Santos não deve atender pedido de Cuca por reforços e prioriza pagamento de dívidas
Treinador pediu até três contratações após entrada no Z4, mas transfer ban e crise financeira dificultam movimentações no mercado.
Técnico admite preocupação com o rebaixamento (Crédito: Marco Buenavista/SPP Sport Press Photo/Alamy Live News)
O pedido público de Cuca por reforços dificilmente será atendido pelo Santos neste momento. Mesmo com o time na zona de rebaixamento do Brasileirão e disputando três competições, a diretoria decidiu priorizar as dívidas e evitar novos compromissos no mercado da bola.
A avaliação interna é de que o clube precisa primeiro “arrumar a casa”. O Santos enfrenta dificuldades de caixa, possui pagamentos atrasados ao elenco e ainda precisaria desembolsar R$ 12 milhões para derrubar o transfer ban imposto pela Fifa.
Cuca fez o pedido depois da derrota por 2 a 0 para o Athletico-PR, no último domingo (9), na Vila Belmiro. O treinador afirmou que gostaria de receber dois ou três jogadores para aumentar as opções disponíveis.
“Se a gente puder quebrar o transfer ban e fortalecer. Virem dois ou três jogadores que encorpam o elenco e precisamos disso. É um desabafo que faço. Gosto de trabalhar com os guris, mas nesse momento não é o ideal”, afirmou.
A diretoria compreendeu a preocupação do treinador. Porém, sem previsão de entrada significativa de dinheiro no curto prazo, a prioridade será outra.
Santos ainda deve direitos de imagem aos jogadores
A situação do próprio elenco ajuda a explicar por que novas contratações ficaram em segundo plano.
O Santos conseguiu pagar os salários CLT referentes a julho, mas ainda possui dois meses de direitos de imagem em atraso. Uma nova parcela vence no próximo dia 20.
A expectativa é que o clube pague uma das parcelas. Mesmo assim, permaneceria com dois meses em aberto.
Diante desse cenário, a administração considera mais importante regularizar os compromissos existentes antes de assumir novos gastos com salários, luvas e contratações.
A decisão acontece justamente em um momento delicado dentro de campo. Com 22 pontos, o Santos entrou na zona de rebaixamento após perder para o Athletico-PR.
Transfer ban custaria R$ 12 milhões aos cofres do Santos
Existe ainda outro obstáculo para qualquer tentativa de reforçar o elenco.
O Santos está impedido de registrar novos jogadores por causa de uma dívida com o Monaco relacionada à contratação de Jean Lucas, realizada em 2023. Para retirar a punição aplicada pela Fifa, o clube precisa pagar aproximadamente R$ 12 milhões.
Por enquanto, derrubar o transfer ban não aparece entre as prioridades financeiras da diretoria.
Isso significa que mesmo uma eventual negociação por reforços dependeria primeiro da solução desse problema.
O cenário preocupa Cuca porque o Santos continua vivo em três competições. Além da luta contra o rebaixamento no Brasileirão, a equipe disputa a Copa Sul-Americana e está classificada às quartas de final da Copa do Brasil.
Dívida do Santos ultrapassa R$ 1 bilhão
O problema financeiro é muito maior do que os R$ 12 milhões necessários para resolver o transfer ban.
Segundo o balanço financeiro de 2025, a dívida do Santos ultrapassa R$ 1 bilhão. Desse montante, aproximadamente R$ 470 milhões correspondem a obrigações de curto prazo.
Por isso, o clube trabalha nos bastidores para conseguir novas fontes de receita.
Uma das frentes está no departamento de marketing. O Santos procura novos patrocinadores depois do encerramento de diferentes contratos em julho.
Nissei, EQR e Pley by Ney, empresa de bebidas ligada a Neymar, deixaram de ocupar espaços no uniforme. O acordo com a Corpx também foi encerrado amigavelmente.
A Álamo ainda possui entregas previstas em contrato, enquanto as partes conversam sobre uma possível extensão da parceria. Com as saídas, o uniforme santista pode ter até cinco espaços disponíveis para novos patrocinadores.
Cuca terá de buscar soluções dentro do próprio elenco
Sem reforços no horizonte imediato, Cuca deverá continuar recorrendo aos jogadores disponíveis e aos jovens das categorias de base.
O treinador já havia demonstrado preocupação com essa situação. Além de pedir contratações, afirmou que trabalhar com um elenco reduzido pode obrigar o Santos a escolher prioridades entre as três competições.
A situação aumenta a pressão antes de uma sequência importante da temporada. O Santos enfrenta o Macará, do Equador, nesta quinta-feira (13), pelas oitavas de final da Sul-Americana. Depois, encara o Vasco no domingo (16), em confronto direto na luta contra o rebaixamento.
Enquanto Cuca cobra mais opções para administrar o calendário, a diretoria enfrenta uma escolha diferente: antes de gastar para fortalecer o time, tenta encontrar recursos para pagar as contas que já estão abertas.

