Flamengo tem folha salarial estimada em R$ 50 milhões, 66,7% acima de três rivais
Palmeiras, Corinthians e Cruzeiro têm folhas estimadas em R$ 30 milhões por mês; confira os valores dos 20 clubes da Série A
Flamengo lidera as estimativas de folha salarial da Série A. Foto: Celso Pupo/FotoArena/Alamy Live News
O Flamengo tem a maior folha salarial estimada do Brasileirão, sendo R$ 50 milhões por mês. O levantamento publicado pelo GE, nesta quarta-feira (14), coloca Palmeiras, Corinthians e Cruzeiro na sequência, com R$ 30 milhões cada. A diferença é de R$ 20 milhões, aproximadamente 66,7%, em cálculo a partir dos valores apresentados.
Vale ressaltar que os números do balanço podem reunir salários, direitos de imagem, encargos e pagamentos a funcionários de diferentes equipes. Por isso, os gastos do departamento de futebol nem sempre correspondem ao valor pago aos jogadores do time principal.
Confira abaixo as estimativas mensais dos clubes:
| Clube | R$ milhões por mês |
|---|---|
| Flamengo | 50 |
| Palmeiras | 30 |
| Coríntios | 30 |
| Cruzeiro | 30 |
| Atlético-MG | 27 |
| Santos | 25 |
| Bahia | 22 |
| Internacional | 20,5 |
| Fluminense | 20 |
| Grêmio | 20 |
| São Paulo | 18 |
| Basco | 16 |
| Botafogo | 15 |
| Atlético-PR | 14 |
| Bragantino | 10 |
| Remo | 10 |
| Vitória | 9 |
| Coritiba | 8 |
| Mirassol | 6 |
| Chapecoense | 3,8 |
O Internacional afirma que a folha do time profissional é de R$ 12,5 milhões mensais e que os R$ 20,5 milhões incluem futebol masculino, feminino, categorias de base e funcionários desses departamentos. Já o Remo informa que seus gastos apenas com futebol estão em R$ 5,5 milhões por mês.
Em relação aos jogadores, Neymar aparece com o maior salário, enquanto Flamengo, Palmeiras e Cruzeiro reúnem outros contratos de remuneração elevada. Veja os valores:
| Clube | Jogador | Valor mensal |
|---|---|---|
| Flamengo | Arrascaeta e Jorginho | Cerca de R$ 3 milhões cada |
| Flamengo | Saul, Lucas Paquetá e Samuel Lino | Cerca de R$ 2 milhões cada |
| Flamengo | Pedro | Menos de R$ 1 milhão |
| Palmeiras | Andréas Pereira | Cerca de R$ 2,6 milhões |
| Palmeiras | Paulinho e Vitor Roque | Cerca de R$ 2 milhões cada |
| Cruzeiro | Matheus Pereira e Gerson | Cerca de R$ 3,5 milhões cada |
| Cruzeiro, emprestado ao Santos | Gabigol | Cerca de R$ 3,5 milhões |
| Santos | Neymar | R$ 4,14 milhões |
| Corinthians | Memphis | Cerca de R$ 2 milhões |
Lembrando que os jogadores também podem receber bônus por vitórias, títulos e outras metas, por isso, os ganhos podem mudar ao longo da temporada.
Flamengo investe em reforços e busca ampliar receitas
A maior folha do levantamento acompanha o investimento do Flamengo no elenco. As operações de Lucas Paquetá, Vitão e Andrew em 2026 somaram R$ 432,3 milhões, incluindo direitos, luvas e intermediação. Só essas três operações superaram R$ 430 milhões. Já o relatório oficial do primeiro semestre registra R$ 495 milhões investidos.
O clube também tem um plano para alcançar R$ 3 bilhões em receitas até 2030. A estratégia prevê novas fontes de arrecadação para ampliar o faturamento além das receitas ligadas aos resultados esportivos. Entre os contratos atuais, Pedro recebe menos de R$ 1 milhão por mês e pode ter um aumento na próxima renovação.
Palmeiras tem folha de R$ 30 milhões e balanço inclui outros custos
Já as contratações de Andreas Pereira, Vitor Roque e Paulinho elevaram o investimento do Palmeiras. Juntos, os três custaram quase R$ 400 milhões. Além disso, a estimativa de R$ 30 milhões é menor que a soma de despesas com pessoal, encargos e imagem.
Aliás, dirigentes e conselheiros explicam que a conta mais ampla inclui premiações e funcionários como massagistas, roupeiros, nutricionistas, preparadores e auxiliares. O balancete oficial, encerrado em 31 de agosto de 2026, permite detalhar essa diferença.
Isto é, entre janeiro e agosto, registrou R$ 268,9 milhões em pessoal e encargos sociais e R$ 96,9 milhões em direitos de imagem. As duas despesas somam R$ 365,8 milhões. Dividido pelos oito meses, o total resulta em média de aproximadamente R$ 45,7 milhões mensais.
Essa média reúne mais despesas do que os salários dos jogadores e se refere ao acumulado do ano. O balanço ainda apresenta outras contas, como despesas com partidas, administração e amortização dos direitos sobre atletas, que também fazem parte do custo.
Bragantino separa salários do custo do departamento
No Bragantino, o balanço de 2025 registra R$ 314,4 milhões no custo. Porém, a comissão técnica aparece em uma conta separada. Se o total for dividido por 13, incluindo o décimo terceiro, a média fica em R$ 24,2 milhões.
O documento ainda reúne despesas como direitos de imagem, encargos, viagens e amortizações de atletas. Para mostrar a diferença, o balanço registra 65,9 milhões em direitos de imagem no ano.
