Alisson rebate críticas e revela maior obsessão na Seleção
Goleiro relembra eliminações em Copas do Mundo, minimiza cobranças individuais e afirma que seu maior objetivo é entrar para a história
Alisson deve ser o goleiro titular da seleção brasileira em mais uma Copa do Mundo (foto: Rafael Ribeiro/CBF)
Alisson chega à Copa do Mundo de 2026 como um dos jogadores mais experientes da Seleção Brasileira. Será seu terceiro Mundial consecutivo como titular. Ainda assim, o goleiro garante que não pensa em recordes, números ou em uma possível participação futura na competição.
Depois de viver duas eliminações dolorosas em 2018 e 2022, o camisa 1 quer transformar a experiência acumulada em um título que ainda falta em sua carreira.
“Eu me sinto honrado de chegar a essa marca dos goleiros que estiveram em três Copas do Mundo, mas quero entrar no outro grupo. Quero estar nos campeões de uma Copa. Com os outros 25 convocados. Esse é meu foco e a coisa mais importante no momento.”
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Críticas das últimas Copas ainda aparecem, mas não mudam sua confiança
O nome de Alisson costuma voltar ao debate sempre que se fala das eliminações brasileiras nos últimos Mundiais.
Em 2018, parte das críticas se concentrou no gol marcado por Kevin De Bruyne na derrota para a Bélgica. Quatro anos depois, muitos torcedores questionaram sua participação na eliminação para a Croácia nos pênaltis.
O goleiro, porém, afirma que aprendeu a lidar com esse tipo de cobrança.
“O futebol não permite ficar remoendo derrotas, frustrações ou até erros. Quando se perde uma Copa do Mundo não se perde por causa de um jogador, temos a responsabilidade compartilhada aqui. É óbvio que em momentos específicos precisamos que os jogadores sobressaiam e temos jogadores para isso. Reconhecer a qualidade do adversário faz parte do jogo.”
Alisson também deixou claro que esses episódios não interferem na sua preparação para a Copa de 2026.
“Não sei a intenção de quem critica ou traz à tona ainda esse tipo de questão. Isso de maneira nenhuma me assombra ou tira minha confiança de que estou fazendo o trabalho da maneira certa e me dedico.”
Ao mesmo tempo, admitiu que existe uma frustração que continua presente.
“O trabalho é muito forte, mas o futebol não é ciência exata. Se fosse assim, talvez teríamos vencido muito mais do que cinco Copas do Mundo. O que mais me incomoda de tudo isso é não ter vencido.”
Experiência virou combustível para uma nova tentativa
Se em 2018 Alisson chegava ao Mundial como um goleiro em ascensão, hoje o cenário é diferente.
Além de ter conquistado títulos importantes pelo Liverpool, ele se tornou uma das principais lideranças do elenco brasileiro. Por isso, acredita que o grupo está mais preparado para lidar com a pressão de uma Copa do Mundo.
Segundo o goleiro, os momentos difíceis vividos ao longo do ciclo ajudaram a fortalecer a equipe.
“Nós escolhemos que isso nos fortalecesse e unisse ainda mais, principalmente os jogadores mais experientes, que em determinado momento tiveram que assumir uma responsabilidade ainda maior do que um jogador já tem.”
Ele também destacou que muitos atletas disputarão o segundo Mundial da carreira, fator que pode fazer diferença em uma competição tão curta.
“Criamos uma conexão muito boa e acho que muitos jogadores vêm já para a sua segunda Copa do Mundo. Isso nos favorece, nos traz benefícios.”
Ancelotti é visto como peça-chave no ambiente da Seleção
Outro tema abordado por Alisson foi o impacto de Carlo Ancelotti no grupo. O goleiro elogiou a forma como o treinador conduz o ambiente e destacou a simplicidade das ideias implementadas desde sua chegada.
“Ele é resiliente, humilde, tem uma inteligência para escolher as palavras no momento certo de falar. É um grande gestor e tem uma ideia clara de futebol. É uma ideia simples, objetiva e que facilita nosso estilo de jogo.”
Mais do que os aspectos táticos, Alisson acredita que a postura do treinador ajuda a transmitir confiança para o elenco.
“Ele venceu tudo no futebol e está aqui com entusiasmo. Eu consigo ver a alegria e a gratidão nele de ser o treinador da Seleção. Dá para perceber isso todos os dias.”
Brasil chega confiante para a estreia
Apesar das dúvidas que cercaram a Seleção durante parte do ciclo, Alisson garante que o ambiente interno é de confiança. O goleiro reconhece que favoritismo não garante resultados, mas acredita que o Brasil reúne condições para disputar o título.
“Favoritismo não garante nada para ninguém. Nós sabemos da responsabilidade do peso da camisa. Mas também é um privilégio vestir essa camisa.”
Na reta final da preparação, o discurso dentro da delegação é de confiança.
“Chegamos confiantes. Pelos treinamentos, pelo trabalho, pela qualidade e pelo que estamos nos tornando como equipe. Esperamos que tudo isso dê resultado já no primeiro jogo.”

