Eagle acusa Textor de “sequestrar” gestão da SAF do Botafogo; clube inicia cortes por crise financeira
Empresa afirma na Justiça que americano age com conivência do associativo; paralelamente, SAF promove demissões para reduzir custos
John Textor tentou se desfazer de jogadores importantes (Credit:Andre Paes)
A disputa judicial envolvendo a SAF do Botafogo ganhou um novo capítulo. Em petição apresentada na última terça-feira (11), a Eagle Bidco afirmou que John Textor “sequestrou” a gestão da SAF com a conivência do clube associativo. No mesmo documento, a empresa pede que a Justiça indefira três solicitações feitas anteriormente pelo Botafogo social.
Entre os pedidos do associativo estão a inclusão de Textor como réu na ação, o ressarcimento de R$ 155 milhões. Além de pedir a nomeação de um interventor para administrar a SAF durante a disputa.
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Acusações de “conluio” e bravatas
Segundo informações do GE, a Eagle acusa o clube social de agir em conluio com o empresário americano e de tentar mudar a narrativa no decorrer do processo.
“A mudança repentina de postura do Clube Associativo não engana. O seu suposto arrependimento, além de extemporâneo, é fabricado tão somente para esta demanda. Afinal, enquanto o Sr. Textor dissemina na mídia mentiras e bravatas sobre ‘aportes’ na SAF Botafogo, mesmo sem possuir poderes para tanto (…), o presidente do Clube Associativo (…) reuniu-se mais uma vez com o Sr. Textor e disse à imprensa que poderia apoiar mais uma das suas manobras”, diz trecho da petição.
Além disso, a empresa sustenta que não houve indicação concreta de ilegalidade por parte da Eagle que justificasse intervenção judicial.
“Até porque o poder de gestão da Eagle Bidco está atualmente sequestrado pelo Sr. Textor que, como visto, opera com conivência decisiva e diária do Clube Associativo”, acrescenta o documento.
A ação tramita desde julho de 2025. Na ocasião, a Eagle acionou a Justiça apontando “medidas ilícitas” de Textor e pedindo a suspensão de atos do dirigente no Botafogo.
Eagle questiona ressarcimento
Sobre o pedido de ressarcimento de R$ 155 milhões, a Eagle afirma desconhecer a composição do suposto dano. Além disso, questiona por que a empresa seria responsável por eventuais valores, e não a própria SAF, apontada como prejudicada.
A companhia também argumenta que as novas solicitações do associativo são “extemporâneas”. Portanto, deveriam ser discutidas em ação própria, e não dentro do processo em curso.
Resposta do Botafogo associativo
Procurada, a defesa do Botafogo social afirmou que a situação financeira e administrativa da SAF vem se deteriorando ao longo da disputa entre Eagle e Textor.
“Está aprovado e comprovado nos autos que durante todos esses meses a situação financeira e administrativa da SAF se deteriora cada vez mais, por condutas praticadas pelos sócios da Eagle que se acusam mutuamente de desvios e fraudes”, declarou.
O presidente do clube associativo, João Paulo Magalhães Lins, também se manifestou:
“O clube social lamenta as falsas acusações da Eagle. Todas as decisões do clube social são tomadas em cima de critérios técnicos e jurídicos.”
SAF promove demissões para cortar custos
Enquanto a batalha judicial se intensifica, a SAF Botafogo iniciou nesta quinta-feira (12) uma série de demissões com o objetivo de reduzir custos e buscar maior sustentabilidade financeira.
As reuniões com funcionários estão em andamento, e os cortes atingem diferentes setores, como marketing, jurídico e o programa de sócio-torcedor Camisa 7.
O novo COO do clube, Danilo Caixeiro, que responde diretamente a Textor, vinha avaliando alternativas para enxugar despesas. Além disso, contratos firmados pela SAF estão sendo revisados.
Nos bastidores, a direção entende que a redução de custos pode permitir maior eficiência operacional e direcionamento de receitas ao departamento de futebol.
Cenário financeiro delicado
O contexto financeiro do Botafogo já vinha sendo considerado sensível desde o ano passado. A SAF havia projetado redução da folha salarial do elenco, e recentemente precisou regularizar pendências trabalhistas.
O volante Danilo, contratação mais cara da história do clube, chegou a ameaçar rescindir contrato por atrasos no recolhimento do FGTS. No entanto, a situação foi normalizada em janeiro. No fim do mês passado, a SAF também quitou parcelas atrasadas de direitos de imagem dos atletas.
Em meio à crise administrativa e financeira, o Botafogo volta a campo nesta quinta-feira, às 19h30, para enfrentar o Fluminense no Maracanã. O compromisso é válido pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro.

