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CBF lista dívidas dos clubes e aponta só seis da Série A sem pendências

Ranking de passivos reúne R$ 25 bilhões nas duas principais divisões

Por Gabrielle Junqueira em 21/10/2026 17:23 - Atualizado há 14 horas

Painel da Anresf reúne passivos dos clubes. Foto: Brazil Photo Press/Alamy Live News

Bahia, Chapecoense, Flamengo, Mirassol, Palmeiras e Red Bull Bragantino são os seis clubes da Série A que aparecem sem pendências e sem planos coletivos de pagamento no levantamento divulgado pela agência de fair play financeiro da CBF. O recorte dos atrasos considera a situação em 30 de junho de 2026, segundo o UOL.

O painel da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), divulgado nesta quarta-feira (21), reúne informações dos 40 participantes das Séries A e B. Somados, os passivos das equipes chegaram a aproximadamente R$ 25 bilhões no encerramento de 2025.

Além disso, os dados retratam momentos e critérios distintos. Isto é, o valor total vem dos balanços de 31 de dezembro, enquanto os pagamentos vencidos foram declarados na janela de julho.

Clubes da Série A sem pendências

O grupo dos seis regulares reúne equipes com tamanhos diferentes de endividamento. O Palmeiras, por exemplo, encerrou 2025 com passivo de R$ 1,58 bilhão. Já o Flamengo tinha R$ 1,26 bilhão. Ambos aparecem sem pagamentos vencidos no recorte divulgado.

Inclusive, o painel considera atrasos com atletas e empregados, transferências de jogadores e obrigações perante o poder público. Nas duas divisões somadas, 15 dos 40 clubes relataram ausência de pagamentos em atraso, de acordo com o GE.

Na Série A, as situações dos outros 14 participantes envolvem julgamentos por atrasos, recuperação judicial e planos de regularização. Confira abaixo:

Situação Clubes
Sem pendências e sem planos coletivos de pagamentoBahia, Chapecoense, Flamengo, Mirassol, Palmeiras e Red Bull Bragantino
Advertidos, com prazo de 45 dias e possibilidade de transfer banAtlético-MG, Grêmio, Internacional e São Paulo
Advertidos por atrasosBotafogo, Corinthians, Remo, Santos, Vasco e Vitória
Atrasos reconhecidos na data de corte; processos arquivados sem nova sançãoAthletico-PR e Coritiba
Processo ainda sem julgamento concluídoFluminense
Dívidas abrangidas por recuperação judicialCruzeiro

A Anresf analisou 12 clubes da elite em sessões de 2 e 14 de outubro, sendo que dez receberam advertências, e dois tiveram os processos arquivados sem nova sanção.

Parcelamentos e recuperação judicial

Portanto, dez clubes estão envolvidos em recuperação judicial ou iniciativas de pagamento por meio da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), conforme o UOL. Os times são: Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Grêmio, Internacional, Santos, Vasco e Vitória. Esses mecanismos reorganizam as dívidas.

Aliás, a Anresf explica que obrigações incluídas em recuperação judicial ou plano coletivo são declaradas como renegociadas. Com isso, o Cruzeiro entra nesse contexto por ter pagamentos abrangidos pela recuperação judicial. Já o Fluminense apresentou documentos de quitações pouco antes da sessão prevista, e seu julgamento foi adiado.

O Athletico-PR tem uma pendência com o Vasco e busca compensá-la com créditos contra o clube carioca. Em nota, o Furacão informou que a parcela é de R$ 855,6 mil. Por sua vez, Coritiba incluiu débitos federais em transação e parcelamento após a data de corte e obteve certidão de regularidade fiscal em setembro.

Mas, o processo foi arquivado sem sanção e o atraso que existia em junho permaneceu reconhecido. Por fim, o Santos oferece outro exemplo dessa diferença, já que pagou direitos de imagem em agosto e FGTS em setembro. As quitações contaram a favor do clube no julgamento, embora o atraso de 30 de junho tenha permanecido reconhecido.

