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Reformulação pesa no caixa e Grêmio fecha trimestre com déficit de R$ 124 milhões

Rescisões de contratos e custos acumulados da reformulação do elenco impactam as finanças do clube e aumentam a pressão por novas receitas

Por Douglas Nunes em 31/05/2026 13:21 - Atualizado há 2 horas

Carlos Vinícius (Grêmio) em partida contra a Chapecoense, no dia 16 de março de 2026 (Crédito: Associated Press / Alamy Stock Photo)

O Grêmio promoveu uma ampla reformulação no elenco no início de 2026. No entanto, além de mudar a equipe dentro de campo, o clube também assumiu um alto custo financeiro. Como resultado, o Tricolor encerrou o primeiro trimestre da temporada com déficit de R$ 124 milhões.

Grande parte desse resultado está ligada às rescisões contratuais realizadas nos primeiros meses do ano. Embora os pagamentos ocorram de forma parcelada, as regras contábeis obrigam o clube a registrar todo o valor imediatamente no balanço. Dessa forma, o impacto apareceu de uma só vez nas contas da temporada.

A situação é semelhante ao do rival gaúcho. Isso porque o Internacional também passa por problemas financeiros.

Grêmio acelerou reformulação e assumiu custo imediato

A diretoria optou por acelerar a renovação do elenco e encerrou contratos de diversos atletas que perderam espaço no planejamento esportivo.

Entre os jogadores que deixaram o clube estão Jemerson, Rodrigo Ely, Tiago Volpi, Felipe Carballo, Edenilson, Cuéllar, Mila e Cristaldo. Juntas, essas rescisões geraram um impacto de aproximadamente R$ 45 milhões.

Por outro lado, o Grêmio entende que a medida reduz despesas futuras. Afinal, se os contratos fossem mantidos até o fim, o clube precisaria desembolsar cerca de R$ 95 milhões nos próximos anos. Assim, a diretoria preferiu absorver um custo elevado agora para aliviar compromissos mais adiante.

Contratações antigas também aumentaram as despesas

Além das rescisões, o clube continuou pagando valores relacionados a contratações realizadas em temporadas anteriores.

Luvas, parcelas de negociações e outros compromissos assumidos em 2025 ampliaram o peso da reformulação sobre o orçamento. Com isso, o impacto total das mudanças no elenco chegou à casa dos R$ 60 milhões.

Consequentemente, o déficit apresentado no primeiro trimestre reflete não apenas as saídas recentes, mas também uma política de investimentos adotada nos últimos anos.

Conselho faz alerta e cobra maior controle financeiro

Diante dos números apresentados, o Conselho Deliberativo passou a discutir alternativas para evitar que a situação se agrave ao longo da temporada.

Durante uma reunião recente, a Comissão de Assuntos Financeiros destacou a necessidade de revisar a política de investimentos no futebol. Segundo o parecer, o acúmulo de gastos com contratações passou a pressionar o fluxo de caixa e exige maior equilíbrio entre receitas e despesas.

Além disso, o relatório aponta preocupação com as exigências de fair play financeiro, tema que ganha cada vez mais relevância no futebol sul-americano e mundial.

Clube busca novas receitas e pode vender jogadores

Enquanto tenta reorganizar as finanças, o Grêmio também trabalha para ampliar suas fontes de arrecadação.

Entre as alternativas discutidas internamente estão o aumento das receitas geradas pela Arena e a realização de vendas estratégicas na próxima janela de transferências. Dessa maneira, o clube pretende reforçar o caixa sem comprometer a competitividade da equipe.

Agora, a diretoria enfrenta um desafio duplo. Ao mesmo tempo em que busca resultados esportivos, precisa recuperar o equilíbrio financeiro. Por isso, as próximas movimentações no mercado podem ser decisivas para o planejamento do restante da temporada.

O balanço do primeiro trimestre mostra que a reformulação teve um custo elevado. Em contrapartida, o Grêmio aposta que as mudanças trarão retorno esportivo e ajudarão a construir uma estrutura financeira mais sustentável nos próximos anos.

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