Jorge Jesus aponta que medo de morrer no Brasil o fez deixar o Flamengo
Técnico português afirma que decidiu deixar o clube durante a pandemia após período de isolamento no Rio
Técnico Jorge jesus. Foto: SOPA Images Limited/Alamy Live News
A saída de Jorge Jesus do Flamengo, em 2020, voltou a ganhar destaque após uma nova declaração do treinador português. Em coluna publicada no jornal Record, de Portugal, o técnico revelou que o medo provocado pela pandemia de Covid-19 no Brasil foi determinante para sua decisão de deixar o clube naquele momento.
Segundo Jesus, o cenário de incerteza e a forma como a doença se espalhava no país o fizeram repensar sua permanência no Rio de Janeiro. O treinador explicou que passou dias isolado após um teste positivo e que a situação gerou forte preocupação com sua própria segurança. Dessa forma, o português decidiu retornar à Europa para ficar mais próximo de sua família.
Isolamento durante a pandemia marcou decisão
Jorge Jesus relatou que enfrentou momentos difíceis enquanto permanecia isolado em seu apartamento no Rio de Janeiro. De acordo com ele, os protocolos adotados naquele período aumentaram ainda mais a sensação de insegurança.
O treinador contou que precisou ficar sozinho após um teste positivo para Covid-19, enquanto aguardava novos exames.
“Meu primeiro teste deu positivo e o segundo deu inconclusivo. Por precaução fui trancado no apartamento, sozinho”, escreveu.
Durante o isolamento, médicos visitavam o técnico usando roupas de proteção. Ao mesmo tempo, funcionários do clube deixavam comida na porta do apartamento para evitar contato direto.
Técnico diz que se sentia preso
Ainda na coluna, Jorge Jesus descreveu a rotina durante o isolamento e afirmou que o ambiente se tornou angustiante. Segundo ele, a situação criou uma sensação constante de medo.
Os cuidados sanitários, somados às notícias sobre o avanço da pandemia, intensificaram a preocupação do treinador.
“Os médicos me visitavam vestidos com roupas anti contágio e os funcionários deixavam a comida na porta. Tocavam e saíam antes de eu abrir. Sentia-me numa prisão”, relatou.
Ao acompanhar as notícias sobre a crise sanitária no país, o português passou a enxergar a situação com ainda mais apreensão.
Medo da morte pesou na decisão
Com o agravamento da pandemia e o aumento das incertezas, Jorge Jesus afirmou que decidiu deixar o Brasil. O treinador explicou que o receio em relação à doença teve influência direta nessa escolha. Segundo ele, naquele momento a Covid-19 parecia representar um risco extremo.
“Via as notícias e, no Brasil, a Covid parecia sentença de morte”, escreveu.
Diante desse cenário, o técnico optou por retornar a Portugal, onde posteriormente assumiu o comando do Benfica.
Treinador diz que poderia ter continuado
Mesmo após anos desde sua saída, Jorge Jesus acredita que sua história no Flamengo poderia ter sido diferente sem a pandemia. O treinador afirmou que estava confortável no clube e satisfeito com o trabalho realizado.
“Sem a pandemia, talvez estivesse até hoje no Flamengo”, declarou.
Técnico destaca dimensão do Flamengo
Na coluna publicada no jornal português, Jorge Jesus ressaltou a grandeza do Flamengo e o impacto que o clube teve em sua trajetória. Para ele, a dimensão da torcida rubro-negra ajudou a tornar a experiência ainda mais marcante.
“O maior clube que eu treinei foi o Flamengo. Segundo estudos, só o Barcelona supera a Nação rubro-negra em número de torcedores”, escreveu.
Ao mesmo tempo, o treinador destacou que a dimensão do clube também traz um nível elevado de cobrança. Segundo ele, a disputa constante com rivais nacionais aumenta a pressão por resultados.
Mesmo assim, Jesus relembrou com entusiasmo o ambiente vivido durante sua passagem pelo futebol brasileiro.
Relação com elenco de 2019 marcou trabalho
Além de destacar a torcida, o treinador também comentou a relação que construiu com os jogadores do elenco campeão de 2019. De acordo com ele, o grupo demonstrava grande interesse pelo trabalho desenvolvido nos treinamentos.
O técnico explicou que os atletas frequentemente buscavam entender melhor os métodos utilizados pela comissão técnica.
“Foi o grupo que mais se interessou e se preocupou comigo. Queriam saber o porquê dos exercícios e das conversas durante o treino”, afirmou.
Segundo ele, esse interesse facilitava o trabalho diário e contribuía para o desenvolvimento da equipe dentro de campo.
Campanha histórica marcou passagem
Durante o período em que comandou o Flamengo, Jorge Jesus construiu uma das campanhas mais marcantes da história recente do clube. Entre julho de 2019 e abril de 2020, a equipe conquistou cinco títulos importantes.
Naquele intervalo, o Flamengo levantou os troféus do Campeonato Brasileiro, da Libertadores, do Campeonato Carioca, da Supercopa do Brasil e da Recopa Sul-Americana.
Além das conquistas, os números também chamaram atenção. O treinador encerrou sua passagem com 44 vitórias, 10 empates e apenas quatro derrotas, alcançando 81,6% de aproveitamento.
Esses resultados colocaram o português entre os técnicos com melhor desempenho da história recente do clube.
Atualmente o Flamengo é treinado por outro português, Leonardo Jardim. O novo comandante recebeu autonomia da diretoria, com um estilo de gestão semelhante ao que teve Jorge Jesus.

