Brasileiro assume como técnico de gigante argentino e encerra jejum de 42 anos no país
O Independiente fechou a contratação do técnico Jádson Viera. Gaúcho de Santana do Livramento e naturalizado uruguaio, o treinador de 45 anos construiu quase toda a carreira no país vizinho. Sua chegada a Avellaneda encerra um hiato de 42 anos sem profissionais brasileiros no comando de clubes da elite argentina, marca que durava desde a passagem de Dino Sani pelo Boca Juniors, em 1984.
Jádson Vieira. Foto: Walmir Cirne/AGIF (via AP)
Jádson Viera assume o Independiente após título no Uruguai
O Independiente fechou a contratação do técnico Jádson Viera, gaúcho de Santana do Livramento com carreira quase toda construída no futebol uruguaio. Aos 45 anos, ele assume o clube de Avellaneda meses após deixar o Nacional, onde conquistou o campeonato nacional em sua última passagem.
A escolha chama atenção pelo peso histórico: Jádson quebra um jejum de 42 anos sem treinadores brasileiros na elite argentina. O último a trabalhar na primeira divisão do país vizinho foi Dino Sani, em 1984.
O acerto também marca o reencontro do Independiente com um comandante do Brasil. Na década de 1960, Oswaldo Brandão teve passagem marcante pelo banco de reservas do Rei de Copas.
Novo técnico do Independiente teve passagem pelo Vasco
Antes da prancheta, Jádson fez carreira como zagueiro. Criado no futebol uruguaio, defendeu camisas pesadas como Danubio, Peñarol e Nacional, além de obter a cidadania local.
No Brasil, sua passagem mais lembrada foi em 2010, quando vestiu a camisa do Vasco logo após se destacar pelo Danubio. Foi no próprio Uruguai que ele pendurou as chuteiras e iniciou a transição para a comissão técnica.
Brasileiro não comandava clube da elite argentina desde 1984
Se o futebol brasileiro virou porto seguro para nomes como Jorge Sampaoli, Ramón Díaz, Eduardo Coudet e Edgardo Bauza, o caminho inverso virou raridade absoluta.
A última experiência de um brasileiro na primeira divisão argentina foi a conturbada passagem de Dino Sani pelo Boca Juniors, em 1984. Pegando o clube em grave crise financeira, o campeão do mundo de 58 durou apenas 16 partidas no cargo — marca que incluiu os 9 a 1 sofridos diante do Barcelona no Troféu Joan Gamper.
Brasileiros já comandaram Boca, River e Independiente
Apesar do longo hiato recente, a presença brasileira na Argentina já teve capítulos de peso. Isso porque Vicente Feola comandou o Boca Juniors em 1961, anos depois de erguer a Taça do Mundo com a Seleção.
Na década seguinte, entre 1970 e 1972, foi a vez de Didi dirigir o River Plate. Embora nenhum dos dois tenha conquistado títulos por lá, ajudaram a pavimentar uma história que agora ganha um novo capítulo com Jádson Viera.
Os maiores sucessos brasileiros no país vieram anteriormente com Oswaldo Brandão e Tim. Curiosamente, Brandão construiu justamente no Independiente uma das passagens mais marcantes de um técnico brasileiro pelo futebol argentino.
Oswaldo Brandão fez história no novo clube de Jádson Viera
Ídolo de Corinthians e Palmeiras, Oswaldo Brandão levou o Independiente ao título argentino de 1967 com impressionantes 87% de aproveitamento. Para completar a campanha, a conquista ficou marcada por uma goleada por 4 a 0 sobre o Racing, maior rival do clube e então campeão mundial.
O desempenho rendeu ao brasileiro o apelido de “El Maestro”. No ano seguinte, o San Lorenzo tentou contratá-lo. Brandão, porém, indicou outro brasileiro para assumir o cargo: Tim.
A escolha também deu resultado. Considerado um dos grandes estrategistas do futebol brasileiro, Tim comandou o San Lorenzo na conquista do Campeonato Argentino de 1968. Além disso, aquela equipe se tornou a primeira campeã invicta da era profissional do futebol argentino.

