Home Futebol Botafogo convoca reunião que pode praticamente zerar participação da Eagle na SAF; entenda

Botafogo convoca reunião que pode praticamente zerar participação da Eagle na SAF; entenda

Aumento de capital prevê emissão de 200 milhões de novas ações e pode abrir caminho para a GDA assumir o controle do futebol alvinegro

Por Douglas Nunes em 19/09/2026 09:33 - Atualizado há 1 hora

Montoro marcou o segundo gol do Botafogo na partida (Crédito: Jorge Rodrigues/AGIF)

A SAF do Botafogo convocou uma Assembleia Geral Extraordinária para a próxima quinta-feira (24) que pode provocar uma mudança profunda na composição acionária do clube. A principal pauta será um aumento de capital por meio da emissão de 200 milhões de novas ações ordinárias da Classe B.

A operação movimentará inicialmente apenas R$ 2 milhões, mas pode ter consequências muito maiores. Caso a Eagle não acompanhe o aumento de capital, sua atual participação de 49% poderá ser fortemente diluída, enquanto o processo também abre caminho para a futura entrada da GDA Luma no controle da SAF.

Botafogo pretende emitir 200 milhões de novas ações

A proposta prevê a emissão de 200 milhões de ações da Classe B pelo valor de R$ 0,01 cada. Dessa forma, a operação representa um aporte total de R$ 2 milhões.

Segundo o edital da assembleia, o dinheiro tem uma finalidade imediata. O recurso é considerado “indispensável para o pagamento de parte da folha salarial” dos funcionários da SAF.

A reunião não decidirá diretamente a entrada da GDA Luma, empresa do mexicano Gabriel de Alba. Entretanto, o aumento de capital é considerado uma etapa importante para reorganizar a estrutura acionária antes de uma eventual transferência do controle.

Como funciona a possível diluição da Eagle?

Atualmente, o Botafogo associativo possui 51% da SAF, enquanto a Eagle controla os outros 49%. O clube social tornou-se acionista majoritário em julho, quando acionou bônus de subscrição após alegar descumprimento do acordo de acionistas pela Eagle.

Com a emissão das novas ações, os dois acionistas terão direito de preferência. O Botafogo poderá subscrever inicialmente 102 milhões das 200 milhões de ações, mantendo a proporção de 51%.

A Eagle, por sua vez, terá direito a comprar as outras 98 milhões de ações. Os acionistas terão até 30 dias após a aprovação do aumento de capital para exercer essa preferência.

O que acontece se a Eagle não comprar novas ações?

É justamente neste ponto que a composição da SAF pode mudar significativamente. Caso a Eagle não exerça seu direito dentro do prazo, as ações destinadas à empresa ficarão disponíveis para uma nova subscrição.

O Botafogo associativo poderá então manifestar interesse por essas ações restantes. O clube terá cinco dias depois do encerramento do primeiro prazo para realizar a operação.

Se o Botafogo subscrever todas as 200 milhões de novas ações e a Eagle não aportar recursos, a empresa terá sua participação proporcional reduzida a um percentual muito pequeno. Portanto, a diluição não acontece automaticamente com a aprovação da assembleia, mas dependerá da decisão dos atuais acionistas sobre a compra das novas ações.

Operação pode abrir caminho para chegada da GDA

A possível redução da participação da Eagle faz parte de uma reorganização que pode facilitar a entrada da GDA Luma. A empresa de Gabriel de Alba é apontada como a nova investidora que poderá assumir futuramente o controle do futebol do Botafogo.

Nos bastidores, os advogados da SAF e a equipe jurídica ligada ao empresário mexicano já trabalham na elaboração de um novo acordo de acionistas. A assembleia de quinta-feira, porém, não colocará a transferência das ações para a GDA em votação.

Assim, o processo ocorre em etapas. Primeiro, o Botafogo busca reorganizar a composição acionária da SAF; posteriormente, poderá avançar nas medidas necessárias para a entrada do novo grupo.

Eagle já perdeu controle político da SAF

A Eagle deixou de ser acionista majoritária quando o Botafogo associativo passou a controlar 51% das ações em julho. Além disso, a empresa atualmente não exerce direitos políticos no cotidiano da SAF por determinação da Justiça do Rio de Janeiro.

A companhia também não mantém mais uma equipe de advogados no Brasil. Ainda assim, continua formalmente com 49% das ações antes do aumento de capital que será discutido na próxima semana.

Por isso, a AGE pode representar mais um passo para reduzir a influência da antiga controladora. A dimensão dessa mudança, entretanto, dependerá principalmente de a Eagle exercer ou não seu direito de preferência.

Textor mantém disputa judicial pelas ações

Em paralelo à reorganização, John Textor continua uma disputa judicial envolvendo a propriedade das ações. O antigo gestor tenta ser reconhecido como dono da participação atribuída à Eagle Bidco.

O empresário americano obteve decisões favoráveis em processos na Inglaterra e nos Estados Unidos. Entretanto, o caso também depende da ação que tramita no Brasil, onde ainda não houve uma decisão definitiva nem homologação pelo STJ dos vereditos estrangeiros.

Enquanto as disputas societárias continuam, o Botafogo também passa por mudanças no futebol. A equipe enfrenta o Mirassol neste sábado, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro, na estreia de Tite como treinador, enquanto Ziyech estará disponível pela primeira vez.

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