer clube. Porque o jogador, se falhar, sabe que o treinador vai embora, o departamento de saúde, se falhar, sabe que o treinador vai embora. Então o treinador vai embora deixando para trás aqueles que são realmente responsáveis por o clube não ganhar. Então essa retirada é fatal quer no Brasil quer no mundo”, disse.

“Muitas vezes um novo colega chega e quando descobre o problema que o anterior sabia que existia, vai embora. Os treinadores vão embora dos clubes, mas igual aqui (no Brasil) não é normal “, completou.

Castro ainda revelou que no início teve receio em aceitar assumir um projeto de reformulação no Botafogo, mas entendeu que o que foi oferecido pelo empresário John Textor e sua equipe se encaixava com o que ele pensa sobre o futebol.

“Eu compartilhava com minha equipe, e eles diziam “é nossa cara”. Eu dizia que preferia jogar em um clube para títulos do que na reconstrução, é um risco grande, porque as pessoas estão esperando resultados muito grandes e podemos não ter. “Mas é a nossa cara porque podemos construir uma academia, uma metodologia de treino transversal, criar programas para desenvolver os mais jovens, pode reorganizar o futebol de baixo à cima. Mas eu dizia: “eu acho que não tem campo sequer para nós treinarmos”. Mas esse é o desafio”, explicou.

O Botafogo, de Luis Castro, volta a campo neste domingo (16), contra o Internacional, no Nilton Santos, pela 32ª rodada do Brasileirão.

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