Corinthians lidera e Atlético-MG tem maior dívida de curto prazo

As dívidas dos clubes da Série A somaram R$ 22,08 bilhões, enquanto os participantes da Série B acumularam R$ 2,92 bilhões. O Corinthians lidera o passivo total, com R$ 2,76 bilhões, seguido por Atlético-MG, com R$ 2,66 bilhões, e São Paulo, com R$ 2,45 bilhões.

No recorte de curto prazo apresentado, o Galo tem o maior volume, sendo R$ 1,36 bilhão em obrigações classificadas com vencimento em até 12 meses no balanço. Os valores se referem ao fim de 2025. Entretanto, o UOL registra que o Atlético-MG reduziu parte de seu endividamento ao longo de 2026.

Já o Mirassol apresentou o menor passivo da elite, R$ 11 milhões. Na Série B, o Sport liderou com R$ 422 milhões, à frente do Náutico, com R$ 292 milhões. O CRB ficou na outra ponta das duas divisões, com R$ 900 mil.

Ranking das dívidas das Séries A e B

PosiçãoClubePassivo em R$ milhões
1Corinthians2.760
2Atlético-MG2.660
3São Paulo2.450
4Botafogo2.010
5Palmeiras1.580
6Cruzeiro1.360
7Internacional1.270
8Flamengo1.260
9Santos1.230
10Vasco1.100
11Fluminense1.040
12Grêmio936
13Red Bull Bragantino772
14Sport422
15Vitória408
16Bahia407
17Athletico-PR405
18Náutico292
19Fortaleza291
20América-MG283
21Avaí268
22Ponte Preta240
23Ceará217
24Coritiba185
25Vila Nova175
26Chapecoense174
27Novorizontino167
28Goiás114
29Botafogo-SP89
30São Bernardo77
31Athletic72
32Londrina60
33Atlético-GO42
34Cuiabá40
35Remo37
36Criciúma37
37Juventude29
38Mirassol11
39Operário-PR4,2
40CRB0,9

O passivo reúne compromissos de curto e longo prazo, incluindo valores ainda não vencidos, bancos, fornecedores e antecipações de receitas. A tabela, portanto, mede o conjunto das obrigações contábeis, enquanto a apuração de atrasos examina parcelas vencidas nas categorias monitoradas pela agência.

Fair play financeiro prevê bloqueio de registros e novos prazos

Atlético-MG, Grêmio, Internacional e São Paulo receberam prazo de 45 dias para regularizar determinadas dívidas assumidas em 2026, sob possibilidade de proibição de registrar atletas. As decisões admitem pagamento ou acordo escrito. Contudo, o São Paulo afirma ter cumprido a obrigação, conforme o GE.

No caso do Atlético-MG, as pendências envolvem Bahia e Santos. O transfer ban depende do descumprimento das condições fixadas. Por isso, o prazo concedido não equivale à aplicação imediata da restrição. As obrigações assumidas antes de 1º de janeiro de 2026 seguem no período de transição até 30 de novembro de 2026.

Durante essa fase, o descumprimento do requisito está sujeito à advertência. Depois, passam a valer as demais sanções previstas no regulamento. “A advertência não dispensa o pagamento: o clube continua obrigado a comprovar a completa regularização na data de comprovação seguinte”, ressalta o comunicado da Anresf.

Desta forma, há uma articulação de clubes para estender a transição ao menos até o fim de 2027, preferencialmente até 2028. A agência ainda não recebeu proposta formal para análise, apontou o GE. O próximo marco é a declaração de 30 de novembro, referente à situação em 30 de outubro.

Consequentemente, os clubes prestam essas informações três vezes ao ano, ou seja, março, julho e novembro. Para tributos de 2026, as decisões recomendaram regularização até 31 de outubro, com comprovação na janela seguinte.

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