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Europa avalia boicote à Copa do Mundo após plano da Fifa para atrair investidores

Federações criticam proposta da Fifa e estudam medidas para impedir a criação de uma empresa que administrará as principais competições da entidade

Por Douglas Nunes em 28/07/2026 17:06 - Atualizado há 1 hora

Inglaterra x Argentina tem uma imensa rivalidade que envolve guerra e jogos de Copa do Mundo (Foto: Craig Mercer/ Alamy Live News)

As federações europeias discutem a possibilidade de boicotar a próxima Copa do Mundo. Segundo a emissora inglesa Sky Sports, a medida seria uma resposta ao plano apresentado pela Fifa para criar uma empresa responsável pela operação comercial de suas principais competições.

A Fifa divulgou a proposta nesta terça-feira e provocou forte reação da Uefa. A entidade europeia avalia que a iniciativa ameaça a atual forma de administração do futebol.

Uefa organiza reunião para definir próximos passos

De acordo com a Sky Sports, as associações nacionais filiadas à Uefa já iniciaram conversas sobre um possível boicote.

Uma reunião virtual está prevista para os próximos dias. O objetivo é definir uma estratégia conjunta para tentar impedir que a Fifa avance com o projeto.

A discussão ganhou ainda mais peso porque a Copa do Mundo de 2030 terá Espanha e Portugal entre os principais países-sede.

Fifa quer criar empresa para administrar competições

O centro da discussão é a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE). Isso porque a nova empresa ficará responsável pela gestão comercial das principais competições da entidade. Entre elas estão a Copa do Mundo masculina e a Copa do Mundo de Clubes.

A Fifa pretende manter o controle da companhia. No entanto, planeja vender participações minoritárias para investidores privados.

Segundo a entidade, a empresa pode ser avaliada em cerca de US$ 20 bilhões. Com isso, a venda de aproximadamente US$ 4,2 bilhões em ações manteria a Fifa como acionista majoritária.

Fifa promete aumentar repasses às federações

A Fifa afirma que o investimento privado permitirá ampliar as receitas com direitos de transmissão e contratos de patrocínio. Além disso, a entidade promete aumentar os valores distribuídos às federações nacionais.

Atualmente, cada associação recebe cerca de R$ 41 milhões por ciclo. Caso o projeto seja aprovado, esse valor poderá subir para R$ 102 milhões até a Copa de 2030. Depois, poderá chegar a R$ 112,5 milhões no ciclo seguinte e a R$ 123 milhões até 2038.

Segundo a Fifa, o objetivo é fortalecer o desenvolvimento do futebol em todos os continentes.

Uefa critica falta de transparência

A Uefa se posicionou contra o projeto logo após o anúncio da Fifa. Em nota oficial, a entidade afirmou que a proposta ultrapassa um limite que as organizações do futebol não deveriam cruzar. Também criticou a falta de transparência sobre quem poderá lucrar com a operação.

Para a entidade europeia, o futebol não deve ser tratado como um ativo comercial sujeito à venda para investidores privados.

A discussão ainda está em andamento. Enquanto isso, a possibilidade de um boicote europeu aumenta a pressão sobre a Fifa antes da implementação do projeto.

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