Botafogo vive tensão: decisão de Textor sobre SAF pode levar dívida a R$ 3 bilhões
Acordo com empresa estrangeira e cessão de ativos geram questionamentos no clube
John Textor vive situação complicada (Crédito: Wagner Meier/Getty Images)
A recente movimentação interna da SAF do Botafogo voltou a gerar forte repercussão nos bastidores do clube. Isso porque uma decisão tomada por John Textor ampliou ainda mais o debate sobre a gestão financeira e jurídica da companhia, especialmente diante de um cenário que pode envolver uma dívida próxima de R$ 3 bilhões.
Decisão de Textor e empréstimo milionário
Durante uma reunião do Conselho de Administração realizada em fevereiro, foi definido que o próprio Textor teria autonomia para representar sozinho a SAF do Botafogo em um acordo de financiamento internacional. O contrato envolve um empréstimo de aproximadamente US$ 25 milhões (cerca de R$ 131 milhões), firmado com a empresa GDA Luma, especializada na recuperação de negócios.
Essa autorização ocorreu logo após a saída de Thairo Arruda do cargo de CEO. Além disso, o ex-dirigente recebeu quitação total por sua gestão, conforme descrito no documento oficial, encerrando qualquer responsabilidade sobre atos realizados durante seu período no comando.
Por outro lado, a diretoria da SAF do Botafogo trata a decisão como um procedimento padrão, já que, com a saída de Thairo, Textor passou a ser o único representante legal da empresa.
Garantias e controle de ativos
Outro ponto central envolve a estrutura de garantias oferecidas no acordo. Foi aprovada uma cessão fiduciária, mecanismo pelo qual a Botafogo SAF transferiu direitos relevantes ao credor até a quitação da dívida.
Entre os ativos envolvidos estão:
- Receitas provenientes de transferências de atletas
- Direitos econômicos futuros
- Bens móveis e imóveis
- Participação acionária da Eagle na empresa
Além disso, foi concedida uma procuração que permite à credora atuar em nome da SAF do Botafogo em determinadas situações. Segundo a gestão, essa prática é comum em operações financeiras desse porte e não representa perda de controle imediato.
Ainda assim, críticos da medida enxergam riscos. Isso porque, em caso de inadimplência, a empresa credora poderia executar diretamente esses ativos, o que aumentaria a vulnerabilidade financeira do clube.
Divergências e risco de disputa judicial
Enquanto a diretoria defende a legalidade do processo, opositores avaliam que as decisões podem ter como objetivo proteger a gestão de um eventual processo de recuperação judicial.
Outro ponto controverso envolve a adoção da legislação suíça para receitas relacionadas a transferências de jogadores. A medida inclui valores fixos, bônus e percentuais de revenda. Para críticos, essa estratégia pode indicar tentativa de blindagem patrimonial fora do Brasil.
Diante desse cenário, cresce a possibilidade de contestação na Justiça. Um dos principais argumentos é que a Botafogo SAF não poderia comprometer seu patrimônio sem autorização prévia judicial, conforme decisão liminar ainda vigente.
Posição do clube associativo
Representantes do clube social contestam diretamente as ações recentes. Mesmo com a presença de Durcésio Mello na reunião, que optou por não votar, o entendimento é que isso não substitui a obrigação de comunicação ao Judiciário.
Em meio ao impasse, o advogado Leonardo Antonelli, que representa o associativo, declarou que:
– A SAF insiste em permanecer descumprindo o acordo de acionistas, não obstante permanecer em vigor a decisão do TJRJ que determinou a suspensão de todos os atos relativos a vendas e negociação de ativos e de quaisquer outros atos com reflexos econômicos.
Cenário segue indefinido
Por fim, o caso envolvendo a Botafogo SAF, Textor e o empréstimo milionário ainda está longe de um desfecho. A tendência é que os próximos capítulos se desenrolem no âmbito judicial, o que pode impactar diretamente o futuro financeiro e administrativo do clube.

