Home Futebol João Moreira Salles admite investir na SAF do Botafogo, mas descarta assumir controle

João Moreira Salles admite investir na SAF do Botafogo, mas descarta assumir controle

Bilionário aceita discutir participação minoritária com Gabriel de Alba e projeta investimento na base e no Espaço Lonier

Por Douglas Nunes em 03/09/2026 12:14 - Atualizado há 2 horas

Montoro marcou o segundo gol do Botafogo na partida (Crédito: Jorge Rodrigues/AGIF)

João Moreira Salles admitiu a possibilidade de se tornar acionista da SAF do Botafogo durante a nova fase comandada pela GDA Luma, de Gabriel de Alba. Torcedor declarado do clube, o bilionário afirmou que está disponível para conversar sobre um investimento, mas estabeleceu uma condição clara: sua participação seria sempre minoritária e ligada principalmente ao desenvolvimento das categorias de base.

Em entrevista ao canal Arena Alvinegra, João explicou também por que nunca pretendeu assumir a gestão do Botafogo, apesar de sua capacidade financeira. Para ele, ser torcedor e possuir recursos não tornam alguém preparado para administrar um clube de futebol. Por isso, defendeu a contratação de profissionais especializados e descartou assumir o controle da SAF.

João Moreira Salles admite investir no Botafogo

A possibilidade de investimento passa diretamente pelo projeto do Espaço Lonier. Os irmãos Moreira Salles já participaram das discussões envolvendo a estrutura destinada às categorias de base e podem transformar esse investimento em participação acionária na SAF.

Antes de tomar qualquer decisão, entretanto, João pretende conhecer melhor o projeto de Gabriel de Alba para o Botafogo. Segundo ele, um eventual acordo dependerá da compatibilidade entre o planejamento do novo controlador e as condições anteriormente apresentadas a John Textor.

“A gente precisa entender quem está chegando, qual é o projeto de quem está chegando, se a pessoa que está chegando topa essas condições, que são as mesmas que a gente propôs para o Textor, que a gente proporia para o de Alba. Se tudo isso estiver alinhado, a gente para para pensar”, afirmou.

João também reforçou que continua disposto a contribuir para o desenvolvimento do clube. Na avaliação do empresário, a formação de jogadores representa uma das principais maneiras de o Botafogo alcançar seu potencial nos próximos anos.

“O Botafogo continua sendo muito importante para mim e será sempre importante para mim, portanto eu quero que o Botafogo possa cumprir o seu potencial. E o potencial do Botafogo será cumprido pela base, então estou disponível para conversa”, completou.

Investimento poderia virar participação na SAF

O modelo discutido pelos Moreira Salles não prevê simplesmente um aporte financeiro no futebol profissional. A ideia passa pela construção e desenvolvimento da estrutura das categorias de base no Espaço Lonier.

João e Walter Moreira Salles cederam o local para utilização do Botafogo em 2022. Naquele momento, ainda durante a gestão de John Textor, foram discutidas alternativas para compensar o investimento realizado pelos irmãos.

Uma delas previa transformar o valor destinado à estrutura da base em participação acionária na SAF. A outra envolvia o pagamento da dívida existente do Botafogo com os Moreira Salles.

Com a mudança no controle da SAF, essa discussão poderá ser retomada com Gabriel de Alba. João deixou claro que considera transformar o investimento realizado no Lonier em ações, desde que mantenha uma posição minoritária.

“Acho que a gente participaria da SAF via Lonier, via base, entendeu? Porque o nosso investimento, que não seria um investimento pequeno, porque a gente iria construir toda a estrutura, se converteria em participação da SAF, o que nos daria um voto no conselho”, explicou.

“Sempre minoritário”, ressalta João Moreira Salles

Apesar de admitir pela primeira vez de maneira mais direta a possibilidade de participar da SAF, João afastou qualquer interpretação de que os irmãos pretendem controlar o futebol do Botafogo.