Cruzeiro aumenta despesas e paga parte do salário de Gabigol
O Cruzeiro ampliou em 72% os custos entre 2024 e 2025. O total passou de R$ 395 milhões para R$ 680 milhões. Dentro desse montante, salários, direitos de imagem e encargos sobre os pagamentos a jogadores e funcionários somaram R$ 362 milhões em 2025. No ano anterior, essas despesas haviam ficado em R$ 200 milhões.
Inclusive, Matheus Pereira, Gerson e Gabigol aparecem no levantamento atual com remunerações próximas de R$ 3,5 milhões cada. Gabigol, porém, joga no Santos por empréstimo até o fim do ano, e o clube paulista paga cerca de R$ 1 milhão mensal de seus vencimentos. Ou seja, o Cruzeiro segue responsável pelo restante do pagamento.
Neymar tem o maior salário citado; Memphis passou a receber menos
Neymar aparece no levantamento com salário de R$ 4,14 milhões mensais. Essa remuneração é separada dos ganhos previstos com marketing e exploração de imagem no contrato com o Santos. Do outro lado, Memphis Depay, que chegou a custar cerca de R$ 6 milhões mensais ao Corinthians, renovou com salário próximo de R$ 2 milhões.
O novo vínculo vai até julho de 2028. Mas, o acordo também prevê pagamentos parcelados e premiações. Por isso, a redução é analisada junto às demais obrigações assumidas pelo clube com o atacante.
Santos usa saídas para abrir espaço a reforços, mas segue com dívidas
Everton Cebolinha, Rodinei, Gabigol e Philippe Coutinho aumentaram os compromissos salariais do Santos. A diretoria sustenta que abriu espaço na folha com saídas como as de Mayke, Zé Rafael e Adonis Frías, uma economia aproximada de R$ 7 milhões em salários com vendas, empréstimos e rescisões.
Com isso, parte dessa redução passou a ser utilizada para pagar os reforços. O formato das contratações também ajudou, já que os jogadores livres ou emprestados evitaram grandes desembolsos. Ainda assim, os novos contratos acrescentaram despesas mensais à folha.
No entanto, o clube enfrenta, ao mesmo tempo, dificuldades para quitar dívidas. Na terça-feira (13), pagou pendências que derrubaram três transfer bans da FIFA, mas permaneceu com quatro punições relacionadas a Pedro Caixinha e seus auxiliares.
Os débitos com a antiga comissão superam R$ 15 milhões. Por fim, o Santos já contou com ajuda da empresa da família de Neymar para resolver dívidas de curto prazo.
Athletico-PR disputa o topo com uma das menores folhas
O Athletico-PR, que jogou a Série B em 2025, aparece em 14º na ordem do levantamento salarial, com R$ 14 milhões mensais. Em campo, ocupa o terceiro lugar do Brasileirão. A vitória por 4 a 1 sobre a Chapecoense, na segunda-feira (12), levou o Furacão aos 53 pontos.
Viveros é um dos destaques dessa campanha. Contratado do futebol colombiano, o atacante lidera a artilharia com 21 gols em 28 partidas. O desempenho também rendeu uma marca histórica ao superar os 20 gols de Tevez pelo Corinthians em 2005 e passou a ter o maior número de gols de um estrangeiro.
Mirassol aumentou a folha após classificação à Libertadores
Contudo, o Mirassol chegou a uma folha estimada em R$ 6 milhões, com alta aproximada de 50% no levantamento. O aumento ocorreu após a campanha de 2025, que garantiu a primeira participação do clube na Libertadores. Em 2026, o Leão passou a disputar quatro competições.
Inclusive, precisou manter um departamento de futebol feminino para cumprir uma exigência da Conmebol, passando a disputar espaço no orçamento. O gasto maior, porém, não trouxe uma repetição da campanha anterior. O Mirassol agora luta contra o rebaixamento.
Despesas elevadas não muito distantes do Internacional e Grêmio
Flamengo e Chapecoense ocupam as pontas do ranking, uma vez que o Rubro-Negro lidera o Brasileirão e as estimativas salariais, enquanto a Chape fica em último lugar na tabela e acelera os menores gastos mensais da lista.
Entretanto, a história é diferente para Internacional e Grêmio, que aparecem em oitavo e décimo lugares no levantamento, com gastos estimados em R$ 20,5 milhões e R$ 20 milhões por mês, respectivamente.
O Internacional contesta o valor atribuído ao clube e afirma que a folha salarial do time profissional é de R$ 12,5 milhões mensais. Os dois brigam contra o rebaixamento. Após o empate no Gre-Nal, os cálculos da UFMG apontavam risco de queda de 49,2% para o Internacional e 63,6% para o Grêmio.
Receita, folha salarial e custo são contas diferentes
O relatório do primeiro semestre do Flamengo registra R$ 839 milhões em receita total. Esse é o valor arrecadado pelo clube entre janeiro e junho de 2026, um crescimento de 32% na receita, que reúne fontes mais estáveis de arrecadação. Na parte das despesas, aparecem R$ 213,5 milhões em salários, encargos e benefícios a funcionários e R$ 105,8 milhões em direitos de imagem.
Esses valores abrangem as atividades sociais e esportivas e não isolam a remuneração dos jogadores do time masculino profissional. No Inter, havia detalhado R$ 62,1 milhões em gastos com futebol entre janeiro e março de 2026, média de R$ 20,7 milhões por mês. A conta incluía salários de atletas e comissão técnica, direitos de imagem e encargos sociais e previdenciários.
Por fim, esse registro se refere ao primeiro trimestre, enquanto a contestação atual do clube trata da folha do time profissional. Para comparar os gastos, é necessário usar o mesmo período e as mesmas despesas. Sem esses cuidados, custos do departamento, remuneração dos atletas e arrecadação do clube acabam tratados como se fossem a mesma conta.

