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Ministério Público apoia Leila Pereira em disputa judicial com Dudu

Parecer aponta que declarações da presidente do Palmeiras foram duras, porém não configuraram ofensa criminal ao atacante

Por Douglas Nunes em 18/02/2026 14:06 - Atualizado há 4 horas

Leila Pereira em jogo do Palmeiras (Foto: Brazil Photo Press/Alamy Live News)

O conflito entre dirigentes e jogadores voltou ao centro do debate jurídico no futebol brasileiro. Desta vez, o Ministério Público de São Paulo se posicionou a favor de Leila Pereira em uma disputa judicial contra o atacante Dudu. O parecer afirma que as declarações da presidente do Palmeiras foram “fortes e ácidas”, mas permaneceram dentro dos limites legais da crítica. A decisão reacende discussões sobre liberdade de expressão no ambiente esportivo e sobre até onde vai o direito de opinião em conflitos públicos.

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Parecer do Ministério Público mantém decisão anterior

O Ministério Público analisou o recurso apresentado por Dudu, que buscava reverter a rejeição de uma queixa-crime contra a dirigente. No entanto, a procuradora responsável pelo caso concluiu que não houve elementos suficientes para caracterizar injúria ou difamação. Assim, o órgão manteve o entendimento já adotado pela Justiça paulista.

Segundo o parecer, as falas de Leila ocorreram em um cenário de disputa aberta entre as partes. Por isso, o contexto foi considerado essencial para a análise jurídica. Além disso, o documento destaca que críticas públicas, mesmo quando contundentes, não se tornam crime automaticamente.

A promotoria avaliou que a dirigente comparou comportamentos de atletas e apresentou opiniões pessoais. Dessa forma, não houve intenção clara de atacar a honra do jogador. O texto ressalta que manifestações duras podem existir em debates públicos, especialmente quando envolvem interesses esportivos e administrativos.

“Como se vê, em nenhuma das manifestações da querelada (Leila) se infere a presença de elementos que justificassem o reconhecimento de abuso ou transgressão dos limites legais da crítica, ainda que contundentes e incisivas, todas elas feitas em um contexto de disputa jurídica acirrada entre as partes”, disse o Ministério Público.

Declarações analisadas e contexto do conflito

Entre os pontos analisados estavam entrevistas concedidas por Leila Pereira em janeiro de 2025. Na ocasião, ela afirmou que o atacante teria causado prejuízo financeiro ao clube após recuar em uma negociação envolvendo transferência. Também declarou que o jogador deixou o Palmeiras pela “porta dos fundos”.

Embora as frases tenham gerado forte repercussão, o Ministério Público entendeu que elas foram feitas em meio a um conflito já conhecido pelo público. Portanto, as declarações foram interpretadas como críticas ligadas à gestão esportiva e não como ataques pessoais.

Outro ponto levantado pela defesa do atleta envolvia a fala em que a dirigente sugeriu ter sido tratada de determinada maneira por ser mulher. Ainda assim, o parecer afirma que a declaração não atribuiu ao jogador qualquer rótulo criminal ou ofensivo específico.

Justiça já havia rejeitado ação criminal

Antes da manifestação do Ministério Público, a Justiça de São Paulo já havia decidido contra a abertura da ação penal. A juíza responsável avaliou que a presidente do clube exerceu seu direito de expressão, sem ultrapassar limites legais.

Na decisão, o tribunal destacou que entrevistas coletivas costumam ocorrer em ambientes de tensão e exposição pública. Assim, críticas feitas nesse contexto precisam ser analisadas com cautela. O entendimento foi de que não houve intenção deliberada de difamar o atleta.

Dudu havia protocolado a ação alegando danos à própria reputação. Ele solicitou punição com base nos artigos do Código Penal relacionados à honra. Contudo, a Justiça concluiu que as declarações não configuraram crime.

Disputa continua na esfera cível

Apesar do avanço favorável à dirigente na esfera criminal, o embate judicial entre as partes ainda está longe do fim. Atualmente, Leila Pereira e Dudu seguem envolvidos em outro processo, desta vez na Justiça cível.

Nesse novo caso, a presidente do Palmeiras pede indenização por danos morais no valor de R$ 500 mil. Em resposta, o jogador também apresentou pedido semelhante contra a dirigente. As ações tramitam paralelamente e ainda aguardam novos desdobramentos.

Enquanto o processo segue em andamento, o episódio evidencia como divergências esportivas podem ultrapassar os gramados. Além disso, decisões judiciais recentes reforçam a linha tênue entre crítica pública e ofensa pessoal no futebol profissional brasileiro.

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