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Polícia investiga possível fraude na recuperação judicial do Vasco e apura atuação de dirigente

Caso envolve crédito de ex-jogador que chegou a R$ 8 milhões e possível conflito de interesses de Alan Belaciano

Por Douglas Nunes em 12/09/2026 12:12 - Atualizado há 2 horas

Clube está desde dezembro sem um patrocinador principal (Crédito: Action Plus Sports Images/Alamy Live News)

A Delegacia de Defraudações do Rio de Janeiro investiga desde maio uma possível fraude contra credores na recuperação judicial do Vasco. A apuração envolve o cálculo de uma dívida reivindicada pelo ex-jogador Max, que defendeu o clube no início da década de 2010.

Os investigadores também apuram a atuação de Alan Belaciano, atual presidente da Assembleia Geral do Vasco e ex-advogado do atleta. A Polícia quer descobrir se o dirigente continuou envolvido no processo depois de deixar a defesa de Max e se sua atuação criou algum conflito de interesses.

Polícia investiga crédito que chegou a R$ 8 milhões

O Vasco questionou na Justiça o valor apresentado como crédito de Max na recuperação judicial. Segundo as informações da investigação, a cobrança teria passado de aproximadamente R$ 2,5 milhões para cerca de R$ 8 milhões.

Max já prestou depoimento e explicou que seus atuais advogados apontaram que a ação poderia alcançar aproximadamente R$ 8 milhões. No entanto, pelas regras da recuperação judicial, o ex-jogador afirmou que teria direito a receber um valor menor, próximo de R$ 5 milhões.

Agora, a Polícia analisa os cálculos e documentos para entender como o crédito chegou ao montante apresentado no processo. A investigação também busca determinar se alguém incluiu valores que não deveriam integrar a cobrança.

Investigadores apuram atuação de Alan Belaciano

Belaciano representava Max quando o ex-jogador iniciou a ação, em 2016. Ele deixou oficialmente a defesa no ano seguinte, mas afirmou que participou de audiências em 2017 e 2019 a pedido do antigo cliente.

A Polícia tenta esclarecer até quando essa participação continuou e qual papel Belaciano exerceu no processo após deixar formalmente o caso. Os investigadores também querem saber se ele participou de negociações envolvendo o crédito posteriormente.

A posição atual de Belaciano dentro do Vasco colocou um segundo ponto no centro da apuração. Como presidente da Assembleia Geral, ele ocupa um cargo relevante no clube que atualmente contesta o crédito de seu antigo cliente.

Ex-dirigentes relatam questionamentos dentro do Vasco

Ex-dirigentes do Vasco disseram à Polícia que receberam alertas sobre uma possível irregularidade no balanço de 2025. Segundo esses depoimentos, o próprio credor teria apresentado o valor de aproximadamente R$ 8 milhões no processo.

Eles também relataram que Belaciano se colocou à disposição para intermediar conversas entre o clube e advogados trabalhistas durante as negociações. Com isso, os investigadores passaram a analisar se essa atuação teve alguma relação com os créditos que o Vasco posteriormente decidiu contestar.

A Polícia agora compara esses relatos com documentos e outros depoimentos. O objetivo é reconstruir a origem dos valores e identificar quem participou de cada etapa das negociações.

Administradora judicial apresenta outra versão

A administradora judicial Adriana Zamponi apresentou uma versão diferente aos investigadores. Segundo ela, Vasco e SAF já reconheciam anteriormente uma dívida próxima de R$ 7,9 milhões com Max.

Novos cálculos elevaram posteriormente esse valor para aproximadamente R$ 8 milhões. Dessa forma, a administradora contesta a versão de que o montante teria surgido apenas a partir de uma reivindicação posterior do credor.

Adriana também afirmou que se surpreendeu quando Vasco e SAF mudaram de posição sobre o crédito. A Polícia agora tenta esclarecer essa divergência e determinar como cada parte chegou aos valores apresentados.

Conselho Fiscal já havia levantado suspeitas

O Conselho Fiscal da SAF já havia pedido uma apuração sobre um possível conflito de interesses envolvendo Belaciano. Além do processo de Max, o órgão citou outros seis créditos que o Vasco tenta contestar na recuperação judicial.

Juntos, os sete processos envolvem aproximadamente R$ 10,8 milhões em cobranças. Por isso, os questionamentos ultrapassam o caso específico do ex-jogador e alcançam outros créditos incluídos no processo.

Até o momento, porém, a Polícia não concluiu que houve fraude ou participação irregular dos envolvidos. O inquérito continua aberto e ainda depende de novos depoimentos e da análise dos documentos.

Polícia ainda vai ouvir Pedrinho e Belaciano

A Delegacia de Defraudações pretende ouvir Alan Belaciano, o presidente Pedrinho e outras pessoas antes de encerrar o inquérito. Os investigadores usarão os depoimentos para confrontar as diferentes versões apresentadas até agora.

A Polícia também analisará documentos da recuperação judicial para reconstruir o caminho dos créditos contestados pelo Vasco. A apuração busca identificar como os valores foram calculados, quem participou das negociações e se alguém cometeu alguma irregularidade.

Por enquanto, o inquérito não atribui responsabilidade definitiva aos citados. A investigação ainda precisa esclarecer as divergências antes de apontar se houve fraude contra credores no processo de recuperação judicial do Vasco.

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