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Botafogo prepara pedido de recuperação judicial para reorganizar dívidas da SAF

Clube já negocia débitos da associação fora da Justiça, mas agora mira passivo bilionário acumulado na gestão de John Textor

Por Douglas Nunes em 28/01/2026 09:45 - Atualizado há 2 horas

Textor dono da SAF do Botafogo. Foto: Ruano Carneiro/Alamy Live News

O Botafogo se movimenta nos bastidores para dar um passo mais amplo no enfrentamento de sua crise financeira. Após mais de dois anos em recuperação extrajudicial com credores ligados à associação, o clube agora prepara um pedido de recuperação judicial, desta vez voltado exclusivamente às dívidas da SAF. O objetivo é reorganizar compromissos assumidos durante a gestão de John Textor e criar um novo plano de pagamento, em meio a disputas societárias e restrições esportivas que pressionam o caixa e o planejamento para a temporada.

Passivo da SAF e dimensão do problema

As estimativas internas apontam que a dívida da SAF já alcança ao menos R$ 1,5 bilhão. Desse total, cerca de R$ 700 milhões correspondem a obrigações de curto prazo, o que amplia o risco de colapso operacional. Diante desse quadro, a diretoria avalia que apenas um processo judicial estruturado pode oferecer fôlego para renegociar prazos e valores.

A intenção é levar o pedido à mesma Vara Empresarial do Rio de Janeiro que analisa a disputa entre Eagle Football e Ares. A estratégia passa por concentrar todas as discussões financeiras em um único foro, facilitando a coordenação entre credores e o acompanhamento das decisões.

Diferença em relação à recuperação extrajudicial

O Botafogo já vive como uma recuperação extrajudicial, que tem diferenças da nova que vai ser protocolado. Primeiramente por ser referente ao clube associativo.

A recuperação extrajudicial em curso teve origem em dezembro de 2023 e envolveu a associação e a Companhia Botafogo. Na ocasião, o clube apresentou um plano para reestruturar dívidas superiores a R$ 400 milhões, que foi homologado pela Justiça. Sendo assim, o processo garantiu a suspensão de execuções e abriu prazo para negociação direta com credores.

Agora, o cenário é distinto. Isso porque a nova iniciativa mira exclusivamente a SAF e suas obrigações, que cresceram de forma acelerada nos últimos anos. Ao optar pelo caminho judicial, o Botafogo busca proteção mais ampla, com regras claras para pagamentos e possibilidade de travar cobranças individuais durante a tramitação.

Contexto político e crise de comando

O movimento ocorre em meio à instabilidade envolvendo John Textor e o controle da Eagle Football. O empresário tenta estruturar empréstimos e aportes para manter influência sobre o clube, enquanto enfrenta questionamentos de credores e disputas sobre governança. A recuperação judicial surge como instrumento para blindar a operação da SAF, ao menos no curto prazo.

Internamente, a avaliação é que a medida pode reduzir riscos imediatos e dar previsibilidade ao fluxo de caixa. Além disso, o processo tende a limitar iniciativas isoladas, já que qualquer pagamento fora do plano precisa de autorização judicial.

Impactos esportivos e o transfer ban

Entre os problemas mais urgentes está o transfer ban imposto pela Fifa, que impede o registro de jogadores por três janelas. A sanção decorre de pendências financeiras e pressiona o planejamento do elenco. A entrada em recuperação judicial pode servir como argumento jurídico para suspender ou renegociar cobranças, à semelhança do que ocorreu com o Vasco em situação recente.

Pelas normas do regime, a empresa em recuperação não pode efetuar pagamentos fora do escopo definido no processo. Em contrapartida, ganha fôlego para apresentar garantias, alongar prazos e discutir débitos de forma centralizada, o que pode abrir caminho para reverter punições administrativas.

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