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Palmeiras acumula déficit de R$ 156 milhões em 2026, mas venda de Allan deve aliviar contas

Clube arrecadou R$ 617,5 milhões até julho, abaixo do orçamento para o período

Por Douglas Nunes em 04/09/2026 06:31 - Atualizado há 2 horas

Allan em campo pelo Palmeiras. Foto: Fabio Giannelli/AGIF

O Palmeiras acumulou déficit de R$ 156,4 milhões nos primeiros sete meses de 2026, segundo o balanço financeiro divulgado pelo clube. Entre receitas operacionais e financeiras, o Verdão registrou R$ 617,5 milhões até o fim de julho, valor inferior ao projetado para esse momento da temporada.

O resultado contrasta com o orçamento elaborado para o período, que previa superávit de R$ 21,9 milhões e R$ 778,5 milhões em receitas. Entretanto, as contas ainda não incluem a venda de Allan ao Manchester City por aproximadamente R$ 240 milhões, operação que deverá aparecer a partir do balanço de agosto e reduzir o impacto do déficit acumulado.

Palmeiras registra déficit de R$ 156,4 milhões até julho

O resultado financeiro ficou distante da projeção estabelecida pelo Palmeiras para os sete primeiros meses. Em vez do superávit de R$ 21,9 milhões previsto no orçamento, o clube fechou julho com déficit acumulado de R$ 156,4 milhões.

Assim, a diferença entre o resultado projetado e o registrado chegou a aproximadamente R$ 178,3 milhões. A receita também ficou abaixo da expectativa, já que o clube havia estimado R$ 778,5 milhões até esse momento do ano.

A receita operacional líquida alcançou R$ 494,4 milhões, enquanto o orçamento previa R$ 772,3 milhões. Além disso, o Palmeiras contabilizou R$ 123 milhões em receitas financeiras.

Entre as principais fontes de recursos aparecem R$ 126,8 milhões com publicidade e patrocínio e R$ 116,9 milhões em direitos de transmissão. As rendas diversas somaram outros R$ 104,2 milhões.

Quanto o Palmeiras arrecadou em 2026?

O balanço detalha diferentes fontes de receita do clube até o encerramento de julho. Apesar do resultado negativo acumulado, algumas áreas continuam movimentando valores relevantes durante a temporada.

A distribuição registrada pelo Palmeiras foi:

  • Receita operacional líquida: R$ 494,4 milhões;
  • Receitas financeiras: R$ 123 milhões;
  • Publicidade e patrocínio: R$ 126,8 milhões;
  • Direitos de transmissão: R$ 116,9 milhões;
  • Rendas diversas: R$ 104,2 milhões;
  • Sócio-torcedor Avanti: R$ 41,3 milhões;
  • Arrecadação social: R$ 41,1 milhões;
  • Bilheteria: R$ 26,9 milhões;
  • Licenciamento de marcas e franquias: R$ 19,1 milhões;
  • Premiações: R$ 16,4 milhões.

Dentro dos R$ 104,2 milhões classificados como rendas diversas, R$ 43,4 milhões vieram da arena Nubank Parque. Outros R$ 60,4 milhões correspondem ao futebol profissional, principalmente por negociações de atletas.

Estratégia de segurar jogadores afetou as receitas

Uma das explicações para a diferença em relação ao orçamento está na estratégia adotada pelo Palmeiras no mercado. O clube decidiu preservar os principais jogadores durante boa parte da temporada, mesmo sabendo que isso reduziria as receitas previstas com transferências.

A diretoria tratava essa escolha como um “risco calculado”. A ideia era manter um elenco competitivo para avançar nas principais competições e, dessa maneira, compensar parte das vendas não realizadas com premiações, bilheteria, receitas do Avanti, bônus de patrocinadores e possíveis novos acordos comerciais.

O Palmeiras, por exemplo, recusou uma proposta por Flaco López. A estratégia começou a mudar posteriormente com a negociação de Allan para o Manchester City.

Outro fator apontado pelo clube foi a paralisação das competições durante a Copa do Mundo. Sem partidas durante parte do período, o Palmeiras teve uma redução nas oportunidades de arrecadação com bilheteria.

Venda de Allan por R$ 240 milhões muda cenário

A transferência de Allan ao Manchester City representa a principal operação do Palmeiras no mercado e deverá provocar uma mudança significativa nos próximos balanços. O negócio foi fechado por aproximadamente R$ 240 milhões.

Inicialmente, o clube pretendia manter o jogador. Entretanto, a dimensão da proposta e o desejo do atleta fizeram a diretoria mudar de posição e aceitar a transferência.

Como a operação aconteceu posteriormente ao período analisado, o dinheiro ainda não aparece nos R$ 617,5 milhões contabilizados até julho. A expectativa é que os efeitos da negociação comecem a aparecer a partir do balanço referente a agosto.

Além de Allan, o Palmeiras realizou outras vendas nas últimas semanas. Kaique foi negociado com o Sporting por aproximadamente R$ 24 milhões, enquanto Naves acertou com o Necaxa por cerca de R$ 15 milhões, dos quais aproximadamente R$ 10 milhões correspondem ao Verdão.

Riquelme Fillipi também deixou o clube rumo ao Inter Miami em uma operação de aproximadamente US$ 6 milhões. Portanto, essas negociações devem aumentar as receitas registradas durante o segundo semestre.

Premiações superam orçamento do Palmeiras

Se várias fontes de receita ficaram abaixo do esperado, as premiações seguiram o caminho contrário. Até julho, o Palmeiras havia registrado R$ 16,4 milhões nessa categoria, diante dos R$ 8 milhões previstos no orçamento para o período.

Esse número já aumentou consideravelmente depois do fechamento do balanço. Com a classificação para a semifinal da Copa do Brasil, o clube chegou a quase R$ 50 milhões em premiações na temporada, considerando também Campeonato Paulista e Libertadores.

Além disso, o desempenho esportivo permitiu ao Palmeiras alcançar a meta estabelecida para os mata-matas. O orçamento considerava chegar pelo menos às quartas de final das competições eliminatórias.

Dessa forma, novos avanços podem ampliar ainda mais essa receita. O Palmeiras está na semifinal da Copa do Brasil e segue disputando a Libertadores, além de permanecer na briga pelo título do Campeonato Brasileiro.

Palmeiras teve déficit em seis dos sete primeiros meses

O balanço mensal ajuda a explicar como o resultado negativo foi construído ao longo de 2026. Dos sete primeiros meses do ano, apenas fevereiro terminou com superávit.

Os resultados foram:

  • Janeiro: déficit de R$ 7,8 milhões;
  • Fevereiro: superávit de R$ 20 milhões;
  • Março: déficit de R$ 26,8 milhões;
  • Abril: déficit de R$ 21,2 milhões;
  • Maio: déficit de R$ 30 milhões;
  • Junho: déficit de R$ 58 milhões;
  • Julho: déficit de R$ 32,3 milhões.

Junho apresentou o maior resultado negativo, com déficit de R$ 58 milhões. Posteriormente, julho terminou R$ 32,3 milhões no vermelho e levou o acumulado dos sete primeiros meses a R$ 156,4 milhões.

O cenário financeiro do segundo semestre, porém, tende a ser diferente. Além das vendas realizadas recentemente, o Palmeiras poderá ampliar as receitas caso continue avançando nas competições. Dessa forma, os próximos balanços mostrarão quanto a mudança de estratégia no mercado será capaz de reduzir o déficit acumulado até julho.

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