CBF prepara projeto diferente para tentar mudar a arbitragem brasileira
Entidade pretende buscar jovens que não conseguiram seguir carreira como jogadores
O presidente da CBF confirmou que a renovação de Carlo Ancelotti está por detalhes (Foto: Thiago Ribeiro/AGIF)
A CBF prepara uma nova estratégia para renovar a arbitragem brasileira. A entidade pretende selecionar jovens que tentaram seguir carreira como jogadores, mas não conseguiram chegar ao futebol profissional.
A ideia é oferecer uma segunda oportunidade para esses atletas dentro do esporte. Em vez de abandonar o futebol, eles poderão receber treinamento e formação para iniciar uma carreira como árbitros.
CBF quer aproveitar jovens que ficaram pelo caminho
Ricardo Gluck Paul, vice-presidente da CBF, explicou o projeto em entrevista ao “ge”. Segundo o dirigente, a entidade ainda discute qual será a idade máxima para participar da seleção. A tendência é estabelecer um limite entre 21 e 22 anos.
A CBF pretende buscar principalmente jogadores que passaram pelas categorias de base, mas não conseguiram um contrato profissional. Para Gluck Paul, a experiência adquirida dentro de campo pode ajudar na formação desses novos árbitros.
“Estamos discutindo se até 21 ou 22 anos. Muitos atletas que jogam bola não vão virar profissionais. Eles vão ficar pelo meio do caminho. Esse cara fica desolado, não pintou um contrato. Nossa ideia é falar: ‘vamos ser árbitros’. Quem jogou futebol tem uma visão totalmente diferente e melhor”, afirmou.
Seleção terá testes físicos e psicotécnicos
A entrada no projeto não acontecerá automaticamente. Primeiramente, a CBF pretende realizar um processo seletivo para identificar os candidatos com melhores condições para seguir carreira na arbitragem.
Os participantes passarão por testes físicos, exames de visão e avaliações psicotécnicas. Depois dessa etapa, a entidade pretende selecionar entre 30 e 40 jovens para iniciar a formação.
“Nossa ideia é fazer uma seleção, com testes físicos, psicotécnico, de vista, selecionar 30 ou 40 caras. Nós vamos formar esses árbitros, pagar o curso de arbitragem e fortalecer esse processo junto à comissão nacional”, explicou Gluck Paul.
CBF vai pagar formação dos escolhidos
Depois da seleção, a própria CBF pretende financiar a preparação dos candidatos. A entidade trabalhará em conjunto com a Comissão Nacional de Arbitragem durante o processo de formação.
Dessa forma, os escolhidos poderão realizar o curso sem assumir os custos da preparação. Ao mesmo tempo, a CBF pretende acompanhar o desenvolvimento dos novos árbitros até que estejam preparados para trabalhar em competições.
O projeto também busca criar um grupo com características diferentes da formação tradicional. A experiência anterior como jogador aparece como um dos principais pontos da proposta.
Projeto mira resultados em dois anos
A CBF trabalha com um prazo relativamente curto para começar a aproveitar os novos profissionais. De acordo com Ricardo Gluck Paul, a expectativa é ter os primeiros integrantes preparados dentro de aproximadamente dois anos.
“Nos próximos dois anos, vamos nos servir dessa elite que formarmos agora, de árbitros-atletas”, afirmou o vice-presidente da entidade.
Assim, caso o planejamento avance, jovens que não conseguiram seguir como jogadores poderão encontrar outro caminho dentro do futebol. Ao mesmo tempo, a CBF espera criar uma nova geração de árbitros com experiência prévia dentro das quatro linhas.

