Corinthians paga R$ 16,4 milhões de RCE, mas dívida aumenta
Inclusão de novos valores fizeram saldo do RCE crescer mesmo após cinco meses de pagamentos realizados pelo clube
Osmar Stabile entrou no Corinthians em agosto e tenta organizar as finanças do clube (Crédito: Brazil Photo Press/Alamy Live News)
O Corinthians desembolsou R$ 16,4 milhões nos cinco primeiros meses do Regime Centralizado de Execuções (RCE). Mesmo assim, o saldo das dívidas incluídas no plano aumentou e chegou a R$ 237,4 milhões, segundo atualização divulgada pelo clube e publicada pelo ge.
Quando iniciou os pagamentos, o Corinthians considerava uma dívida de R$ 224,9 milhões. Portanto, apesar dos R$ 16,4 milhões já destinados aos credores, o saldo atual está R$ 12,5 milhões acima daquele patamar.
Motivos do aumento da dívida do Corinthians
O crescimento acontece principalmente porque os débitos não permanecem congelados durante o período de pagamento. A atualização pela taxa Selic aumenta os valores enquanto o Corinthians cumpre as parcelas previstas no acordo.
Além disso, o clube precisou acrescentar novos valores relacionados a dois credores que já participavam do RCE. Dessa forma, os R$ 16,4 milhões pagos nos primeiros cinco meses não foram suficientes para compensar as correções e inclusões.
O aumento também mostra que o Corinthians precisa lidar não apenas com o valor original das dívidas, mas com o custo acumulado enquanto executa um plano que pode durar até dez anos.
Dívida já havia crescido antes da primeira parcela
O Corinthians inicialmente estimava em R$ 190,8 milhões o conjunto de dívidas reunidas no RCE. Entretanto, antes mesmo do pagamento da primeira parcela, a atualização dos valores já havia elevado significativamente esse montante.
Quando chegou o momento de começar os pagamentos, o saldo atualizado estava na casa dos R$ 224 milhões. Agora, depois de cinco meses de parcelas, alcançou R$ 237,4 milhões.
O cenário ajuda a explicar por que o pagamento de milhões de reais não necessariamente provoca uma redução imediata do saldo total. Enquanto o clube quita parte dos compromissos, juros, correções e novos valores reconhecidos podem pressionar a dívida na direção contrária.
Como funciona o RCE do Corinthians?
O Regime Centralizado de Execuções permite que o Corinthians organize diferentes cobranças judiciais dentro de um único plano. Assim, o clube reduz o risco de sofrer sucessivos bloqueios de recursos provocados por diferentes processos.
Atualmente, o RCE reúne 40 processos judiciais e 23 credores. Entre eles estão empresários, fornecedores e jogadores que possuem valores de direitos de imagem a receber, além de outros débitos cíveis.
Entretanto, os R$ 237,4 milhões não representam toda a dívida do Corinthians. Débitos tributários e o financiamento da Neo Química Arena com a Caixa Econômica Federal, por exemplo, ficam fora desse cálculo.
Giuliano Bertolucci é o maior credor do Corinthians no RCE
O empresário Giuliano Bertolucci aparece como o maior credor dentro do regime. Somados os valores relacionados diretamente a ele e à Bertolucci Assessoria e Propaganda Esportiva, o saldo informado pelo Corinthians em 28 de julho chegava a R$ 86,9 milhões.
A RC Consultoria e Assessoria Esportiva aparece na sequência, com R$ 31,4 milhões. Já a Talents Sports possui aproximadamente R$ 24,5 milhões a receber.
André Cury, Adriana Cury e a Link Assessoria Esportiva e Propaganda concentram outros R$ 21,7 milhões. Por fim, a Fair Play Football Association Participações aparece entre os principais credores, com R$ 21,4 milhões.
Corinthians pode levar até dez anos para pagar o RCE
O plano homologado pela Justiça estabelece um prazo máximo de dez anos para o Corinthians quitar as obrigações incluídas no regime. Entretanto, o valor destinado anualmente aos credores muda ao longo desse período.
No primeiro ano, o clube direciona o equivalente a 4% de suas receitas recorrentes para o RCE. O percentual aumenta para 5% no segundo ano e alcança 6% a partir do terceiro.
O desafio do Corinthians será fazer os pagamentos avançarem em ritmo suficiente para superar as correções aplicadas aos débitos. Os primeiros cinco meses mostram justamente essa dificuldade: mesmo desembolsando R$ 16,4 milhões, o clube ainda viu o saldo do plano crescer.

