Home Futebol Santos x Botafogo: duelo já decidiu Taça Brasil em final que ficou conhecida como “Maior Jogo do Mundo”

Santos x Botafogo: duelo já decidiu Taça Brasil em final que ficou conhecida como “Maior Jogo do Mundo”

Peixe e Glorioso disputaram título no Maracanã com quase todos os titulares da seleção brasileira em campo

Por Adriano Oliveira em 23/07/2023 10:27 - Atualizado há 3 anos

Reprodução/ Twitter

Na tarde deste domingo (23), a partir das 16h00, o Santos recebe o Botafogo no estádio da Vila Belmiro, em duelo válido pela 16ª rodada do Brasileirão Série A.

Um dos mais tradicionais clássicos do futebol brasileiro, a partida de hoje coloca em campo um “duelo de opostos” na tabela da competição.

Enquanto o time carioca segue como líder disparado somando 39 pontos, dez a mais que o Grêmio, o segundo colocado, o Peixe ocupa o 15º lugar com 16 pontos, quatro acima da zona de rebaixamento.

Historicamente, Santos x Botafogo sempre foi sinônimo de grandes embates nos anos 50, 60 e 70, com ídolos da seleção brasileira atuando pelos dois clubes.

E certamente um dos confrontos mais espetaculares dessa história aconteceu há 60 anos, na memorável decisão da Taça Brasil de 1962, disputada no dia 2 de abril de 1963.

Diante de 70.324 torcedores que foram ao estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, o terceiro e decisivo jogo das finais da competição também foi transmitido pela televisão, em uma das raras exibições interestaduais ao vivo para a época.

O “Maior Jogo do Mundo”

Um ano antes da decisão da Taça Brasil, Santos e Botafogo formaram a seleção brasileira bicampeã na Copa do Mundo realizada no Chile.

Nada menos que Garrincha, Pelé, Nilton Santos, Zito, Zagallo, Gylmar, Mauro e Amarildo, todos titulares no Mundial.

E na mesma partida se exibiam também os reservas da seleção: Mengálvio, Coutinho e Pepe. E ainda estavam em campo Manga, Rildo e Lima, que seriam titulares na Copa do Mundo seguinte, disputada na Inglaterra em 1966.

Segundo o Centro de Memória do Santos, no duelo de ida das finais o time paulista superou o Botafogo pelo placar de 4 x 3, jogando no estádio do Pacaembu, em São Paulo.

Na sequência, foi ao Rio de Janeiro e acabou sendo derrotado pelo Alvinegro carioca por 3 x 1.

Dois dias depois, aconteceu o terceiro confronto para desempatar a decisão e conferir o título nacional ao vencedor, que representaria o Brasil na Copa Libertadores da América de 1963.

Aplaudido em pleno Maracanã, o Santos fez uma das maiores exibições de sua história e goleou o Botafogo pelo placar de 5 x 0, com gols de Dorval e Pepe no primeiro tempo e, na etapa final, Coutinho e Pelé (duas vezes).

Destaque da partida, Dorval mostrou notável aplicação tática ao “anular” Zagallo durante os 90 minutos e ainda driblou Nilton Santos para anotar um bonito gol e abrir o marcador para o Peixe.

Anos depois, Coutinho definiu a vitória incontestável do Santos obtida apenas dois dias depois de uma derrota para o mesmo time e no mesmo estádio.

“Fomos lá e fizemos um, dois, três, quatro, cinco e poderíamos ter feito quinhentos. O Santos tinha uma coisa: dificilmente perdia duas vezes seguidas”, relatou o companheiro de Pelé no ataque santista.

O jornalista carioca Ney Bianchi, um dos profissionais mais respeitados da imprensa brasileira, definiu o duelo decisivo da Taça Brasil como “O Maior Jogo do Mundo”, em razão da presença de tantos craques da “época de ouro” do futebol brasileiro.

Bianchi escreveu um artigo de oito páginas sobre a grande decisão para a revista “Fatos & Fotos” e, sem poupar elogios, relatou que o Maracanã ainda não havia visto “tamanha exibição de um jogo de futebol”.

O jornalista, vencedor de três edições do “Prêmio Esso de Informação Esportiva”, ainda frisou que o Santos “provou ser o melhor time do mundo” e citou que “cada gol foi uma obra-prima”, além de exaltar a atitude da torcida carioca, que “esqueceu partidarismos para aplaudir o melhor”.

Dois de abril, para os amantes do futebol, é considerado o “dia do maior jogo do mundo”.

Confira abaixo a escalação das duas equipes na final da Taça Brasil de 1962:

Santos: Gylmar, Mauro, Dalmo e Lima; Zito, Calvet, Dorval (Tite) e Mengálvio; Coutinho, Pelé e Pepe (treinador: Lula)

Botafogo: Manga, Rildo (Joel), Zé Maria e Ivã (Jadir); Airton, Nilton Santos, Edson e Quarentinha; Garrincha, Amarildo e Zagallo (Jair Bala) (treinador: Marinho Rodrigues)

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