Abel Ferreira dispara contra CBF após nota e vê caça a João Martins, mas avisa: “’Vou ficar atento’
Comandante do Palmeiras questionou a postura da CBF em relação a outros profissionais que fazem o mesmo e não são repreendidos pela entidade
Reprodução/Palmeiras TV
O técnico Abel Ferreira voltou a falar com a imprensa após o empate sem gols com o Internacional, pela rodada do Brasileirão. O comandante do Palmeiras aproveitou o fim da ‘Lei do Silêncio’ imposta pela diretoria para colocar o dedo em algumas feridas.
Abel Ferreira criticou a CBF pela nota emitida pelas as declarações do auxiliar João Martins após o empate com o Athletico, pelo Brasileirão. Na ocasião, o membro da comissão técnica palmeirense fez críticas a arbitragem e questionou a lisura da competição nacional.
“Quando você vê o máximo organismo, que é a CBF, fazendo um comunicado para a equipe técnica do Palmeiras quando outros treinadores o fizeram, e brasileiros, e só dedicar um comunicado só para a equipe técnica do Palmeiras, a mim me faz pensar profundamente o que eu quero para mim. Porque quando a Comissão Disciplinar, quando eu tirei o telefone de um jornalista, ato mau feito, do qual eu pedi desculpa, e um outro jogador, dentro de um recinto, fez exatamente a mesma coisa, puxou e jogou o telefone no chão, e não é igual”, disparou Abel Ferreira.
O treinador do Palmeiras defendeu seu auxiliar e afirmou que ficará atento a postura da CBF com outros profissionais que fazem o mesmo.
“Infelizmente, querem caçar o João. Vou ficar atento ao que vão fazer com o João e o que vão fazer com os outros que falaram a mesma coisa. Vou ficar atento a isso. Vou ter de perceber o que quer dizer xenofobia. Eu nunca estive em um país em que ouvi tanto esse termo. Nem sabia o que era isso. Xenofobia, racismo, preconceito… nunca ouvi tanto como aqui“, acrescentou.
Novas críticas ao calendário:
Durante a entrevista, Abel Ferreira voltou a criticar o calendário da CBF. O treinador destacou o intervalo de jogos que o Palmeiras teve para os jogos contra o São Paulo, pela Copa do Brasil.
“Não sou eu que levo os jogadores ao extremo, é o calendário. No jogo que jogamos contra o São Paulo só tivemos dois dias (de intervalo). Jogamos contra o Athletico-PR e só temos dois dias para jogar contra o São Paulo. E agora, o jogo de volta, por que não foi na quarta-feira e foi na quinta? O São Paulo teve direito a três dias. Não é igual. E agora para o Internacional só tivemos dois (dias). Eu conheço o futebol brasileiro melhor do que nunca, já dei declarações muito fortes. Eu não vou tirar uma vírgula daquilo que eu disse”, afirmou.
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Palmeiras x CBF:
A polêmica entre Palmeiras e CBF começou com as declarações do auxiliar técnico João Martins após o empate com o Athletico. Em jogo válido pela rodada do Brasileirão, no último dia 2, o profissional disparou contra a arbitragem e ‘atacou’ a CBF.
“Ainda bem que sou eu hoje aqui. Nós entendemos que o futebol brasileiro passa uma imagem de que é o mais competitivo do mundo porque ganham vários. Mas ganham vários porque, muitas vezes, não deixam os melhores ganhar. Foi mais uma vez o que se passou hoje. Mas é ruim para o sistema o Palmeiras ganhar dois anos seguidos. O que aconteceu hoje foi uma vergonha. Como é que se condiciona um jogo aos três minutos?”, questionou o auxiliar, que teve a coletiva interrompida pelo diretor Anderson Barros.
No dia seguinte, a CBF emitiu uma nota condenando as declarações. “O que ocorreu foi um desfile de grosserias e uma tentativa infantil e até xenofóbica de reduzir a relevância do futebol brasileiro na Europa.”
O Palmeiras, contudo, rebateu a nota da entidade e defendeu o auxiliar.