“Seria isso, mas sempre minoritário. É muito importante deixar isso muito claro”, ressaltou.

Nesse modelo, os Moreira Salles teriam representação no conselho, mas não assumiriam a administração cotidiana do clube. O investimento estaria concentrado principalmente no desenvolvimento da estrutura destinada aos jovens jogadores.

João também citou a experiência de Walter Moreira Salles com o projeto da base. Segundo ele, o irmão acumulou conhecimento e contatos no setor durante mais de uma década, o que permitiria uma contribuição específica sem interferir diretamente nas decisões esportivas.

Moreira Salles explica por que nunca quis administrar o Botafogo

Mesmo sendo um dos brasileiros com maior capacidade financeira e tendo participado de projetos importantes relacionados ao clube, João nunca quis assumir a administração do Botafogo. Na entrevista, ele explicou que considera essa separação fundamental.

“Para a gente estava claríssimo, sempre esteve claríssimo, continua claríssimo: a gente não quer se envolver com a gestão do Botafogo. Por uma razão muito simples: o Botafogo não precisa de amadores, e nós seríamos amadores no futebol”, afirmou.

João utilizou a própria experiência como torcedor para explicar seu argumento. Embora acompanhe regularmente o clube, reconheceu que isso não significa possuir conhecimento suficiente para administrar uma instituição esportiva.

“O que eu entendo de futebol? Muito pouco, eu entendo mais da torcida do Botafogo do que do time do Botafogo. E de gestão de clube, então, rigorosamente nada”, declarou.

Bilionário critica ideia de que dinheiro basta para administrar um clube

João também questionou a ideia de que um torcedor rico necessariamente representa uma boa opção para assumir um clube. Para ele, entregar a administração a alguém apenas pela identificação com a equipe e pela capacidade de investimento pode representar um risco.

“Essa ideia de que você traz duas pessoas simplesmente porque gostam do Botafogo e têm recursos, essas pessoas são as pessoas certas para tocar o Botafogo é um equívoco, é um equívoco perigoso. Não acreditem nisso não”, afirmou.

Na avaliação do empresário, o Botafogo precisa entregar a administração a profissionais especializados. Assim, eventuais investidores podem estabelecer objetivos e participar das decisões estratégicas sem assumir funções para as quais não possuem experiência.

“O que a gente precisa é de gestores competentes, de empresários, de pessoas que saibam organizar esse carnaval, nós não sabemos”, acrescentou.

É justamente nesse ponto que João diferencia a gestão do futebol do projeto para as categorias de base. Enquanto a parte esportiva ficaria nas mãos de profissionais do setor, os Moreira Salles poderiam contribuir com estrutura e educação dos jovens.

“Por amor ao Botafogo, eu não quero ser dono”

João encerrou sua explicação reforçando que não pretende abandonar suas atividades profissionais para administrar diretamente o clube. O documentarista considera que assumir essa responsabilidade poderia inclusive modificar sua relação como torcedor.

“Eu não vou suspender a minha vida para me lançar numa aventura na qual eu sei tanto quanto essa caneca aqui. Então, é uma bobagem isso. Por amor ao Botafogo, eu não quero ser dono do Botafogo”, afirmou.

O empresário ainda brincou com o cenário de comandar pessoalmente o clube. Para ele, a falta de experiência tornaria a situação incompatível com aquilo que deseja para o Botafogo.

“Eu quero continuar a torcer pelo Botafogo, e se eu soubesse que o Botafogo estava sendo tocado por mim, eu não ia mais conseguir torcer pelo Botafogo, porque eu saberia que a gente ia caminhando rapidamente para o abismo”, completou.

Dessa forma, João Moreira Salles deixa aberta uma possibilidade que durante anos cercou os bastidores do Botafogo, mas em condições diferentes das especulações sobre uma eventual compra do clube. O bilionário aceita discutir um investimento com Gabriel de Alba, principalmente através do projeto da base, mas pretende permanecer como acionista minoritário e distante da gestão cotidiana do futebol.

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