Lyon revela cobrança de R$ 727 milhões contra o Botafogo e expõe ação envolvendo Textor
Clube francês afirma que recebeu garantias ligadas à SAF alvinegra sem autorização prévia
John Textor tem enfrentado problemas no Botafogo (Crédito: Alamy Live News)
A briga entre Botafogo e Lyon ganhou um novo capítulo nesta terça-feira. Em relatório financeiro divulgado pela equipe francesa, o clube europeu informou que possui 126 milhões de euros — cerca de R$ 727 milhões na cotação atual — a receber da SAF carioca. Além disso, o documento aponta uma previsão de perda parcial do valor devido, diante do risco de inadimplência identificado.
Segundo o relatório, o clube francês já contabiliza uma desvalorização estimada em 86 milhões de euros, aproximadamente R$ 496 milhões. O Olympique Lyonnais adotou a medida porque entende que dificilmente conseguirá recuperar toda a quantia neste momento.
A situação amplia ainda mais o embate financeiro entre os dois clubes ligados ao grupo Eagle Football. Isso porque o Botafogo também acionou a Justiça do Rio de Janeiro recentemente para cobrar cerca de R$ 745 milhões da equipe francesa.
Relatório aponta risco financeiro envolvendo o Botafogo
No documento publicado pelo clube europeu, o texto detalha que a perda financeira está diretamente relacionada aos créditos vinculados ao clube carioca.
— A depreciação, a amortização e provisões líquidas totalizaram €158,6 milhões em 31 de dezembro de 2025 (€47,6 milhões em 31 de dezembro de 2024), incluindo, em particular, um total de €126,2 milhões em perdas por impairment (redução ao valor recuperável) sobre créditos a receber (do Botafogo) relacionados ao risco de inadimplência identificado em partes relacionadas — diz trecho do relatório.
Além da cobrança milionária, o Lyon também afirma que John Textor realizou movimentações financeiras utilizando garantias ligadas ao clube francês sem o conhecimento prévio da diretoria da equipe europeia.
Lyon acusa Textor de emitir garantias sem conhecimento do clube
De acordo com o relatório, John Textor — ex-gestor da SAF do Botafogo e diretor da Eagle Bidco — teria emitido garantias em nome da Eagle Football Group e também da subsidiária OL SASU.
Segundo os franceses, John Textor usou essas garantias para cobrir obrigações assumidas tanto pelo clube carioca quanto pelo RWD Molenbeek.
O documento destaca ainda que as operações não haviam aparecido em demonstrações financeiras anteriores justamente porque o Lyon não tinha conhecimento prévio da existência delas.
Uma das garantias mencionadas seria ligada à contratação de um atleta realizada pelo Botafogo em março de 2024. Conforme o relatório, a operação envolvia uma empresa de factoring associada ao clube vendedor do jogador.
Já a segunda garantia teria sido emitida em abril de 2025, novamente envolvendo a mesma instituição financeira. Desta vez, segundo o clube francês, a garantia estaria diretamente vinculada a um empréstimo relacionado à SAF alvinegra.
— Com base nas informações atualmente disponíveis, trata-se aparentemente de uma garantia sob a legislação inglesa datada de abril de 2025, assinada pela OL SASU, em favor da mesma instituição da garantia anterior, mas desta vez atuando como credora do Botafogo SAF, para cobrir quaisquer valores pendentes devidos pelo Botafogo em relação a esse empréstimo (valor máximo inicial: cerca de €30 milhões; valor que o beneficiário reservou-se o direito de exigir da OL SASU: €14,8 milhões) — diz trecho, que segue:
— Essa garantia assegura o mesmo empréstimo como um suposto crédito, cedido em garantia pelo Botafogo ao mesmo beneficiário, relacionado a valores devidos em razão de transferências de jogadores entre Botafogo e OL que nunca chegaram a ocorrer.
Justiça do Rio também entrou no caso
Outro ponto destacado pelo relatório financeiro é que o Lyon afirma não ter sido oficialmente notificado sobre processos envolvendo o Botafogo na Justiça do Rio de Janeiro.
Entretanto, em abril, a Justiça determinou que o clube francês realizasse o pagamento de R$ 122 milhões em até três dias. A decisão intensificou ainda mais a disputa jurídica e financeira entre as equipes ligadas ao conglomerado de John Textor.
Com isso, a crise envolvendo a dívida do Botafogo com o Lyon segue aumentando e pode gerar novos desdobramentos judiciais nos próximos meses.

